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terça-feira, 4 de outubro de 2016

DESIGUALDADE: O QUE PODE SER FEITO E PORQUÊ - AS PROPOSTAS DE ATKINSON

Para quem se interessa pela “Desigualdade” as duas últimas semanas foram um pouco inusitadas, uma vez que tivemos dois acontecimentos raros entre nós. A publicação do estudo “DESIGUALDADE DO RENDIMENTO E POBREZA EM PORTUGAL: As consequências sociais do programa de ajustamento, 2009 - 2014” coordenado pelo Professor Carlos Farinha Rodrigues, do ISEG da Universidade de Lisboa e colocado ao dispor dos cidadãos e dos investigadores, no sítio da internet “Portugal Desigual” e a conferência do Professor Richard Wilkinson, no passado dia 1 de Outubro em Lisboa, durante a “Be Well Global Health Conference”, organizada pela MSD Portugal e pelo Jornal de negócios. (aqui)

Estando a Desigualdade no centro do debate público mundial, lembrei-me das palavras do professor Anthony Atkinson ao Toronto Star a propósito da publicação do seu livro “ Desigualdade: O que fazer?” «Rising income inequality has been described by President Barack Obama as the “defining challenge of our time.” Pope Francis calls for governments to redistribute wealth to the poor in a new spirit of generosity. Even IMF head Christine Lagarde has said inequality threatens the stability of the world economic system. But what world leaders have not said is what they would do about it. How is equitable growth to be achieved?» (aqui), ou da citação de Richard Tawney, escrita há mais de um século e referenciada no mesmo livro “ aquilo que os ricos ponderados chamam de problemas da pobreza, os pobres ponderados chamam, com igual justiça, um problema de riqueza”.


Para quem se interesse pela Desigualdade, vale a pena ler o livro de Anthony Atkinson publicado Bertrand Editora em maio de 2016 “Desigualdade: O que fazer?” (aqui). Onde o autor tenta responder a questões como: O que pode ser feito se pretendemos seriamente reduzir a desigualdade de rendimentos? Como poderá a crescente perceção pública ser traduzida em políticas e ações que realmente diminuam a desigualdade? Mas como comenta o Professor Michael Marmot na revista Lancet “Atkinson does not simply wring his hands at growing inequalities of income and wealth. He has solutions.” (aqui) Atkinson apresenta-nos 15 propostas de ação para a redução das dimensões da desigualdade que discute na parte III do livro intitulada “ Será Exequível”: terminando com uma mensagem de otimismo “ A conquista de uma sociedade menos desigual no período da Segunda Guerra Mundial e nas décadas posteriores não foi completamente derrotada. A um nível global, a grande divergência entre os países associados à Revolução Industrial está a reduzir-se. É verdade que desde 1980 que vimos a assistir a uma «Viragem da Desigualdade» e que o século XXI traz desafios em termos de envelhecimento da população, alterações climatéricas e desequilíbrios globais. Contudo, as soluções para esses problemas estão nas nossas mãos. Se estivermos dispostos a usar a maior riqueza dos nossos dias para lidar com estes desafios, e se aceitarmos que os recursos devem ser partilhados de uma forma menos desigual, existem, realmente bases para otimismos.” 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

DESIGUALDADES - O QUE FAZER E PORQUÊ - UM FILME e UM LIVRO POR MICHAEL MARMOT

MICHAEL MARMOT

Ambos, sobre pobres e ricos, analistas do sector financeiro e empregos mal pagos “ flip burguers”, sobre o “sonho americano” ou a falta dele, “The American dream: a gated community with security guards, million dollar homes, a shining BMW golf cart, and only poor people rake their own leaves. “Everyone here drives a Mercedes or BMW”, says a resident, “or if it is an American car, it is the latest model. People don’t keep things long.” This is a scene from the land of opportunity, as portrayed in the film, The Divide (video). It is a land where every mother’s son can be President, even an African American—provided his father went to Harvard. Not all participate equally in the dream. Here, in the fi lm, is another African American: a single mother who works flipping burgers, no leaves to rake outside her home. She alternates between shouting at her children to keep quiet and shedding tears as she contemplates her life’s tragedies, large and small. She says: everyone is trying to escape in their own way; in her case it is beer, cigarettes, and ice cream.”
Marmot convoca-nos para uma visão atenta às desigualdades, ao aumento das desigualdades e a sua repercussão sobre a saúde, retratadas no filme “The Divided” inspirado no livro “The Spirit Level” retratado na visão de uma jovem analista financeira “he Divide features a young woman analyst who works in the financial sector who calls extreme wealth “fuck you” money—you have enough so that you feel you can disregard anybody. As she tells us, debt is what people need to manage their lives. For Wall Street, it is just a product to be bought and sold and make a profi t. When poor people got in trouble with their mortgages they were told it was their fault for taking on loans they could not afford. The banks who loaned them the money were bailed out by the state. Watching The Divide, it is hard to believe that the rich suffer from inequality to anything like the extent that the poor do.”
Finalmente Marmot responde às perguntas “Alguém se importa? Deve alguém importar-se?” com as 15 propostas de Atkinson’s “ His 15 proposals would not harm prosperity but would give us a fairer, less unequal society with better health and lower crime rates”. Vale a pena discutir!

Entretanto aguardemos que o Filme o Livro cheguem à língua portuguesa.