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sábado, 26 de janeiro de 2019

MAIS DE 3 MILHÕES DE NORTE AMERICANOS FICARAM SEM SEGURO DE SAÚDE EM 2018.


Depois de ter diminuido o número de pessoas sem seguro com a implementação do Obamacare, o número de pessoas sem qualquer cobertura não para de aumentar sob a administração Trump.
Ao longo do ano de 2018 cerca de 3 milhões de norteamericanos ficaram sem seguro de saúde.

De acordo com a investigação da Gallup, verificou-se um aumento de 1.3% (3.000.000) em 2018 das pessoas não seguradas nos Estados Unidos tendo a % de não segurados passado de 12.2% em 2017 para 13.7 em 2018, e um aumento de 2.8% desde 2016 (momento em que o Affordable Act - Obamacare aprovado em 2014 entrou em velocidade de cruzeiro)no número de pessoas que ficaram sem seguro de saúde, este aumento representa um aumento de 7 milhões de pessoas sem seguro de saúde.
%  DE NORTE - AMERICANOS SEM COBERTURA DE SAÚDE
Ainda de acordo com o trabalho da Gallup, o numero de não segurados subiu entre as mulheres, nos adultos com menos de 35 anos entre as pessoas de mais baixos rendimentos (< $48.000 anuais).

Para os autores do estudo, os resultados não são uma surpresa dada a política desenvolvida pela administração Trump contra o Affordable Act – Obamacare, aqui explicada no New York Times, tentanto enfraquecê-lo legalmente, diminuindo o financiamento para a sua divulgação, reduzindo o prazo para as incrições e permitindo que em alguns Estados que os prémios aumentem sem que os beneficiários consigam comparticipação por parte do Estado “ Trump's decision in October 2017 to end cost-sharing reduction could also potentially have affected the uninsured rate. The cost-sharing payments were made to insurers in the marketplace exchanges to offset some of their costs for offering lower-cost plans to lower-income Americans.”

domingo, 2 de dezembro de 2018

ESPERANÇA DE VIDA NOS ESTADOS UNIDOS CAIU PELO 3.º ANO CONSECUTIVO - SOBRETUDO ENTRE A POPULAÇÃO BRANCA


De acordo com os dados publicados no passado dia 29 de novembro pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) “Mortality in the United States, 2017” (aqui), a esperança de vida nos Estados Unidos (EUA) caiu pelo terceiro ano consecutivo, situando-se em 78.6 anos, a muita distãncia do Canadá 82.3 anos, da Costa Rica 79.8 anos ou de Cuba com 79.7 anos (aqui). Os dados agora publicados referentes a 2017 (78.6) mostram uma diminuição de 1 décima em realação a 2016 (78.7) e confirmam a queda na descida da mortalidade nos EUA, verificada de forma contínua desde 2015.

Esta diminuição da esperança de vida ao nascer deveu-se em grande parte ao aumento da mortalidade de 4.2% por causas externas “unintentional injuries”, de 3.7% para a mortalidade por suicídio, de 5.9% para a mortalidade por gripe e pneumonia, de 2.4% para mortalidade por Diabetes e de 2.3% para a mortalidade por doença de Alzheimer.
O aumento das taxas de mortalidade ajustadas por idade para a população branca (homens e mulheres) não hispânica verificado nos últimos 3 anos, confirmam os confirmam os resultados do estudo publicado em 2015, por Anne Case1 e Angus Deaton“ Rising morbidity and mortality in midlife among white non-Hispanic Americans in the 21st century” (aqui), que tinham mostrado que a taxa de mortalidade entre os brancos americanos dos 45 aos 54 anos, com baixa escolaridade, “White Working Class” tinha aumentado entre 1999 e 2014, uma situação sem paralelo nos países de economia avançada e apenas registada nos EUA a quando da epidemia de VIH/SIDA.
Os autores apontavam como principais causas para esta situação, a privação económica e o stress financeiro da classe trabalhadora branca, provocado pela estagnação salarial verificada desde a década de 70, conjuntamente com a dificuldade lidar com a insegurança e a falta de proteção social na reforma.

domingo, 5 de agosto de 2018

ADMINISTRAÇÃO TRUMP UMA AMEAÇA PARA A SAÚDE PÚBLICA MUNDIAL

A batalha da administração Trump na última Assembleia Mundial de Saúde, que decorreu em Genebra em maio passado, para que na resolução WHA71.9 “Infant and young child feeding” (aqui) não constassem as frases que incitavam os governos a proteger e a promover o aleitamento materno e a restringir a promoção de produtos alimentares com efeitos negativos para as crianças e jovens, favorecendo os interesses das grandes empresas de produtos alimentares norte-americanas dirigidas às crianças e em particular às que fabricam fórmulas para lactentes, é apenas um episódio de uma guerra mais vasta contra os interesses públicos e a saúde pública mundial.

