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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

MOÇAMBIQUE - A SAÚDE NUMA ENCRUZILHADA

“Porque a verdade é uma: antes vale andar descalço do que tropeçar com os sapatos dos outros.”

Moçambique encontra-se em 177.º lugar entre os 188 países avaliados no estudo “Measuring the health-related Sustainable Development Goals in 188 countries: a baseline analysis from the Global Burden of Disease Study 2015”, publicado na revista Lancet, onde os autores analisam 33 indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, estabelecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Setembro de 2015 relacionados com o “Global Burden of Disease(GBD)”, 41 Anos passados sobre a independência. (aqui)
miacoutooficialfacebook
Tendo enfrentado durante estas quatro décadas, 16 anos de guerra civil (entre o Governo/Frelimo e Renamo), uma crise militar entre 2012 e 2014 com os mesmos protagonistas e a ameaça de nova instabilidade que paira desde 2015 quando a Renamo se recusou a aceitar os resultados das últimas eleições, propondo-se governar nas seis províncias em que reclamava vitória eleitoral, Moçambique está à beira de nova intervenção do Fundo Monetário Internacional (aqui).

O documentário que divulgamos “A Luta Continua” produzido pela Medicus Mundi Catalunya mostra as dificuldades, as realizações e os desafios para a construção de um sistema nacional de saúde que possa melhorar a situação de saúde precária em que se encontram os moçambicanos.


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

MIA COUTO " MORREU DE QUEM OU DE QUÊ ?" - DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE

No passado dia 16 de Novembro o escritor moçambicano Mia Couto, foi o convidado do Seminário Internacional " Determinantes Sociais da saúde, intersetorialidade e equidade social na América Latina" para proferir a Conferência de Abertura.


A sua conferência de abertura é aqui relatada pela jornalista Tatiane Vargas jornalista da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (aqui).

Mia Couto
" Morreu de quem ou de que?

Mia Couto continuou brindando a plateia com a beleza de suas narrativas. Prosseguiu com mais uma história, afinal, como ele mesmo afirmou, “somos feitos de histórias assim como somos feitos de células”. O escritor falou sobre uma província no norte de Moçambique, chamada Niassa, onde também trabalhou por um tempo. Ele explicou que o povo local se reúne para uma cerimônia religiosa, organizada pelos sacerdotes – que também são líderes políticos –, e passam fome durante todo o ano para homenagear os macacos babuínos. Isso acontece porque eles acreditam que há muito tempo seus antepassados todos morreram afogados em uma lagoa e voltaram materializados nesses animais. “Para eles é um momento de retribuição, pois esses animais protegem um lugar sagrado. Então, é preciso mostrar essa gratidão”, contou.


Após contar a história dos costumes de Niassa, Mia explicou que nas regiões por onde anda, as pessoas fazem um questionamento que aqui no Brasil pode parecer estranho quando alguém morre. A pergunta é: “morreu de quem?” Ao invés de “morreu de que?”. “Morrer de alguém é uma coisa que faz muito sentido em um universo em que a fronteira da vida – o entendimento daquilo que é vida, que é morte, que é doença –, é algo completamente distinto. Nesse universo está ausente a dualidade que separa o somático, o psicológico, o corpo, a alma, o espírito e a matéria, tudo isso é ausente e não existe uma palavra para expressar a natureza. Por isso, quando se procuram as causas naturais de uma doença, surge algo estranho, pois não há sequer uma palavra para dizer isso”, definiu o escritor.