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segunda-feira, 21 de maio de 2018

O EXERCÍCIO FÍSICO FAZ BEM À SAÚDE, A MENOS QUE FAÇA PARTE DO SEU TRABALHO


Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine de 14 de maio concluiu que os trabalhadores sujeitos a uma atividade laboral de grande intensidade física morrem prematuramente (aqui).

A atividade física enquanto, uma das funções básicas dos seres humanos é uma das principais bases para a saúde ao longo da vida. São conhecidos os seus efeitos benéficos, sobre a redução do risco e da morbilidade das doenças cardiovasculares, da hipertensão, do excesso de peso e da obesidade, da diabetes, de certas formas de cancro, da osteoporose e de outros problemas músculo-esqueléticos. Estima-se que a inatividade física seja responsável por 7% da carga global de saúde.(aqui)

Com base neste conhecimento as diretrizes internacionais recomendam que os adultos, incluindo os idosos, efetuem pelo menos 150 minutos de exercício aeróbico moderado a intensivo por semana e que as crianças e jovens façam pelo menos 60 minutos de atividade física intensa e vigorosa por dia. No entanto estas orientações, não distinguem a atividade física realizada nos diferentes contextos (atividade ocupacional, lazer) nem a sua distribuição por grupos sociais.(aqui)

Recentemente, novas evidências publicadas sugerem um contraste entre os efeitos da atividade física no tempo de lazer e durante a atividade laboral sugerindo um paradoxo na atividade física, tendo sido documentadas consequências prejudiciais para a saúde, com reflexo no aumento das doenças cardiovasculares, nas ausências ao trabalho e na mortalidade na atividade física realizada em contexto laboral.(aqui)(aqui)

Perante estes resultados, e, tendo em conta que este paradoxo tem recebido pouca atenção por parte dos cientistas, decidiu um grupo de investigadores liderados pelo Departamento de Saúde Publica e Ocupacional do “ Amsterdam Public Health Research Institute, VU University" realizar uma revisão sistemática sobre este tema, envolvendo 17 estudos longitudinais.

As conclusões agora publicadas no British Journal of Sports Medicine mostram que os trabalhadores (homens) sujeitos a atividades físicas exigentes e de alta intensidade apresentam um aumento de 18% no risco da mortalidade por todas as causas, mesmo após o controle de fatores relevantes, como a atividade física no lazer.

sábado, 23 de setembro de 2017

SAÚDE E CINEMA - " A FÁBRICA DE NADA"

Estreou ontem em 5 cidades portuguesas o filme português “Fábrica de Nada”,  dirigido por Pedro Pinho,  que conta a história de um grupo de operários  em luta pelo  seus postos de trabalho e pela sua dignidade numa sociedade “de sentido único” onde o conformismo,  o individualismo, a alienação e  o “não há nada a fazer”,  se sobrepõem aos princpíos e os valores,  “Uma noite um grupo de operários percebe que a administração está a roubar máquinas e matérias- primas da sua própria fábrica. Ao decidirem organizar-se para proteger os equipamentos e impedir o deslocamento da produção, os trabalhadores são forçados - como forma de retaliação - a permanecer nos seus postos sem nada que fazer enquanto prosseguem as negociações para os despedimentos. A pressão leva ao colapso geral dos trabalhadores, enquanto o mundo à sua volta parece ruir.” (aqui)

Bem recebido pela crítica internacional, depois de ter estreado no passado mês de maio no Festival de Cannes, onde  recebeu o prémio FIPRESCI da Federação Internacional de Críticos de Cinema na Quinzena dos Realizadores (na  história da Quinzena dos Realizadores de Cannes, Pedro Pinho foi o segundo cineasta português a receber o prémio da crítica, depois de Manoel de Oliveira, em 1997, com “Viagem ao Princípio do Mundo”,  a “Fábrica do Nada”  recebeu ainda o Prémio de Melhor Realização na 5.ª edição do Duhok International Film Festival, no Iraque,  o Grande Prémio do Júri no CineFest Miskolc Internacional Film Festival, na Hungria e o Cine Vision do Festival de Cinema de Munique. (aqui)(aqui)


Com quase 3 horas de duração,  a “Fábrica do Nada”  é um raro momento de cinema para falar dos de “baixo”, dos invisiveís,  de “Quem construiu Tebas de sete portas”, e é para além disso um grande filme português (aqui) (aqui), a NÃO PERDER.