Desde há alguns meses que a administração norte-americana tem vindo a tentar impor os interesses da indústria farmacêutica dos Estados Unidos, atacando em particular as posições europeias. Em Fevereiro o “Council of Economic Advisers” da Casa Branca (aqui) publicava um documento onde afirmava que o controlo dos preços de produtos farmacêuticos efetuado pela União Europeia “parasitava” os interesses dos contribuintes americanos que geralmente pagam muito mais pelos medicamentos do que os europeus. Em maio o presidente Trump declarava que a culpa dos preços elevados dos medicamentos nos EUA, se devia em parte, ao fato de países estrangeiros tirarem proveito da inovação americana (aqui).

Em julho o jornal independente indiano “The Wire” (aqui) dava nota da denúncia dos “Médicos Sem Fronteira” que acusavam a diplomacia norte-americana de bloquear as referências à importância de oferecer medicamentos contra a tuberculose a preços justos e acessíveis às populações dos países pobres na Declaração a ser aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas sobre Tuberculose que se realizará em 26 de setembro em Nova Iorque (aqui), invocando a necessidade de cumprir as regras da propriedade intelectual e impedindo qualquer menção ao acordo de Doha da Organização Mundial do Comércio conhecido como “ TRIPS Agreement and Public Health and the use of TRIPS flexibilities” um acordo sobre aspetos dos direitos de propriedade intelectual relacionados com o comércio que permite tornar medicamentos inovadores acessíveis nos países pobres.

Por outro lado, no meio de crescentes tensões comerciais entre os Estados Unidos e a maior parte do mundo rico, a administração Trump ameaçou retirar-se da Organização Mundial do Comércio (OMC)(aqui) e abandonar um conjunto de regras que permitem um conjunto especial de exceções nos acordos de propriedade intelectual da OMC que permitem aos governos emitir licenças compulsórias sobre patentes de empresas farmacêuticas (aqui)- no caso de uma emergência de saúde pública nacional.
É impossível calcular quantas vidas seriam perdidas em todo o mundo se os acordos exceção sobre medicamentos que encorajam a fabricação de medicamentos genéricos por países de renda baixa e média desaparecessem. No caso do VIH/SIDA, o fim da queda histórica que o preço dos medicamentos contra o VIH tem sofrido (aqui) provocaria milhares de vidas perdidas, uma vez que uma subida dos preços do seu valor atual de 75 dólares americanos por ano e por pessoa praticado nos países de renda baixa para o custo de um tratamento típico equivalente nos Estados Unidos de cerca de 3.600 dólares americanos por ano, resultaria na perda de milhões de vidas perdidas apenas por razões económicas.


A ameaça à saúde global e à saúde pública mundial, por parte da atual administração americana, é óbvia, o presidente Trump foi claro em junho durante a cimeira dos G-7 e em julho durante a reunião da NATO em Bruxelas, os Estados Unidos só permanecerão em organizações que sejam claramente vantajosas para si, abandonando uma visão multilateral que possibilitou progressos e vários triunfos na saúde global desde o início deste século, fomentando posições nacionalistas e egocêntricas e pondo em causa o funcionamento da Organização Mundial de Saúde, o Global Fund to Fight AIDS,Tuberculosis and Malaria, por problemas de financiamento resultantes das suas posições políticas. 


quarta-feira, 11 de julho de 2018

ADMINISTRAÇÃO TRUMP OPÕE-SE A RESOLUÇÃO DA OMS SOBRE ALEITAMENTO MATERNO. UM EXEMPLO DOS DETERMINANTES COMERCIAIS DA SAÚDE

No dia 8 de julho o jornal New York Times (NYT) (aqui) denunciava a posição tomada pela delegação norte americana durante a 71.ª Assembleia Mundial de Saúde, que decorreu em Genebra de 21 a 26 de maio, pelo facto de esta tentar manobrar para que da resolução WHA71.9 “Infant and young child feeding”(aqui) não constasse a frase que incitava os governos “ to protect, promote and support breast-feeding” e outra passagem que chamava as administrações de saúde a restringirem a promoção de produtos alimentares com efeitos negativos para as crianças e jovens.

De acordo com a investigação do New York Times, a delegação norte americana defendeu os interesses das grandes empresas de produtos alimentares norte-americanas dirigidas às crianças, em particular às que fabricam fórmulas para lactentes, recorrendo a ameaças sobre diversas delegações que participavam na discussão sobre o texto final da resolução, dando como exemplo a pressão realizada sobre a delegação do Equador, ameaçada de retaliações comerciais e da retirada da ajuda militar “The showdown over the issue was recounted by more than a dozen participants from several countries, many of whom requested anonymity because they feared retaliation from the United States.”

Patti Rundall diretora da organização governamental Baby Milk Action citada pelo NYT que participou nas reuniões mostrou-se “astonished, appalled and also saddened,” acrescentando que a delegação norte-americana chantageou outras delegações e rompeu com 40 anos de consenso sobre a melhor maneira de proteger saúde das crianças e dos jovens no campo da nutrição.A declaração acabou por ser aprovada depois da delegação russa ter avançado com a versão final que viria a ser aprovada.

