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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

OS GANHOS EM ESPERANÇA DE VIDA ESTÃO A ESTAGNAR. HEALTH AT A GLANCE 2019, OCDE


O relatório anual “Health a Glance 2019” publicado pela OCDE no passado dia 07 de novembro destaca como principal preocupação a desaceleração no aumento da esperança média de vida nos últimos anos, em particular entre os países mais desenvolvidos, confirmando os resultados apresentados em 2017 pelo Professor Michael Marmot, para o Reino Unido. No estudo de Marmot (aqui) referente ao período de 2012-2015 os resultados mostravam uma estagnação na longevidade ao contrário do que tinha vindo a suceder desde o final da II Guerra Mundial com um crescimento contínuo da esperança de vida.
Esperança média de vida 1970 e 2017 (ou ano mais próximo)
De acordo com os dados agora publicado 27 países da OCDE experimentaram uma estagnação nos ganhos em longevidade nos anos de 2012-17, quando comparados com a década de 2002-07, sendo essa desaceleração mais acentuada nos Estados Unidos, na França, na Holanda, na Alemanha e no Reino Unido, afetando mais as mulheres do que os homens em quase todos os países da OCDE.

O relatório foca com particular atenção o ano de 2015, uma vez que a esperança média de vida caiu nesse ano pela primeira vez desde 1970. Nesse ano dezanove países registaram uma redução na longevidade, atribuída a um surto de gripe particularmente grave que matou muitos idosos frágeis e outros grupos vulneráveis. A maioria desses países eram europeus, com exceção dos Estados Unidos e Israel. As maiores diminuições verificaram-se na Itália (7,2 meses) e na Alemanha (6 meses).
Desaceleração nos ganhos de esperança média de vida, 2012-17 e 2002-07
As causas para esta desaceleração nos ganhos de esperança de vida são multifacetadas (aqui), mas todas elas envolvem os determinantes sociais da saúde e as desigualdades em saúde, já anteriormente verificadas no trabalho de Anne Case e Angus Deaton nos Estados Unidos da América (aqui), sejam a obesidade e a diabetes, seja a crise dos opiáceos ou as medidas de austeridade impostas a quando da crise económica global de 2008.

Recordando que um rendimento nacional mais elevado está associado positivamente com o aumento da longevidade, favorecendo em particular os níveis de rendimento mais baixo, o relatório sublinha que a esperança média de vida também é, em média, mais longa nos países que investem mais em sistemas de saúde - embora essa relação tenda a ser menos pronunciada nos países com os maiores gastos per capita em saúde.

sábado, 27 de abril de 2019

45 ANOS DEPOIS DE ABRIL - RECONDUZIR O SNS À SUA MATRIZ CONSTITUCIONAL E HUMANISTA


O direito à Saúde ou à proteção da saúde enquanto um dever do Estado foi apenas reconhecido em Portugal com a aprovação da Constituição da República de 1976, na sequência da Revolução de Abril.

Esta decisão consagrava um processo de mudança iniciado nos anos 60 e 70, com o movimento das carreiras médicas (1961) a que seguiu a aprovação do decreto-lei 413/71 durante a chamada “Primavera Marcelista” e uma importante reforma orgânica da saúde, liderada por Gonçalves Ferreira e Arnaldo Sampaio, que organizou o Ministério da Saúde de acordo com s princípios da administração moderna, integrando unidades de saúde até aí dispersas, procurando deslocar o eixo dos cuidados de saúde dos hospitais para os cuidados de proximidade através da criação de uma rede nacional de centros de saúde e promovendo a universalização dos cuidados de saúde através da generalização do sistema de previdência aos trabalhadores dos campos.

Mas foi só em 1976 com aprovação da Constituição da República que o Direito à Saúde foi consagrado no Artigo 54.º da Constituição, que no seu n.º 2 definia que esse direito seria realizado através de um Serviço Nacional de Saúde universal, geral e gratuito “O direito à proteção da saúde é realizado pela criação de um serviço nacional de saúde universal, geral e gratuito …” mais tarde substituído por um Serviço Nacional de Saúde universal geral e tendencialmente gratuito “Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito”.

Foi necessário esperar pelo ano de 1979 para que a Assembleia da República aprovasse a Lei do Serviço Nacional de Saúde (Lei n.º 56/79 de 15 de Setembro), na tentativa de operacionalizar os desígnios constitucionais. Com as eleições legislativas de dezembro de 1979 o país entrou num novo ciclo político protagonizado pelas forças políticas que se tinham oposto à aprovação da Lei n.º 56/79, o que levou a que o VIII Governo Constitucional em 1982 revogasse os aspetos essências da Lei do Serviço Nacional de Saúde através da aprovação do Decreto-Lei n.º 254/82 de 29 de Junho, que criava as administrações regionais de saúde (ARS), considerado inconstitucional por um Acórdão de um Tribunal Constitucional de 1984.