Quem construiu Tebas de sete portas?

Quem construiu Tebas de sete portas?
Nos livros estão os nomes dos reis.
Foram os reis que arrastaram os blocos de pedra?
E as várias vezes destruída Babilónia —
Quem é que tantas vezes a reconstruiu?
Em que casas da Lima fulgente
de oiro moraram os construtores?
Para onde foram os pedreiros na noite em que ficou pronta
a Mu­ralha da China? A grande Roma
está cheia de arcos de triunfo. Quem os levantou?
Sobre quem triunfaram os césares?
Tinha a tão cantada Bizâncio
Só palácios para os seus habitantes?
Mesmo na lendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu bramavam os
afogados pelos seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os Gálios.
Não teria consigo um cozinheiro ao menos?
Filipe da Espanha chorou, quando a armada se afundou.
Não chorou mais ninguém?
Frederico II venceu na Guerra dos Sete Anos —
Quem venceu além dele?
Cada página uma vitória.
Quem cozinhou o banquete da vitória?
Cada dez anos um Grande Homem.
Quem pagou as despesas?
Tantos relatos
Tantas perguntas.
                                         Bertold Brecht
(Tradução de Paulo Quintela)


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

TRABALHADORES DA AMAZON SUBMETIDOS A "CONDIÇÕES DE TRABALHO INTOLERÁVEIS"

A Amazon tem sido acusada nos últimos anos dias de criar "condições de trabalho intoleráveis" depois de denúncias do “ The Courier” e do “Sunday Times”. De acordo com as denúncias do “The Courier”, os trabalhadores veem-se obrigados a acampar nas imediações do armazém da Amazon em Dunfermline, na Escócia, para reduzirem as suas despesas com transporte, face aos baixos salários recebidos, enquanto, que o Sunday Times descobriu que os trabalhadores da Amazon para além de terem de andar mais de 16 km a pé durante um dia de trabalho, deparam-se frequentemente com dispensadores de água vazios, e são fortemente penalizados nos seus objetivos por faltar ao trabalho por motivos de doença.


A Amazon, liderada por Jeff Bezos, considerado pela Forbes, o 4.º homem mais rico do mundo, e o 17.º mais influente tem sido criticada por criar condições de trabalho que pouco diferem daquelas a que era submetido o “vagabundo”, personagem dos Tempos Modernos de Chaplin, tentando sobreviver num mundo industrializado, e anteriormente descritas no post “SABE O QUE É UM "PICKER", JÁ OUVIU FALAR DE RAMAZZINI - O TRABALHO COMO DETERMINANTE DE SAÚDE




sexta-feira, 29 de julho de 2016

O BRILHO DA MICA: TRABALHO INFANTIL E TRABALHO SEM DIRETOS

Sabia que a beleza, o luxo e o glamour, de lábios, unhas e olhos a brilhar, dos carros cintilantes à luz do sol são originados pelo uso da mica, palavra de origem latina micare que significa brilhar ou piscar e que dá o nome a um grupo de minerais únicos na natureza devido às suas propriedades.

Inerte (não reage com a água, ácidos, ou solventes de petróleo) cristalina, leve, flexível e forte, capaz de resistir a altas temperaturas e às alterações da temperatura, capaz de suportar tensões elevadas e isolar com baixa perda de potência, capaz de absorver ou refletir a luz, permitindo efeitos decorativos e proteção contra os raios UV, a Mica tornou-se num ingrediente das indústrias de beleza, da construção, aeroespacial ou automóvel. Usada como pigmento perolizado no sector das tintas e revestimentos, nos cosméticos, como isolante na indústria de material elétrico, como elemento dos pneus de borracha, embraiagens, e pastilhas de travões, como produto de enchimento em produtos cosméticos e de higiene pessoal e na indústria da construção (usada regularmente como agente de enchimento de cimento de fibra e placas de gesso), na indústria do petróleo como elemento dos líquidos de perfuração utilizados em poços de petróleo.
Uso da Mica
Extraída principalmente na Índia e na China, ¾ da mineração ocorre na Índia nos estados de Jharkhand e Bihar, onde 90% da produção é extraída em minas ilegais, representando 25% da produção mundial. A mica extraída na Índia é depois exportada para a China (67%), Japão (9%), Bélgica (7%) e EUA (6%).