Esta disputa em torno da aprovação da resolução WHA71.9 “Infant and young child feeding”, e a posição da administração Trump a favor dos interesses das empresas que produzem e comercializam substitutos do Leite Materno, é um bom exemplo daquilo que Kickbusch, Allen & Franz definiram como Determinantes Comerciais da Saúde (aqui), “estratégias e abordagens utilizadas pelo setor privado para promover produtos e escolhas que são prejudiciais à saúde”. Este conceito único abarca um nível micro “include consumer and health behaviour, individualisation, and choice” e um nível macro “the global risk society, the global consumer society, and the political economy of globalisation.”


Os acontecimentos agora denunciados, demonstram um exemplo claro de oposição entre os interesses privados e a saúde pública, confirmando o comportamento das empresas que produzem e comercializam substitutos do Leite Materno, denunciado por uma investigação conjunta do Guardian e da organização “Save the Children”(aqui) que no início de 2018 tinha descoberto o comportamento agressivo destas empresas em países de renda baixa, com o objetivo de contornar a recomendações internacionais, expressas na Declaração de Innocenti e no Código Internacional de Marketing de Substitutos do Leite Materno, com o objetivo de pressionar mães e profissionais de saúde a escolher fórmulas comerciais durante o período da amamentação. As medidas foram particularmente intensas nas regiões mais pobres do mundo, onde a maior parte do crescimento do negócio de leite infantil está agora concentrado.

sábado, 24 de março de 2018

"DEATHS OF DESPAIR" - VIRGÍNIA - AUMENTA A MORTALIDADE ENTRE A CLASSE MÉDIA BRANCA AMERICANA

No dia 21 de Março, o Center on Society and Health at Virginia Commonwealth University e a Graduate School of Public Health at the Universityof Pittsburgh, apresentaram o estudo “WHY ARE DEATH RATES RISING IN VIRGINIA’S WHITE POPULATION? The Role of Stress-Related Conditions” (aqui) realizado com o objetivo de conhecer as causas para o crescimento da mortalidade entre a população branca da Virgínia.

Apesar da população branca apresentar uma mortalidade inferior a outros grupos nos Estados Unidos (negros, nativos americanos e alguns grupos asiáticos) vários estudos publicados nos últimos anos têm demonstrado que a mortalidade têm vindo a crescer entre a população branca de meia-idade. (aqui)(aqui)(aqui)

No estudo agora publicado os autores encontraram um crescimento da taxa de mortalidade entre a população branca dos 25 e os 54 anos. Sendo mais de metade (55%) das mortes devidas a overdoses por drogas, a suicídios e a doenças hepáticas relacionadas com o álcool.
Os autores criaram um indicador composto, a que chamaram “condições relacionadas com o stress” relacionado quatro causas de mortes: overdoses por drogas, intoxicações alcoólicas, suicídios e doenças do fígado relacionadas com álcool.

Na Virgínia este indicador aumentou 83% na população branca dos 25 e os 54 anos entre 1995 e 2014, um excesso de 2.300 mortes, 2/3 das quais causadas por overdoses de drogas. Este valor cresceu sobretudo entre os jovens adultos (25-34 anos), com um aumento de 419% para as overdoses por drogas (1995 a 2014) e de 39% para a taxa de suicídio a partir de 2000.

O crescimento do indicador “condições relacionadas com o stress” entre os brancos com idades compreendidas entre os 25-54 anos ocorreu nas áreas rurais e nos territórios de baixa densidade, nos lugares com menor diversidade, nas comunidades que tinham menos anos de escolaridade, menor rendimento familiar, maiores desigualdades de rendimento, maior pobreza infantil, menor cobertura de saúde e escassez de profissionais de saúde. Três fatores regionais apresentaram um elevado coeficiente de correlação: ruralidade, % de adultos sem licenciatura e escassez de profissionais de saúde mental. Nas localidades com aumentos significativos do indicador “condições relacionadas com o stress”, este incremento estava correlacionado com o crescimento do desemprego.

Os autores concluem que o aumento do indicador “condições relacionadas com o stress” na população branca da Virgínia pode ser uma resposta direta ao stress económico. Apesar de considerarem a complexidade do fenómeno, os investigadores concluem que as gerações mais novas têm sérias dificuldades em enfrentar as dificuldades atuais resultantes da instabilidade económica e social.

“One theory is that this age group is experiencing life conditions that differ starkly from past expectations and may lack the resilience to endure the cumulative stress that comes with prolonged social and economic hardships. During the two decades this report studied (1995–2014), young and middle-class whites—the age group examined here—experienced economic and social instability unlike that of their parents and grandparents. In the post-World War II generation, loyal workers could often count on a job for life, with health insurance, a pension, and other benefits—and earnings were generally stable enough to finance a home, put children through college, and plan for retirement. Middleclass white households were largely protected from the social disadvantage and economic insecurity that are common today, and that people of color have experienced for generations.