Manteve-se assim e até aos dias de hoje um sistema de saúde misto, tanto para o financiamento como para a prestação, através de um Serviço Nacional de Saúde financiado por impostos, complementado por um esquema de seguros públicos, os chamados subsistemas de saúde, um setor social não-lucrativo e um setor privado de saúde, enquadrados a partir dos anos 90 numa nova Lei de Bases de Saúde que coloca o Serviço Nacional de Saúde como "um qualquer sub-sistema" praticamente ao mesmo nível de todas as entidades de saúde privadas, diluindo o Serviço Nacional naquilo que se passa a denominar “sistema nacional de saúde” abrindo portas à destruição das carreiras médicas e à política privatizadora.

Apesar de se ter desenvolvido longe da sua matriz constitucional, o Serviço Nacional de Saúde cresceu a partir de 1983 com base nos princípios dos cuidados de saúde primários, através de uma rede centros de saúde, com médicos de família e enfermeiros que progressivamente abrangeu todo o país, constituindo-se ao longo dos últimos 40 anos como um dos principais legados do desenvolvimento da democracia portuguesa pós 25 de Abril e um instrumento fundamental para a redução das desigualdades entre os portugueses e a maior vitória da democracia portuguesa.

Destes progressos são bem conhecidos os exemplos dos resultados obtidos nos últimos 45 anos na redução da mortalidade infantil e no aumento da esperança de vida, que fizeram com que Portugal figurasse como um dos exemplos no Relatório Mundial de Saúde de 2008 “Cuidados de Saúde Primários – Agora Mais Que Nunca”.

A esperança de vida é agora de 13,1 anos mais elevada do que há 42 anos, a mortalidade infantil reduziu-se para metade a cada 8 anos até estabilizar na casa dos 3/1.000, e o desempenho de Portugal na redução da mortalidade nos vários grupos etários é dos mais consistentes e bem-sucedidos no mundo.

Resultados confirmados com a recente publicação do documento "Portugal: The Nation’s Health 1990–2016 - An overview of the Global Burden of Disease Study 2016 Results" que analisa o progresso que o país experienciou nos últimos 26 anos, em termos de saúde, bem-estar e desenvolvimento, e os novos desafios que enfrenta à medida que a sua população cresce e envelhece. O documento faculta informações sobre a mortalidade e morbilidade que impedem os portugueses de viverem vidas longas e saudáveis e clarifica os fatores de risco que contribuem para uma saúde mais débil, das quais salientamos.

•    A confirmação de que Portugal passou da mais baixa esperança de vida à nascença em 1990 para os países de elevado-médio rendimento, para passado 26 anos ter uma expectativa de vida semelhante à média dos referidos países. Resultado que foi principalmente obtido pela redução da mortalidade prematura resultante das doenças cardiovasculares e dos acidentes de transporte.
•    Apesar dos portugueses viverem mais, o número de anos vividos com saúde não aumentaram na mesma proporção.
•    A mortalidade prematura em Portugal, medida pelas estimativas dos anos de vida perdidos (YLL, Years of Life Lost), entre 1990 e 2016 diminuiu 25,3%, em grande parte devido às reduções nas mortes por acidente vascular cerebral (AVC) e pela doença cardíaca isquémica, resultantes da melhoria significativa verificada no acesso e na qualidade dos serviços prestados pela rede de emergência pré-hospitalar que ocorreu nos últimos anos através das Vias Verdes do AVC e da doença coronária.
•    A diminuição da mortalidade prematura (YLLs) decorrente dos acidentes de transporte e dos problemas neonatais foi também considerada um grande sucesso deste período. Os acidentes de transporte diminuíram 75,3%, as neonatais 90,3% e os defeitos congénitos 78,5%.
•    A mortalidade prematura (YLLs) por cancro do pulmão aumentou nos últimos anos, verificando-se uma subida mais substancial entre as mulheres (68.1%) do que nos homens (34.4%), explicada pelo aumento consumo de tabaco entre as mulheres.
•    As principais causas de anos vividos com incapacidade (YLDs) em Portugal são as doenças crónicas, principalmente, as perturbações músculo-esqueléticas, as perturbações mentais e as associadas ao consumo de substâncias, bem como as perturbações dos órgãos dos sentidos, as perturbações neurológicas e a diabetes.
•    No caso dos anos de vida ajustados à incapacidade (DALYs) usados para descrever a carga da doença, levando em conta as mortes prematuras e a incapacidade, são de novo, o grande grupo das doenças crónicas a ultrapassar largamente a importância relativa dos outros grandes grupos de causas, nomeadamente, as lesões e as doenças transmissíveis, maternas, neonatais e nutricionais.
•    No que respeita à carga global da doença, Portugal encontra-se significativamente melhor do que a média dos seus pares (países de elevado-médio rendimento) para a doença isquémica cardíaca, doença cerebrovascular, doenças dos órgãos dos sentidos, diabetes, cancro do pulmão, doença pulmonar obstrutiva crónica, infeções respiratórias inferiores, acidentes de transporte e quedas; encontra-se significativamente pior em relação às dores lombares (lombalgias) e do pescoço, às perturbações depressivas, à enxaqueca, às doenças da pele e ao cancro colo-retal.