Pela área de mineração (uma área de 75 por 20 kms nos estados de Jharkhand/Bihar) espalham-se 300 aldeias, onde vivem cerca de 270.000 pessoas muito pobres, 52.000 delas crianças com menos de 7 anos, que trabalham na sua maioria em minas ilegais, onde os processos de mineração são de trabalho manual intensivo. A extração envolve a utilização de ferramentas simples, explosivos e martelos de ar comprimido, ocorre principalmente em pedreiras com buracos apertados de cerca de 10 metros de profundidade abertos pelos aldeões. A rocha é batida repetidamente com um martelo “cobbing” para remover a ganga, minerais como o quartzo, feldspato, e separá-los da mica. Segue-se o processo da separação, onde a mica é transformada em folhas finas, por mulheres, que utilizam facas afiadas para separar a mica na espessura necessária e as tesouras para remover as arestas irregulares. De acordo com os dados da organização não-governamental, SOMO/Terre des Hommes, (aqui) cerca de 20.000 crianças são empregues nos trabalhos de mineração e cobbing, apesar de estar proibida pela legislação laboral da Índia e da Organização Internacional do Trabalho e de US Department of Labor o considerarem como uma das piores formas de trabalho infantil no mundo.

The lost childhood of India's mica minors

Expostos a desmoronamentos, a colapsos das galerias, os trabalhadores das minas de mica, estão ainda expostos ao pó da sílica e do quartzo associados à silicose, à DPOC e ao cancro do pulmão. Vítimas de baixos salários por viverem num país pobre onde o salário médio de um mineiro ronda os € 3.7 por dia, os trabalhadores das minas de mica recebem ainda menos, cerca de € 1.7 a € 2.5 por dia conforme trabalhem fora ou dentro da mina, podendo uma criança de 5 anos receber € 0.3 dia.
Apesar dos esforços do governo da Índia (aqui), do trabalho das ONG (aqui), e do compromisso assumido por algumas das empresas produtoras e utilizadoras de mica para combaterem o trabalho infantil e promoverem as condições de trabalho e sociais nas áreas de mineração sucedem-se as denúncias da utilização por parte da indústria automóvel ou cosmética de fornecedores de matéria-prima ligados ao trabalho infantil (aqui) (aqui)(aqui).

O Brilho da Mica, não é magia é apenas exploração.







quinta-feira, 7 de julho de 2016

OECD EMPLOYMENT OUTLOOK 2016 - O TRABALHO COMO DETERMINANTE SOCIAL DA SAÚDE

Passaram, quase, 10 anos sobre a crise financeira mundial, e o mercado de trabalho mundial ainda não atingiu os níveis de 2007.

Os dados hoje publicados pela OCDE OECD Employment Outlook 2016” (aqui) que apontam para uma retoma desigual, e para um desemprego demasiado elevado num número considerável de países europeus pertencentes à OCDE, afetando em particular os trabalhadores com menos qualificações, os mais jovens, as mulheres trabalhadoras, muitos dos países europeus como a Grécia, a Hungria, a Itália, a Polónia, a Eslováquia, a Espanha, a Turquia e Portugal, viram piorar os ganhos no trabalho (o salário por hora trabalhada ajustada da desigualdade), a insegurança do mercado de trabalho (a perda de rendimento associada a uma situação de desemprego) e a qualidade do ambiente de trabalho (trabalhadores que trabalham sob tensão).

Em termos gerais, a organização conclui que comparando os indicadores de 2007 com os de 2013, “é claro que a crise teve um efeito negativo na qualidade do emprego na maioria dos países da OCDE, ao degradar consideravelmente a segurança do mercado de trabalho”. Este é o resultado do impacto combinado entre o aumento substancial do risco de desemprego e uma baixa taxa de substituição de rendimentos conseguida através da proteção social no desemprego. Sobretudo porque muitos desempregados de longa duração esgotaram o direito ao subsídio e não conseguiram voltar ao mercado de trabalho.

Perante esta situação e a falta de respostas adequadas que minimizem estes impactos na saúde das comunidades, será previsível o agravamento das desigualdades em saúde tendo em conta o fator trabalho, uma vez que as condições de trabalho são um importante determinante social da saúde por causa da enorme quantidade de tempo que passamos nos nossos locais de trabalho.