Frustration and hopelessness over these conditions would be expected to increase anxiety and depression. Over time, chronic stress, despair, and the pain they produce can induce harmful coping behaviors. Some people turn to food, resulting in over-eating and the consumption of calorie-dense fast foods. Some people cope with stress by smoking, which increases the risk of tobacco-related diseases (e.g., emphysema). Some people are overcome by anxiety or depression; feelings of hopelessness can lead desperate individuals to commit suicide. Some people self-medicate with alcohol or drugs to relieve their psychic pain. And some people act out in violence, causing injury to others. It is a mistake to focus on (or blame) the behaviors that individuals adopt to cope with these stresses and ignore the policies and living conditions in communities that fuel these behaviors.”


domingo, 24 de dezembro de 2017

ESPERANÇA DE VIDA NOS ESTADOS UNIDOS CAI PELO 2.º ANO CONSECUTIVO - O ABUSO DAS DROGAS CONTRA A DOR

De acordo com os dados publicados na passada quinta-feira, 21 de dezembro pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) “Mortality in the United States, 2016” (aqui), a esperança de vida nos EUA diminuiu pelo segundo ano consecutivo em mais de 20 anos. Os dados agora publicados referentes a 2016 mostram uma diminuição de 1 décima na esperança de vida entre 2016 e 2015, isto é, uma diminuição da esperança de vida à nascença de 78.7 em 2015 para 78.6 em 2016.
Este decréscimo resulta do aumento da mortalidade por causas externas “unintentional injuries” de 9.7%, da mortalidade por doença de Alzheimer de 3.1% e da mortalidade por suicídio de 1.5%.

Os dados agora apresentados revelam um crescimento da mortalidade por abuso de drogas de 21% entre 2016 e 2015 (63.600 mortes em 2016 contra 52.000 em 2015), envolvendo sobretudo drogas sintéticas como o fentanilo e o tramadol, de 2015 para 2016, as mortes por overdose aumentaram nos grupos etários dos 45–54, dos 55–64, e dos 65 e mais respetivamente em 15%, 17%, e 7% respetivamente.(aqui)

The pattern of drugs involved in drug overdose deaths has changed in recent years. The rate of drug overdose deaths involving synthetic opioids other than methadone (drugs such as fentanyl, fentanyl analogs, and tramadol) doubled in a single year from 3.1 per 100,000 in 2015 to 6.2 in 2016. Rates of drug overdose deaths involving heroin increased from 4.1 in 2015 to 4.9 in 2016. Rates of drug overdose deaths involving natural and semisynthetic opioids increased from 3.9 in 2015 to 4.4 in 2016.
Apesar da prudência com que estes resultados têm se ser encarados por se referirem aos anos de 2015 e 2016, os dados preliminares referentes a 2017 preveem um agravamento das mortes por overdose por opióides sintéticos como o fentanilo, seus similares e tramadol (aqui), confirmam os resultados do estudo publicado em 2015, por Anne Case1 e Angus Deaton “ Rising morbidity and mortality in midlife among white non-Hispanic Americans in the 21st century” (aqui), que mostrava que a taxa de mortalidade dos brancos de meia-idade tinha aumentado desde 1998 nos problemas de saúde relacionados com o consumo de drogas e álcool, com o suicídio, com a doença hepática crónica e a cirrose, especialmente entre os brancos com um baixo grau de escolaridade (ensino médio ou inferior).

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

BIG SUGAR AMERICANA OCULTA DADOS SOBRE OS EFEITOS NEGATIVOS DO CONSUMO DE AÇÚCAR

Novas evidências publicadas na Plos Biology em 21 de Novembro mostram que a indústria do açúcar (Big Sugar) ocultou os resultados de uma investigação científica realizada nos anos 60 do século passado em animais (ratos) que ligava o consumo do açúcar (sacarose) às doenças cardíacas e ao cancro. (aqui)

Imagem relacionada
Sugar consumption at a crossroads
De acordo com os dados agora revelados a Sugar Research Foundation (SRF) suspendeu um projeto por ela financiado nos anos 60 e ocultou os resultados resultantes de uma investigação financiada secretamente em 1965 para a publicação de uma revisão no New England Journal of Medicine que estudava a ligação entre o consumo de sacarose e os níveis de gorduras no sangue e, portanto, a sua ligação à doença coronária, problema de grande magnitude nos anos 60.
Resultado de imagem para world consumer sugar

Os investigadores com base na documentação interna da indústria açucareira, concluíram que o estudo “Project 259: Dietary Carbohydrate and Blood Lipids in Germ-Free Rats,” liderado pelo Dr. W.F.R. Pover da Universidade de Birmingham, Reino Unido, entre 1967 e 1971 tinha encontrado uma diferença estatisticamente significativa nos valores dos triglicerídeos (gorduras) no sangue entre os ratos alimentados com uma dieta equilibrada e livre de açúcar e os outros ratos alimentados com uma dieta rica em açúcar, mostrando que os ratos expostos uma dieta com alto teor de açúcar estavam em maior risco de sofrer de doenças cérebro-cardiovasculares por terem níveis de gordura (triglicerídeos) mais elevados no sangue.

Num segundo momento os investigadores compararam duas populações de ratos, submetidos a dietas diferentes, uma rica em amido e outra com alto teor de açúcar, concluindo que os ratos que consumiam açúcar eram mais propensos a terem níveis elevados de uma enzima associada ao cancro da bexiga em pessoas adultas. Apesar dos resultados a investigação nunca foi publicada e a Sugar Resarch Foundation cortou o orçamento e desinteressou-se do projeto.