Foi neste contexto que o sistema de saúde português se foi confrontando com novos e velhos desafios ao longo das últimas décadas, procurando por um lado adaptar o Serviço Nacional de Saúde ao envelhecimento da população, ao crescimento das doenças crónicas às desigualdades em saúde, às novas tecnologias, às exigências e às preferências dos consumidores por mais e melhor informação. Ao mesmo tempo que procurava melhorar a gestão dos serviços, modernizando-os, tornando-os mais acessíveis e efetivos, de que são exemplos a reforma dos cuidados de saúde primários e a criação da rede nacional de cuidados continuados integrados em 2005, tentando responder à sobreutilização dos serviços de urgência melhorando a integração e o contínuo de cuidados, tudo isto num ambiente de restrições financeiras, de dificuldades na modernização da gestão dos Hospitais e de dificuldades no recrutamento de profissionais de saúde.

45 Anos passados sobre o 25 de Abril e 40 anos sobre a criação do Serviço Nacional de Saúde é o momento de “reconduzir o SNS à sua matriz constitucional e humanista” como disse António Arnaut (aqui)(aqui).

domingo, 2 de dezembro de 2018

ESPERANÇA DE VIDA NOS ESTADOS UNIDOS CAIU PELO 3.º ANO CONSECUTIVO - SOBRETUDO ENTRE A POPULAÇÃO BRANCA


De acordo com os dados publicados no passado dia 29 de novembro pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) “Mortality in the United States, 2017” (aqui), a esperança de vida nos Estados Unidos (EUA) caiu pelo terceiro ano consecutivo, situando-se em 78.6 anos, a muita distãncia do Canadá 82.3 anos, da Costa Rica 79.8 anos ou de Cuba com 79.7 anos (aqui). Os dados agora publicados referentes a 2017 (78.6) mostram uma diminuição de 1 décima em realação a 2016 (78.7) e confirmam a queda na descida da mortalidade nos EUA, verificada de forma contínua desde 2015.

Esta diminuição da esperança de vida ao nascer deveu-se em grande parte ao aumento da mortalidade de 4.2% por causas externas “unintentional injuries”, de 3.7% para a mortalidade por suicídio, de 5.9% para a mortalidade por gripe e pneumonia, de 2.4% para mortalidade por Diabetes e de 2.3% para a mortalidade por doença de Alzheimer.
O aumento das taxas de mortalidade ajustadas por idade para a população branca (homens e mulheres) não hispânica verificado nos últimos 3 anos, confirmam os confirmam os resultados do estudo publicado em 2015, por Anne Case1 e Angus Deaton“ Rising morbidity and mortality in midlife among white non-Hispanic Americans in the 21st century” (aqui), que tinham mostrado que a taxa de mortalidade entre os brancos americanos dos 45 aos 54 anos, com baixa escolaridade, “White Working Class” tinha aumentado entre 1999 e 2014, uma situação sem paralelo nos países de economia avançada e apenas registada nos EUA a quando da epidemia de VIH/SIDA.
Os autores apontavam como principais causas para esta situação, a privação económica e o stress financeiro da classe trabalhadora branca, provocado pela estagnação salarial verificada desde a década de 70, conjuntamente com a dificuldade lidar com a insegurança e a falta de proteção social na reforma.

domingo, 24 de dezembro de 2017

ESPERANÇA DE VIDA NOS ESTADOS UNIDOS CAI PELO 2.º ANO CONSECUTIVO - O ABUSO DAS DROGAS CONTRA A DOR

De acordo com os dados publicados na passada quinta-feira, 21 de dezembro pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) “Mortality in the United States, 2016” (aqui), a esperança de vida nos EUA diminuiu pelo segundo ano consecutivo em mais de 20 anos. Os dados agora publicados referentes a 2016 mostram uma diminuição de 1 décima na esperança de vida entre 2016 e 2015, isto é, uma diminuição da esperança de vida à nascença de 78.7 em 2015 para 78.6 em 2016.
Este decréscimo resulta do aumento da mortalidade por causas externas “unintentional injuries” de 9.7%, da mortalidade por doença de Alzheimer de 3.1% e da mortalidade por suicídio de 1.5%.