As pessoas que já são mais vulneráveis ​​a problemas de saúde como consequência do seu baixo rendimento e menor escolaridade também são mais propensas a experienciar piores condições de trabalho.
A investigação identificou uma série de dimensões do trabalho que determinam os resultados em saúde:
1)  Segurança no emprego:
2)  As condições físicas do trabalho;
3)  Ritmo de trabalho e stress;
4)  Horário de trabalho;
5)  Oportunidades para o desenvolvimento individual no trabalho e para autoexpressão;
Empregos altamente stressantes predispõem as pessoas à hipertensão arterial, às doenças cardiovasculares, e ao desenvolvimento de problemas de saúde mental, como a depressão e a ansiedade.
A investigação publicada mostrou que os desequilíbrios entre as exigências (por exemplo: pressões de tempo, e responsabilidade) e as recompensas (por exemplo: o salário, o respeito dos supervisores) levam muitas vezes a problemas significativos.
Por outro lado o desemprego conduz frequentemente à privação material e social, ao stress psicológico, e à adoção de comportamentos que põem em risco a saúde. O desemprego está associado ao aumento de problemas de saúde físicos e mentais, nomeadamente à depressão, à ansiedade e ao suicídio.

Tudo isto vem a propósito dos dados hoje publicados pela OCDE, “ OECD Employment Outlook 2016”, onde a OCDE faz uma análise a vários indicadores para perceber qual o impacto da crise na qualidade do emprego, concluindo que:

1)  “Mesmo em países onde a estagnação do mercado de trabalho foi superada, a falta de qualidade de alguns empregos e o elevado nível de desigualdades no mercado de trabalho são aspetos preocupantes. Muitos dos trabalhadores que ficaram sem emprego durante a Grande Recessão estão de novo a trabalhar, mas o crescimento dos salários continua a ser insuficiente e muitos trabalhadores sofrem de stress ocupacional. Muitos dos trabalhadores deslocados de empregos na indústria e na construção durante a Grande Recessão verificaram que as suas competências e experiência não os habilitavam aos empregos com uma remuneração melhor que estão a ser criados no setor dos serviços.”

2)  “(Que)… os jovens pouco qualificados que não têm emprego nem estão a estudar nem a receber formação (os chamados “NEM-NEM”) correm o risco de ficar para trás. Em 2015, 15% dos jovens de 1529anos de idade na área da OCDE enquadravamse nesta categoria, registando uma subida moderada relativamente aos valores registados pouco antes da crise global em 2007. Em média, 38% de todos os NEMNEM não concluíram o 2.º ciclo do ensino secundário na área da OCDE e é menos provável que estejam ativamente a procurar emprego do que os NEM-NEM com mais anos de escolaridade (33% contra 45%). Quase um terço dos NEM-NEM pouco qualificados vivem num agregado familiar com desempregados (isto é, um agregado familiar onde não existe um adulto com emprego), o que sugere que muitos dos indivíduos pertencentes a este grupo estão confrontados com rendimentos reduzidos e oportunidades limitadas no mercado de trabalho.”

Finalmente e como curiosidade fica aqui o gráfico das horas trabalhadas nos países da OCDE:

terça-feira, 21 de junho de 2016

SABE O QUE É UM "PICKER", JÁ OUVIU FALAR DE RAMAZZINI - O TRABALHO COMO DETERMINANTE DE SAÚDE

Já alguma vez ouviu falar de Ramazzini e de “picking”. Sabe o que é um “picker” (em português “operador de picking”).

Pense num grande armazém do tamanho de 11 a 14 campos de futebol (7140 m2), daqueles a quem pode encomendar produtos online, imagine que está “armado” de uma pinça telescópica para agarrar objetos e de um scanner portátil, o scanner dá-lhe a indicação exata do que tem que pegar, do corredor e da prateleira onde está, coloca o objeto num carrinho, a prateleira certa pode estar ao virar da esquina ou a 100 metros de distância, você vai da linha A para pegar o item X e em seguida vai da linha P para pegar o item C, é esperado que pegue 100 a 110 item por hora, dois por minuto, ao longo de 9 a 10 horas de trabalho (pagas a 10/12 dólares/hora), ande cerca de 19 km até encher um carro de 250 Kg e levá-lo até ao setor onde os item são etiquetados e embalados, e continuar. Trabalha isoladamente e o seu tempo de intervalo de trabalho mal dá para chegar à cantina onde ingere uma refeição rápida. Os scanner´s portáteis para além do enviarem para o item seguinte, também permitem que os seus gestores controlem com precisão o tempo que leva a cumprir uma ordem, pode ser avisado se não mantiver o ritmo, este atraso pode valer-lhe uma penalidade, que também lhe pode ser aplicada por se ter enganado a pegar o item ou por se ter atrasado uns minutos na mudança de uma linha, causando uma redução na sua remuneração ou até ao seu despedimento. (aqui) (aqui) (aqui)

O seu trabalho pouco difere do “vagabundo”, personagem dos Tempos Modernos de Chaplin, tentando sobreviver num mundo industrializado. 