O artigo agora publicado8 assume particular relevância pelo facto da indústria açucareira (Big Sugar) sempre ter negado a relação entre o consumo do açúcar e o cancro, classificando de "sensacionalistas" os estudos como o da Universidade do Texas que ligava o consumo de açúcar ao desenvolvimento do cancro da mama. (aqui)

O artigo assume particular importância, uma vez que se aproxima a data limite (2021) estabelecida pela US Food & Drug Administration para incluir em todos os rótulos nutricionais o valor diário de açúcar adicionados "“Added sugars,” in grams and as percent Daily Value, will be included on the label", ao mesmo que retira do rótulo a menção às calorias provenientes da gordura, substituindo-a pelas referências à “gordura total”, à “gordura saturada” e à “gordura trans”. (aqui)
Nutrition Facts Label - What

domingo, 29 de outubro de 2017

QUANDO OS INTERESSES DA INDÚSTRIA QUÍMICA PREVALECEM SOBRE A SAÚDE E A SEGURANÇA DAS PESSOAS


Ao longo dos últimos meses a imprensa americana tem dado relevo aos protestos das comunidades médica e científica americanas (aqui) (aqui)contra a decisão da administração Trump em autorizar a utilização do pesticida (aqui) “chlorpyrifos- CPS” quer nas culturas agrícolas (soja, couves de bruxelas, frutos vermelhos, brócolos, couve-flor, nogueiras e árvores de fruto), quer nas atividades não agrícolas (campos de golfe, relvados, e tratamentos de madeira utilizada em casas de jardim e postes de vedação), contrariando a posição da Agência de Protecção Ambiental dos EUA ( United States Environmental Protection Agency) tomada em 2015 durante a administração Obama de banir o uso deste organofosforado nas atividades agrícolas exteriores.

O pesticida “chlorpyrifos- CPS” desenvolvido pela Dow Chemical Company e colocado no mercado desde 1965, pertence à classe dos pesticidas, compostos químicos desenvolvidos no princípio do século XX pela IG Farben (aqui), um conglomerado de empresas químicas alemãs, e utilizados pela Alemanha Nazi como armas químicas para exterminar os prisioneiros do campo de concentração.
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Imagem de  Bradley Peterson, via New York Times
As partes coloridas da imagem as áreas do cérebro de uma criança ffisicamente alterado após a exposição a este pesticida.
Utilizado desde os anos 50 no interior das habitações como componente de insecticidas, o pesticida “chlorpyrifos- CPS” foi banido desta utilização no ano 2000, uma vez que estudos em humanos e animais demonstraram que a sua sua utilização provocava danos no cérebro e sistema nervoso, estando associado ao cancro do pulmão (aqui)(aqui).

Esta decisão da administração vista com preocupação pelos profissionais de saúde e pelos cientistas (aqui)(aqui), é um sinal do alinhamento do Presidente Trump com os intereses do lobby da indústria química, o American Chemistry Council, uma espécie de versão atual do Big Tobacco, acusada de manipular os cidadãos através da criação de uma organização denominada Citizens for Fire Safety, que tinha como objetivo pressionar a utilização de produtos químicos nos sofás para retardar incêndios domésticos. Tudo para salvar vidas, é claro.



A escolha política da administração Trump foi clara, no futuro “ Americans will be caring for victims of the chemical industry’s takeover of safety regulation”.

domingo, 15 de outubro de 2017

ACESSO A CLÍNICAS DE ABORTO NOS EUA, DESIGUALDADES GEOGRÁFICAS - O MUNDO RURAL PERDE

De acordo com o American College of Obstetricians and Gynecologists (aqui), o aborto seguro e legal é um componente necessário dos cuidados de saúde prestados às mulheres, um direito e uma questão de saúde pública na opinião da American Public Health Association, (aqui)denunciando ambas as organizações as restrições legislativas impostas, tanto a nível federal como a nível estadual, as restrições financeiras públicas e privadas ao funcionamento das clínicas de aborto nos Estados Unidos (EUA) e a violência exercida sobre os profissionais de saúde pelos grupos contrários ao aborto.

Para além destas barreiras ao acesso, questões como o estigma sobre as mulheres que recorrem ao aborto (42% das gravidezes não planeadas nos EUA - 2,8 milhões em 2011 - terminam em aborto), a pobreza e as dificuldades económicas são desde há muito conhecidas como causas de desigualdades no acesso ao aborto seguro e legal elevando o risco de pobreza e violando os direitos de cidadania.

Neste contexto um grupo de investigadores do Instituto Guttmacher procurou estudar a desigualdade espacial no acesso às clínicas de aborto nos Estados Unidos, uma vez que estudos anteriores realizados no Canadá, na Nova Zelândia e na Austrália tinham concluído que a maioria das mulheres que recorriam ao aborto tinham recursos financeiros limitados, apresentando dificuldades acrescidas quando viviam em áreas rurais, uma vez que tinham dificuldades em suportar as despesas com as viagens, a perda de dias de trabalho e as estadias.
Deaigualdade geográfica nos EUA - distância a uma Clínica de Aborto

O estudo agora publicado na revista Lancet de 03 de Outubro, “Disparities and changeover time in distance women would need to travel to have an abortion in the USA: a spatial analysis” confirmou os estudos anteriores e encontrou dísparidades espaciais persistentes no acesso das mulheres ao aborto nos EUA, que no entender dos autores podem ser aplicáveis em outros países de renda alta.