Os dados agora apresentados revelam um crescimento da mortalidade por abuso de drogas de 21% entre 2016 e 2015 (63.600 mortes em 2016 contra 52.000 em 2015), envolvendo sobretudo drogas sintéticas como o fentanilo e o tramadol, de 2015 para 2016, as mortes por overdose aumentaram nos grupos etários dos 45–54, dos 55–64, e dos 65 e mais respetivamente em 15%, 17%, e 7% respetivamente.(aqui)

The pattern of drugs involved in drug overdose deaths has changed in recent years. The rate of drug overdose deaths involving synthetic opioids other than methadone (drugs such as fentanyl, fentanyl analogs, and tramadol) doubled in a single year from 3.1 per 100,000 in 2015 to 6.2 in 2016. Rates of drug overdose deaths involving heroin increased from 4.1 in 2015 to 4.9 in 2016. Rates of drug overdose deaths involving natural and semisynthetic opioids increased from 3.9 in 2015 to 4.4 in 2016.
Apesar da prudência com que estes resultados têm se ser encarados por se referirem aos anos de 2015 e 2016, os dados preliminares referentes a 2017 preveem um agravamento das mortes por overdose por opióides sintéticos como o fentanilo, seus similares e tramadol (aqui), confirmam os resultados do estudo publicado em 2015, por Anne Case1 e Angus Deaton “ Rising morbidity and mortality in midlife among white non-Hispanic Americans in the 21st century” (aqui), que mostrava que a taxa de mortalidade dos brancos de meia-idade tinha aumentado desde 1998 nos problemas de saúde relacionados com o consumo de drogas e álcool, com o suicídio, com a doença hepática crónica e a cirrose, especialmente entre os brancos com um baixo grau de escolaridade (ensino médio ou inferior).

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

ESPERANÇA DE VIDA À NASCENÇA - DIVISÃO NORTE - SUL

A esperança de vida é maior a Ocidente da Europa do que no Centro e no Leste, menor no Norte dos países a Norte e menor nos países do Sul da Europa.(aqui)

A esperança de vida aumentou mais de 6 anos nos Estados membros da União Europeia desde 1990, passando de 74,2 anos em 1990 para 80.6 anos em 2015, mas continuam a existir desigualdades, tanto entre países como no interior deles.(aqui)
Na União Europeia por regiões, os TOP 10 das regiões com esperança de vida mais alta e mais baixa. (aqui)


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

NO 38.º ANIVERSÁRIO DO SNS - GLOBAL BURDEN DISEASE 2016 RECONHECE PORTUGAL COMO UM DOS PAÍSES ONDE A ESPERANÇA DE VIDA MAIS CRESCEU.

38 Anos passados sobre a fundação do Serviço Nacional de Saúde no dia 15 de Setembro de 1979, a edição online da revista Lancet de hoje publicava o estudo “Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors Study 2016 (GBD 2016)” abrangendo o período de 1990 a 2016, onde Portugal se destaca como um dos países exemplo, uma vez que apresenta uma esperança de vida à nascença mais elevada do que a que seria esperada atendendo ao seu nível de desenvolvimento sociodemográfico, confirmando os enormes progressos verificados nos últimos 40 anos, resultantes das profundas mudanças verificadas após a Revolução de Abril de 1974, alicerçadas nas melhorias do saneamento básico, na universalização dos cuidados de saúde e na criação do Serviço Nacional de Saúde.
De acordo com o estudo agora publicado verificou-se em 2016 pela primeira vez, que o número estimado de óbitos em crianças com menos de 5 anos caiu se cifrou abaixo de 5 milhões, registando-se apenas 230 mil mortes maternas. No que se refere às mortes por doenças transmissíveis verificou-se uma diminuição da mortalidade (com exceção do dengue), estimando-se 1.03 milões de mortes por VIH/SIDA, 1.2 milhões de mortes por Tuberculose e 719.600 por malária.