Ramazzini and worker´s health - Lancet
E Ramazzini diz-lhe alguma coisa? Bernardino Ramazzini nasceu em Carpi, uma pequena comuna perto de Modena no século XVII (1633), licenciou-se em medicina viveu uma longa vida de 81 anos, começando a ensinar Teoria da Medicina na Universidade de Modena aos 49 anos. Durante 20 dedicou o seu trabalho às doenças dos trabalhadores, investigou, visitou os locais de trabalho, observou as atividades dos trabalhadores e discutiu com eles as suas doenças e publicou a sua investigação na obra “ De Morbis Artificum Diatriba” em 1700. (aqui)

Descreveu mais de 50 profissões, acrescentando à abordagem recomendada por Hipócrates, (perguntar à cerca do tipo de dor ou de doença, da causa ou da duração) a natureza da ocupação profissional. A sua abordagem não se limitou a estabelecer uma relação entre as condições de trabalho e os riscos e as doenças profissionais, uma vez que pugnou por providenciar cuidados e estabelecer medidas preventivas, a sua análise inovadora estabelecendo as relações entre as atividades laborais e as doenças profissionais, aproxima-o da saúde ocupacional moderna que também se concentra na prevenção de riscos e na proteção pessoal, aborda as questões ambientais e sociais, e promove a saúde e segurança como um componente integral da saúde pública.


Ramazzini chamou a atenção para os perigos físicos e químicos, que hoje ainda prevalecem em muitas partes do mundo, na agricultura, nas minas, nas fábricas e na construção, mas não podia prever que na era pós-industrial, as situações mais preocupantes sejam as desigualdades no poder no local de trabalho e as condições psicossociais de um trabalho como “operador de picking”.

Às pesadas exigências físicas do trabalho de “operador de picking”, somam-se a falta de controlo sobre o seu próprio trabalho, um esforço elevado para uma fraca remuneração, o isolamento social no trabalho, a precaridade, o trabalho por turnos e a injustiça organizacional, criando condições para piorar a saúde. O trabalho ajuda a definir o nosso estatuto social e a nossa identidade, o que pensamos que somos e o que a sociedade acha que somos, o trabalho é um lugar de desenvolvimento de relações sociais, pode proporcionar oportunidades de autorrealização e de crescimento pessoal. (aqui)

O trabalho como agora o descrevemos é gerador de de doença e desigualdades, mas não acontece por acaso. Foi planeado e requere certas condições sociais, baixa sindicalização, falta de alternativas de emprego, um foco contínuo na margem de lucro, e a tolerância ou mesmo a promoção por parte da sociedade por este tipo de emprego. (aqui)

Se o trabalho e o emprego podem ser causas de problemas de saúde, temos de olhar para a causa das causas.



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

OS EFEITOS DAS REFORMAS LABORAIS SOBRE O TRABALHO E A SAÚDE - TO PROTEST IS TO REFUSE BEING REDUCED TO ZERO AND TO ENFORCED TO SILENCE

RECURSOS SOBRE DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE - LIVROS

" Sin trabajo, sin derechos, sin miedo" 

Na introdução  do livro " Sin trabajo, sin derechos, sin miedo. Las reformas laborales y sus efectos sobre el trabajo y la salud " Editorial Icaria, com cordenação de Albert Recio , Gemma Tarafa, Joan Benach, os autores escolheram entre outras uma citação de John Berger retirada do livro “Bento’s Sketchbook”:
“To protest is to refuse being reduced to zero and to an enforced silence. Therefore, at the very moment a protest is made, if it is made, there is a small victory. The moment, although passing like every moment, acquires a certain indelibility. It passes, yet it has been printed out. A protest is not principally a sacrifice made for some alternative, more just future; it is an inconsequential redemption of the present. The problem is how to live time and again with the adjective inconsequential.”