De acordo com o estudo em 2014, as mulheres nos EUA tiveram que viajar uma distância média de 17 a 36 km para chegar à clínica de aborto mais próxima, embora 20% das mulheres tivessem que viajar 46 a 68 km ou mais. Distância que pode alcançar os 280 km ou mais nos estados do centro dos Estados Unidos, em particular nos estados de Montana, Wyoming, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Nebrasca, Kansas e Texas, em áreas com grandes distâncias de viagem em alguns estados que fazem fronteira com o Canadá (Minnesota e Michigan), no Alasca e em bolsas na Califórnia, Nevada, Utah, Idaho e Missouri, afetando as zonas menos povoadas e as populações rurais em particular.


O estudo confirma assim que as disparidades espaciais devem ser consideradas como uma barreira ao acesso ao aborto seguro e legal nos EUA, a par das restrições legislativas impostas em alguns estados, do estigma, e das restrições financeiras podem impedir uma mulher de ter um aborto seguro e legal, independentemente da distância. 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O ACORDO DE COMÉRCIO LIVRE ( NAFTA) É MAU PARA A SAÚDE PÚBLICA? O CASO DO CANADÁ E AS BEBIDAS AÇÚCARADAS

Na edição de 04 de Junho do Canadian Medical Association Journal (CMAJ), investigadores da Universidade de Oxford (Reino Unido), da London School of Hygiene & Tropical Medicine (Reino Unido), da Universidade de Stanford (Califórnia-EUA), e da Universidade de Bocconi, (Milão-Itália), publicaram um artigo onde abordam o impacto do acordo de comercio internacional, denominado North American Free Trade Agreement (NAFTA) - estabelecido entre os Estados Unidos da América, o México e o Canadá – no consumo de xarope de milho com alto teor em frutose, usado em produtos alimentares e refrigerantes, no Canadá.(aqui)

No estudo agora publicado, “Impact of the North American Free Trade Agreement on high-fructose corn syrup supply in Canada: a natural experiment using synthetic control methods”, os autores investigaram o efeito das alterações tarifárias introduzidas com a entrada em vigor do NAFTA, separando as tarifas dos produtos contendo xarope de milho com alto teor de frutose (HFCS) dos produtos contendo açúcares de cana sacarina e beterraba e a aplicação de uma tarifa reduzida ao xarope de milho (HFCS).
Canadian Medical Association Journal
De acordo com os resultados obtidos verificou-se um aumento do consumo diário de 41.6 Kcal per capita provenientes de edulcorantes, uma associação positiva deste consumo de HFCS com o crescimento da taxa de obesidade, passando de 5.6% para 14.8% e um aumento na prevalência de diabetes de 3,3% para 5,6%, de 1998/99 a 2008/09.

Perante estes factos, os autores avançaram com três explicações, em primeiro lugar, um mecanismo específico através do qual os acordos de comércio livre podem afetar a dieta da população: as tarifas de importação, demonstrando que uma pequena mudança pode determinar a dieta das pessoas, incluindo o consumo de HFCS, causando o aumento da obesidade e da diabetes, em segundo lugar, os investigadores salientaram a robustez dos métodos utilizados e as associações encontradas e em terceiro lugar a verificação de uma mudança no padrão de consumo de açúcares, com uma diminuição do consumo dos açúcares de beterraba e cana sacarina, um aumento do consumo de xarope de milho rico em frutose, e, uma interrupção da tendência de diminuição para o consumo total de açúcares. Confirmando as principais preocupações de muitos profissionais de saúde pública que mostraram sérias reservas sobre o efeito dos acordos de comércio livre para a saúde das populações, alertando para o seu potencial efeito negativo, uma vez que se centram na eliminação das barreiras ao comércio, tais como tarifas (sobre importações e exportações) ou cotas de importação para os países membros, provocando, como agora se verificou, o aumento do consumo de produtos prejudiciais para a saúde.
Lancet

As conclusões do estudo sublinham a crescente preocupação demonstrada na comunidade internacional com os efeitos dos acordos de comércio internacional, como o TTP, o TTIP, o CETA, (aqui)(aqui)sobre a saúde pública e chamam à atenção dos mais diversos atores sociais, sobre a ação dos “ determinantes comerciais da saúde” aqui definidos como “strategies and approaches used by the private sector to promote products and choices that are detrimental to health”. (aqui)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A MORTALIDADE PREMATURA AUMENTOU NOS ÚLTIMOS 15 ANOS ENTRE OS NORTE-AMERICANOS BRANCOS

De acordo com o estudo publicado na revista Lancet de 23 de janeiro de 2017, “ Trends in premature mortality in the USA by sex, race, and ethnicity from 1999 to 2014:an analysis of death certificate data” as taxas de mortalidade prematura diminuíram nos Estados Unidos entre a população hispânica, negra, e asiática das ilhas do Pacífico, em linha com as tendências verificadas em países como o Canadá e o Reino Unido, mas aumentou entre a população branca e a população índia americana (quer sejam nativos índios, quer sejam nativos do Alaska).