72,3% (39,5 milhões) de todas as mortes em 2016 eram provocadas por doenças não transmissíveis, tendo a mortalidade por doença isquémica cardíaca aumentado 19% e a mortalidade por diabetes cerca de 31,1% desde 2006. Verificou-se ainda um aumento significativo na mortalidade decorrente de conflitos bélicos e de terrorismo. As mortes causadas por armas de fogo foram causa mais importante de violência interpessoal.

Entre os principais fatores de carga de doença, encontram-se as infeções respiratórias inferiores, a diarreia, o parto prematuro, o VIH/SIDA e a malária, e entre os principais fatores de risco para a saúde, os níveis de obesidade, tabagismo e a má alimentação .

Apesar dos progressos realizados uma tríada de problemas; a obesidade, os conflitos bélicos como os que se tem vivido na Síria, no Iémen, no Sudão do Sul ou na Líbia, e a doença mental têm impedido melhores resultados, contribuindo para uma perda de vida saudável.

Finalmente e de acordo com o estudo agora publicado as principais problemas de saúde que no de 2016 fizeram as pessoas sentirem-se doentes foram: a dor lombar baixa, as dores de cabeça/enxaqueca, a anemia por deficiência de ferro e a depressão.

15 Setembro de 1979  – Uma maioria parlamentar constituída pelos deputados do Partido Socialista (PS), do Partido Comunista (PCP), da União Democrática e Popular (UDP) e pelo deputado independente Brás Pinto aprovavam a Lei de Bases do Serviço Nacional de Saúde concretizando o artigo 64.º da Constituição da República Portuguesa, contando com a oposição dos partidos de direita e do centro direita e do Bastonário da Ordem dos Médicos (Gentil Martins) hoje considerado como a “joia da coroa da democracia portuguesa”.

sábado, 22 de julho de 2017

2017 - O CRESCIMENTO DA ESPERANÇA DE VIDA ESTAGNOU NO REINO UNIDO

No passado dia 17 de Julho o Professor Michael Marmot, diretor do Institute of Health Equity, apresentou os “Marmot Indicators 2017” dedicados à análise da esperança de vida entre 2012 – 2015 no Reino Unido. (aqui)

Os resultados apresentados mostraram uma desaceleração no aumento da esperança de vida, que nas palavras de Marmot levaram praticamente a uma paragem “the increase has more or less ground to a halt”, contrariando a tendência de crescimento contínuo, de 1 ano a cada 3 anos e meio nos homens e de 1 ano a cada 5 anos nas mulheres, verificada no Reino Unido ao longo do século XX.

Ao contrário do que tinha vindo a acontecer desde o final da II Guerra Mundial até 2010, com um crescimento contínuo da esperança de vida, passando de 64.1 anos para os homens e 68.7 para as mulheres em 1946, para 77.1 anos para os homens e 81.4 para as mulheres em 2005 e novamente para 78.7 anos para os homens e 82.6 para as mulheres em 2010, verificou-se um abrandamento se não mesmo uma paragem deste crescimento, desde que tomou posse em 2010 o governo de coligação (conservador-liberal) chefiado por David Cameron, uma vez que em 2015 a esperança de vida para os homens atingiu os 79.6 anos e os 83.1 anos para as mulheres.

Rise in life expectancy in England
Considerado como causa para alarme por Michael Marmot “ There is cause for alarm. Something has happened to slow health improvement in the UK.”, uma vez que o Reino Unido ainda não atingiu os resultados obtidos pelos países nórdicos, pelo Japão ou por Hong-Kong onde a esperança de vida é maior e continua a aumentar, Marmot aponta para as desigualdades e para os determinantes sociais como causas para este abrandamento, já anteriormente verificados no estudo de Anne Case e Angus Deaton nos Estados da Unidos da América, onde se encontrou um aumento significativo na mortalidade entre os norte-americanos brancos não hispânicos dos 45 aos 54 anos (aqui) e os resultados obtidos pelo Glasgow Centre for Population Health, onde se encontrou um excesso de mortalidade na cidade de Glasgow, quando comparada com a verificada em cidades como Liverpool e Manchester (aqui).

No estudo agora apresentado, também se verificaram importantes desigualdades entre as regiões mais ricas e as mais pobres do Reino Unido, uma vez que enquanto no bairro mais rico de Londres, Kensington & Chelsea, os homens vivem até aos 83 e as mulheres até aos 86 anos, no Norte do Reino Unido em Blackpool, os homens vivem até aos 74 e em Manchester as mulheres vivem até aos 79 anos.