A investigação mostra que a diminuição das taxas de mortalidade prematura (dos 25 e os 64 anos) entre os norte-americanos hispânicos, negros e asiáticos do Pacifico se deveu à redução de mortes por cancro, doenças cardíacas e HIV/SIDA, refletindo a redução do consumo do tabaco e os progressos para melhorar o diagnóstico e o tratamento. Apesar destas melhorias, as taxas de mortalidade prematura globais continuam a ser mais elevadas para os negros (homens e mulheres) do que para os brancos. Em oposição as taxas de mortalidade prematura para a população branca e nativa (índia ou do Alaska) aumentaram cerca de 2 a 5% por ano, à custa das mortes por overdose, suicídio e doença do fígado, atingindo um valor comparável ao verificado no auge da epidemia de HIV/SIDA nos Estados Unidos.

De acordo com os investigadores o objetivo de reduzir a mortalidade prematura em 40% antes de 2030 é improvável que seja alcançado nos Estados Unidos (aqui),“ if present trajectories continue. Aggressive efforts are urgently needed to reduce premature deaths by targeting emerging, but potentially preventable, causes of death—primarily drug poisonings, suicide, and chronic liver disease and cirrhosis—in addition to continued efforts against cancer and heart disease, and through expanded access to quality medical care for prevention and treatment of chronic disease, mental illness, and substance use disorders.”

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

MILHARES DE AMERICANOS PODEM MORRER TODO OS ANOS SE O OBAMACARE FOR REVOGADO

Com a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, o campo republicano ficará ainda com mais força para revogar a Lei dos Cuidados Acessíveis (Affordable Care Act) deixando milhares de americanos sem qualquer cobertura de saúde.
De acordo com um estudo do Urban Institute, a revogação parcial da Lei dos Cuidados Acessíveis (Affordable Care Act), implicando entre outras coisas, a eliminação da expansão do Medicaid, faria com que o número de pessoas sem cobertura de saúde aumentasse de 29.8 milhões para 58.7 milhões em 2019, um aumento de 103%.(aqui)
Dos 29.8 milhões de recém-segurados, 22.5 milhões ficariam sem seguro, como resultado da eliminação dos prémios de crédito fiscal e 7.3 milhões ficariam sem seguro por colapso do mercado de seguros “nongroup”.
82% das pessoas que ficariam sem cobertura seriam famílias de trabalhadores, 38% estariam entre os 18 e os 34 anos e 56% seriam brancos não-hispânicos.

Perante estes resultados, e na ausência de um plano de substituição do Obamacare (aqui) cresce a preocupação de analistas e estudiosos que têm vindo a alertar para a possibilidade de estes resultados virem a causar dezenas de milhares de mortes anualmente (aqui), tendo em conta os resultados do estudo “Mortality and Acess to care among Adults after State Medicaid Expansions”, publicado no The New England Journal of Medicine em 2012 (aqui), onde se constatava que por cada 455 pessoas que obtinham cobertura de saúde, se ganhava 1 ano de vida e o estudo “Health Insurance and Mortality in US Adults”, publicado no American Journal of Public Health em 2009 (aqui), onde se concluía que a falta de cobertura de saúde estava associada a 44.789 mortes por ano, tornando a afirmação proferida pelo Senador Bernie Sanders “ 36.000 people will die yearly” se o Obamacare for revogado, credível.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

ESPERANÇA DE VIDA NOS ESTADOS UNIDOS DIMINUI PELA PRIMEIRA VEZ DESDE 1993

De acordo com os dados hoje publicados pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) “Mortality in the United States, 2015” (aqui), a esperança de vida nos EUA diminuiu pela primeira vez em mais de 20 anos. Os dados agora publicados mostram uma diminuição de 36.5 dias na esperança de vida entre 2015 e 2014, isto é, uma diminuição da esperança de vida à nascença de 78.9 em 2014 para 78.8 em 2015.
Mortality in the United States, 2015 CDC

A principal razão para este decréscimo é que oito das 10 principais causas de morte (as mesmas que em 2014) se agravaram em 2015. Apenas a mortalidade por cancro diminuiu mantendo-se inalterada mortalidade por gripe e pneumonia.