Para além destes resultados, confirmaram-se ainda profundas desigualdades entre a população de uma mesma área residencial, assim em Kensigton & Chelsea verificou-se uma diferença de 14 anos na esperança de vida entre as áreas mais ricas e mais pobres da área residencial. Em Kensington e Chelsea o rendimento médio é de 137.070 euros, mas a mediana é 36.441 euros, ou seja mais de metade das pessoas têm menos de 32.700 euros. Pelo que não será difícil adivinhar em que local de Kensigton & Chelsea se encontrava a Grenfell Tower (aqui).

Durante a apresentação foram ainda sublinhados os aspetos relacionados com a redução de rendimentos verificada entre 2008/9 e 2014/2015, e os cortes verificados nas áreas da saúde e social, que no caso do Reino Unido afetaram particularmente os mais velhos.

Apesar de Marmot ter resistido até agora a ligar a redução da esperança de vida à política de austeridade desenvolvida desde 2010, conclui que os cortes nas despesas públicas socias e de saúde, terão um importante impacto na qualidade de vida nos idosos e que é urgente continuar a estudar o impacto da austeridade na vida das pessoas.

“What I would conclude, though, is that less generous spending on social care and health will have adverse impacts on quality of life of the elderly. It is urgent to determine whether austerity also shortens lives.”


Com a apresentação dos “Marmot Indicators-2017” (aqui) foi aberto um importante debate no Reino Unido sobre o custo real da austeridade na vida das pessoas. (aqui)

sábado, 13 de maio de 2017

A DIFERENÇA ENTRE A ESPERANÇA DE VIDA DAS REGIÕES MAIS RICAS E MAIS POBRES DOS EUA É MAIS DE 20 ANOS

Na sua edição de 8 de maio, a JAMA Internal Medicine, publicava o artigo “Inequalities in Life Expectancy Among US Counties, 1980 to 2014 - Temporal Trends and Key Drivers” (aqui) onde os autores concluíam que existia uma diferença de 20 anos na esperança de vida entre as regiões mais pobres e as regiões mais ricas dos Estados Unidos.

Assim e enquanto os Estados Unidos apresentavam uma esperança de vida à nascença de 79,1 anos nos condados do Dakota (região onde se situam as reservas dos nativos americanos),da região leste do Kentucky, do sudoeste da Virgínia e da parte inferior do Mississippi apresentavam uma reduzida expectativa de vida em comparação com o resto do país (66 anos de esperança de vida) e menos 20 anos do que a esperança de vida à nascença verificada nos condados do Colorado central que apresentavam os valores mais elevados para a esperança de vida (87 anos) à nascença dos Estados Unidos.
ESPERANÇA DE VIDA À NASCENÇA POR CONDADO - 2014
De acordo com os dados agora publicados, a magnitude dessas disparidades deve-se às diferenças entre os fatores socioeconómicos, a raça/etnia, a disponibilidade e o acesso a cuidados de saúde, e os "fatores de risco evitáveis" como o tabagismo, o consumo de álcool e o sedentarismo.


“A large body of previous research documents a relationship between socioeconomic and race/ethnicity factors and various measures of survival.25-28 Consistent with this research, this study found that socioeconomic and race/ethnicity factors alone explained 60% of the variation in life expectancy. At the same time, 74% of the variation was explained by behavioral and metabolic risk factors alone, while only marginally more variation was explained by socioeconomic and race/ethnicity factors, behavioral and metabolic risk factors, and health care factors combined.”  

quarta-feira, 22 de março de 2017

OCDE 2016 - HEALTH AT A GLANCE: EUROPE 2016

HEALTH AT A GLANCE: EUROPE 2016
State of Health in the EU Cycle

A esperança de vida aumentou mais de 6 anos nos Estados membros da União Europeia desde 1990, passando de 74,2 anos em 1990 para 80.9 anos em 2014, mas continuam a existir desigualdades, tanto entre países como no interior deles. A esperança de vida continua  a ser maior a Ocidente da Europa do que no Centro e no Leste, menor no Norte dos países a Norte e menor nos países do Sul da Europa. 



Health at a Glance:Europe 2016: State ofe Health inthe EU Cycle (aqui)


sábado, 25 de fevereiro de 2017

EM 2030 AS MULHERES PORTUGUESAS VIVERÃO MAIS DE 87 ANOS

De acordo com o estudo “Future life expectancy in 35 industrialised countries: projections with a Bayesian model ensemble” publicado na edição online first de 21 de Fevereiro da Revista Lancet (aqui), a esperança de vida à nascença aumentará na maioria dos países industrializados em 2030 e ultrapassará os 90 anos na Coreia do Sul.