“From 2014 to 2015, age-adjusted death rates increased for 8 of 10 leading causes of death and decreased for 1. The rate increased 0.9% for heart disease, 2.7% for chronic lower respiratory diseases, 6.7% for unintentional injuries, 3.0% for stroke, 15.7% for Alzheimer’s disease, 1.9% for diabetes, 1.5% for kidney disease, and 2.3% for suicide. The rate decreased by 1.7% for cancer. The rate for influenza and pneumonia did not change significantly.”
Mortality in the United States, 2015 CDC
Apesar da prudência com que estes números têm se ser encarados por se referirem apenas a 1 ano, confirmam os resultados do estudo publicado em 2015, por Anne Case1 e Angus Deaton “ Rising morbidity and mortality in midlife among white non-Hispanic Americans in the 21st century” (aqui), uma vez que o relatório agora apresentado também mostra o crescimento da mortalidade entre os americanos brancos (homens e mulheres) a par com a dos homens negros.
Mortality in the United States, 2015 CDC
Em 2015 Anne Case1 e Angus Deaton, tinham mostrado que a taxa de mortalidade entre os brancos americanos dos 45 aos 54 anos, com baixa escolaridade, “White Working Class” tinha aumentado entre 1999 e 2014, uma situação sem paralelo nos países de economia avançada e apenas registada nos EUA a quando da epidemia de VIH/SIDA.
Rising morbidity and mortality in midlife among white non-Hispanic Americans in the 21st century
Os dados apresentados e discutidos no referido artigo, mostravam que a taxa de mortalidade dos brancos de meia-idade tinha aumentado desde 1998 nos problemas de saúde relacionados com o consumo de drogas e álcool, com o suicídio, com a doença hepática crónica e a cirrose, especialmente entre os brancos com um baixo grau de escolaridade (ensino médio ou inferior) onde as mortes causadas por “drug and alcohol poisoning” tinham aumentado quatro vezes, as causadas por suicídio 81% e as causadas por “liver disease and cirrhosis” 50%. A mortalidade por todas as causas tinham aumentado 22% para este grupo.

Os autores apontavam como principais causas para esta situação, a privação económica e o stress financeiro da “ white working class” , provocado pela estagnação salarial verificada desde a década de 70, conjuntamente com a dificuldade lidar com a insegurança e a falta de proteção social na reforma “ the changing nature of the financial risk Americans face when saving for retirement as well as therecent financial crisis, economic insecurity may weigh heavily on U.S. workers,and take a toll on their health and health-related behaviors”. O aumento mortalidade coincide com uma depreciação do estado de saúde, quando auto relatado, na saúde em geral, na saúde mental e na capacidade de lidar com os problemas da vida e ao aumento do consumo de medicamentos para a dor “For middle-aged Americans, increasing mortality ran alongside increasing reports of pain. One in three white middle-aged Americans reported chronic joint pain, taking the years 2011, 2012 and 2013 together, and one in seven reported sciatica. All types of pain increased significantly from 1997 to 2013. “The strongest morbidity effects are seen among those with the least education,”


Os dados agora apresentados pelo CDC mostram que o aumento da mortalidade em 2015 se deveu “ largely because of increases in mortality from heart disease, chronic lower respiratory diseases, unintentional injuries, stroke, Alzheimer’s disease, diabetes, kidney disease, and suicide” e apontam para o estudo da causa das causas e para o estudo dos determinantes sociais da saúde.



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

SAÚDE - CLINTON VERSUS TRUMP - A AMÉRICA DECIDE

Na próxima 3.ª feira, dia 8 de Novembro, os norte-americanos vão escolher o seu 45.º Presidente. No que respeita à Saúde, os americanos irão decidir se a política progressista do Presidente Obama, que levou a que mais de 20 milhões de americanos passassem a usufruir de seguro de saúde através do, Affordable Care Act – Obama Care (aqui), a uma aposta na investigação biomédica (aqui) e à contenção nas emissões de carbono (aqui) irá ou não continuar.

Na 3.ª feira estarão em confronto duas visões diferentes para o futuro da saúde da América, defendidas poe cada um dos dois candidatos Donald Trump e Hillary Clinton, e saberemos então se o legado de Obama será continuado e aprofundado, enfrentando as enormes desigualdades em saúde com que o país se debate e com os 30 milhões de americanos sem cobertura de saúde.

No caso do Affordable Care Act, enquanto Clinton a manteria, Trump iria revoga-la, o que faria com que, de acordo com o estudo Commonwealth Fund and the RAND Corporation (aqui), 20 milhões de pessoas perdessem o seu seguro de saúde em 2018, levando ainda a um aumento das despesas individuais com os prémios de seguro e as despesas “out-of-pocket” “increase average premium and out-of-pocket costs for people who buy insurance on their own”. No caso de Clinton, as propostas que aponta iriam aumentar o número de pessoas cobertas e reduzir as despesas em saúde para os americanos com rendimentos mais baixos.



Mas não é só nas questões da cobertura universal que os candidatos divergem, como no caso do aborto, das alterações climáticas ou da saúde internacional.

No caso do Aborto como no caso do Acordo sobre o Clima - COP21 – Paris, enquanto Clinton propõe comprometer a administração americana na defesa do Acordo, incluindo a redução das emissões de gases com efeito de estufa dos Estados Unidos em 30% até em 2025 e proteger o aborto legal e seguro e o acesso à contraceção de forma acessível, Trump, propõe reverter a decisão do Supremo Tribunal dos EUA de 1973 que reconhece às mulheres o direito à interrupção voluntária da gravidez (caso Roe contra Wade), nomeando juízes desfavoráveis a IVG (apesar das várias posições contraditórias que tem tomado ao longo dos anos) e abandonar o Acordo de Paris.

Na 3.ª feira a América decide, os americanos escolherão qual será o seu caminho para uma sociedade mais justa e equitativa.

Ainda
Clinton and Trump on healthcare - BMJ Blog (aqui)
e alternativas
Single-payer - Medicare for All (aqui)