O estudo liderado por investigadores do Imperial College de Londres em colaboração com a Organização Mundial de Saúde analisou dados sobre a mortalidade e a longevidade ente 1960 e 2013, com o objetivo de prever as mudanças na esperança de vida à nascença até 2030 em 35 países industrializados, envolvendo quer países altamente industrializados como os Estados Unidos (EUA), o Canadá, o Reino Unido, a Alemanha ou Austrália, como economias emergentes como a Polónia, o México ou a República Checa.

De acordo com os resultados publicados os sul-coreanos terão a maior expetativa de vida à nascença em 2030, apresentando uma esperança de vida à nascença de 90.8 anos para as mulheres e 84.1 anos para os homens. Os investigadores também calcularam quanto tempo uma pessoa de 65 anos pode esperar viver em 2030, revelando também neste indicador a supremacia da Coreia do Sul, onde uma mulher aos 65 anos esperará viver mais 27.5 anos.

No que se refere à Europa, são as mulheres francesas e os homens suíços que apresentam as maiores esperanças de vida à nascença em 2030, respetivamente 88.6 anos e quase 84 anos.
No que se refere a Portugal, a esperança de vida à nascença em 2030 será de 87.52 para as mulheres, o 7.º lugar entre os 35 países industrializados e o 4.º entre os países europeus e de 81.69 para os homens, o 18.º lugar entre os 35 países (22.º lugar em 2010).

O estudo também revelou que é provável que os EUA tenham a menor expectativa de vida ao nascer em 2030 entre os países os 35 países industrializados. A esperança de vida à nascença em 2030 será para os homens norte-americanos de 78.5 anos e de 83.3 anos para as mulheres, semelhante aos encontrados para a República Checa (homens) e para a Croácia e o México (mulheres).



Num comentário à BBC o professor Majid Ezzati investigador chefe do Imperial College e líder do estudo (aqui)afirmou “The fact that we will continue to live longer means we need to think about strengthening the health and social care systems to support an ageing population with multiple health needs. This is the opposite of what is being done in the era of austerity. We also need to think about whether current pension systems will support us, or if we need to consider working into later life.”

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

ESPERANÇA DE VIDA NOS ESTADOS UNIDOS DIMINUI PELA PRIMEIRA VEZ DESDE 1993

De acordo com os dados hoje publicados pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) “Mortality in the United States, 2015” (aqui), a esperança de vida nos EUA diminuiu pela primeira vez em mais de 20 anos. Os dados agora publicados mostram uma diminuição de 36.5 dias na esperança de vida entre 2015 e 2014, isto é, uma diminuição da esperança de vida à nascença de 78.9 em 2014 para 78.8 em 2015.
Mortality in the United States, 2015 CDC

A principal razão para este decréscimo é que oito das 10 principais causas de morte (as mesmas que em 2014) se agravaram em 2015. Apenas a mortalidade por cancro diminuiu mantendo-se inalterada mortalidade por gripe e pneumonia.

“From 2014 to 2015, age-adjusted death rates increased for 8 of 10 leading causes of death and decreased for 1. The rate increased 0.9% for heart disease, 2.7% for chronic lower respiratory diseases, 6.7% for unintentional injuries, 3.0% for stroke, 15.7% for Alzheimer’s disease, 1.9% for diabetes, 1.5% for kidney disease, and 2.3% for suicide. The rate decreased by 1.7% for cancer. The rate for influenza and pneumonia did not change significantly.”
Mortality in the United States, 2015 CDC
Apesar da prudência com que estes números têm se ser encarados por se referirem apenas a 1 ano, confirmam os resultados do estudo publicado em 2015, por Anne Case1 e Angus Deaton “ Rising morbidity and mortality in midlife among white non-Hispanic Americans in the 21st century” (aqui), uma vez que o relatório agora apresentado também mostra o crescimento da mortalidade entre os americanos brancos (homens e mulheres) a par com a dos homens negros.
Mortality in the United States, 2015 CDC
Em 2015 Anne Case1 e Angus Deaton, tinham mostrado que a taxa de mortalidade entre os brancos americanos dos 45 aos 54 anos, com baixa escolaridade, “White Working Class” tinha aumentado entre 1999 e 2014, uma situação sem paralelo nos países de economia avançada e apenas registada nos EUA a quando da epidemia de VIH/SIDA.
Rising morbidity and mortality in midlife among white non-Hispanic Americans in the 21st century
Os dados apresentados e discutidos no referido artigo, mostravam que a taxa de mortalidade dos brancos de meia-idade tinha aumentado desde 1998 nos problemas de saúde relacionados com o consumo de drogas e álcool, com o suicídio, com a doença hepática crónica e a cirrose, especialmente entre os brancos com um baixo grau de escolaridade (ensino médio ou inferior) onde as mortes causadas por “drug and alcohol poisoning” tinham aumentado quatro vezes, as causadas por suicídio 81% e as causadas por “liver disease and cirrhosis” 50%. A mortalidade por todas as causas tinham aumentado 22% para este grupo.

Os autores apontavam como principais causas para esta situação, a privação económica e o stress financeiro da “ white working class” , provocado pela estagnação salarial verificada desde a década de 70, conjuntamente com a dificuldade lidar com a insegurança e a falta de proteção social na reforma “ the changing nature of the financial risk Americans face when saving for retirement as well as therecent financial crisis, economic insecurity may weigh heavily on U.S. workers,and take a toll on their health and health-related behaviors”. O aumento mortalidade coincide com uma depreciação do estado de saúde, quando auto relatado, na saúde em geral, na saúde mental e na capacidade de lidar com os problemas da vida e ao aumento do consumo de medicamentos para a dor “For middle-aged Americans, increasing mortality ran alongside increasing reports of pain. One in three white middle-aged Americans reported chronic joint pain, taking the years 2011, 2012 and 2013 together, and one in seven reported sciatica. All types of pain increased significantly from 1997 to 2013. “The strongest morbidity effects are seen among those with the least education,”


Os dados agora apresentados pelo CDC mostram que o aumento da mortalidade em 2015 se deveu “ largely because of increases in mortality from heart disease, chronic lower respiratory diseases, unintentional injuries, stroke, Alzheimer’s disease, diabetes, kidney disease, and suicide” e apontam para o estudo da causa das causas e para o estudo dos determinantes sociais da saúde.



terça-feira, 14 de junho de 2016

2001 - 2014. NOS ESTADOS UNIDOS, OS MAIS RICOS VIVEM MAIS 15 ANOS QUE OS MAIS POBRES

Num estudo rentemente publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) liderado por Raj Chetty, economista do Department of Economics da Standford University, " The Association Between Income and Life Expectancy in the United States, 2001-2014” os autores concluem que as desigualdades em saúde medidas pela relação entre a esperança de vida e o rendimento aumentaram nos Estados Unidos.


No período estudado a esperança de vida aumentou continuamente à medida que aumenta o rendimento. Aos 40 anos, a diferença na esperança de vida entre os indivíduos mais ricos (1% mais rico) e os mais pobres (1% mais pobres) nos Estados Unidos é de 15 anos para homens e 10 anos para as mulheres. De acordo com os dados publicados os homens com rendimentos anuais de cerca de 228.000 dólares americanos têm boas hipóteses de viver até aos 89 anos, enquanto, que os homens com um rendimento anual de cerca de 6.551 dólares americanos ficar-se-ão pelos 74 anos de vida.

O estudo revelou ainda um aumento entre 2001 e 2014 da diferença na esperança de vida entre a população mais desfavorecida (5% mais pobres) e a população mais favorecida (5% mais ricos), uma vez que a esperança de vida aumentou cerca de 3 anos entre os 5% mais ricos (homens e mulheres), mantendo-se entre os 5% mais pobres.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

METRO - SUBWAY OR TUBE - A GEOGRAFIA DAS DESIGUALDADES

Michael Marmot no seu último livro “ The Health Gap: the Challenge of an Unequal World” retoma o exemplo da distribuição espacial das desigualdades em saúde e os seus determinantes sociais valendo-se da imagem das viagens de metro em várias cidades do mundo, “ In the London Borough of Westminster,UK, there is an 18 year gap in male life expectancy between the most and least salubrious parts of the borough. Similarly, in the US city of Baltimore there is a 20 year gap at the ends of the gradient. 20years is huge—it is the gap in life expectancy between women in India and in the USA. Health inequalities are perhaps the most damning indictments of social and economic inequalities. These subway rides used social characteristics of area of residence. We see similar social gradients in health if we classify people by education, wealth, income, or occupational status.”, visitando o trabalho de Larry Buchanan para o New Yorker ou o mapa de Washington, DC,elaborado pelo Center on Society and Health da Virginia Commonwealth University.
No primeiro trabalho, “Inequality and New York’s Subway”(Aqui) mostram-se as desigualdades dentro da cidade de Nova Iorque, onde as desigualdades entre os 20% mais ricos e os 20% mais ricos estariam a par de países como a Serra Leoa, a Namíbia ou o Lesoto.




No segundo trabalho “The Inextricable Link Between Neighborhoods and Health” (aqui) mostra que a esperança de vida à nascença pode variar 7 anos entre paragens de metro.