O livro aborda o efeito das reformas laborais e os seus efeitos sobre o trabalho e a saúde na perspetiva de um coletivo de investigadores da Universidade Autónoma de Barcelona, da Universidade Pompeu Fabra – Barcelona, da Universidade de Valência, do Instituto Sindical de Trabalho, Ambiente e Saúde (Barcelona) e do Instituto Nacional de Segurança, Higiene e Trabalho (Barcelona), que nas perspetivas dos autores representam:
“... una agresión sin precedentes históricos recientes a los derechos de millones de trabajadores y trabajadoras. Es un golpe de Estado en materia laboral, la “joya de la corona” de los gobiernos neoliberales que aspiran a reforzar el poder de los empresarios, debilitar convenios colectivos, facilitar despidos e incluso destruir el derecho laboral. Las reformas precarizan el empleo, aumentan la desigualdad, empeoran las condiciones laborales y dañan la salud y calidad de vida de los trabajadores y sus familias. Cambiar la situación actual no será sencillo ni rápido pero es imprescindible actuar y unir fuerzas, resistir frente a la actual situación y luchar por un cambio estructural profundo en el modelo productivo, en las condiciones de empleo y trabajo y en cómo reorganizar la vida social y laboral. No nos regalarán el tener un empleo justo ni un trabajo digno, habrá que luchar por ello. Nuestro trabajo, nuestra salud, nuestra vida, nuestra felicidad están en juego.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

RECURSOS SOBRE DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE - EMPREGO, TRABALHO E DESIGUALDADES EM SAÚDE

RECURSOS SOBRE DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE - LIVROS



O livro “Empleo, trabajo y desigualdades en salud: una visión global” publicado em 2010 pela editorial ICARIA (aqui) , baseia-se no trabalho desenvolvido pela rede de investigadores da EMCONET para a Comissão dos Determinantes Sociais da Saúde da Organização Mundial de Saúde (aqui) e dá a conhecer uma visão abrangente de como as condições de emprego afetam as desigualdades em saúde dos trabalhadores em todo o mundo.

Principais Conteúdos:

- Um quadro conceptual para compreender as causas e consequências das condições de trabalho na saúde e qualidade de vida em diferentes contextos económicos e políticos.
- A classificação dos países de acordo com o seu mercado de trabalho.
- Um grande número de "estudos de caso", descrevendo situações muito diferentes do mercado de trabalho e de problemas de saúde dos trabalhadores.

- Uma análise da atual crise económica, mudanças institucionais e identificação de medidas para reduzir a desigualdade nas políticas de saúde.


domingo, 20 de dezembro de 2015

1 EM CADA 4 PORTUGUESES VIVEM ABAIXO DO LIMIAR DE POBREZA. OS DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE.

EM 2014 1 EM CADA 4 PORTUGUESES VIVEM ABAIXO DO LIMIAR DE POBREZA

O INE divulgou, em 18 de Dezembro, os resultados provisórios do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado em 2015(aqui)sobre rendimentos do ano de 2014, mostrando que a proporção de pessoas em risco de pobreza em Portugal aumentou desde 2009, passando 17.9% em 2009 para 24.2 % em 2014 tendo em conta a linha de pobreza ancorada em 2009 “ limiar do rendimento abaixo do qual se considera que uma família se encontra em risco de pobreza. Este valor foi convencionado pela Comissão Europeia como sendo o correspondente a 60% da mediana do rendimento por adulto equivalente de cada país.”


EM 2014 1 EM CADA 10 PORTUGUESES EMPREGADOS ERA POBRE E 4 EM CADA 10 PORTUGUESES DESEMPREGADOS ERA POBRE

Também no que se refere à população ativa manteve-se a tendência para o aumento da pobreza entre a população empregada e desempregada, passando a taxa de risco de pobreza de 10.7% para 11% na população empregada e de 40.5% para 42% em 2014.



EM 2014 17 EM CADA 100 PORTUGESES COM MAIS DE 65 ANOS ERA POBRE

Em 2014, a taxa de risco de pobreza para a população idosa (65 + anos) foi de 17,1%, superior em 2 pontos percentuais ao valor registado em 2013 (15,1%). Assim, 2014 é o segundo ano consecutivo em que se registou um aumento do risco de pobreza para a população idosa, contrariando os valores registados desde 2003.




Estes resultados deverão alertar as autoridades nacionais para a necessidade de desenvolverem políticas públicas de combate à pobreza e em particular as autoridades de saúde, pela sua obrigação em chamar à atenção para o mais que provável agravamento das condições de saúde dos portugueses nos próximos anos, atendendo à relação conhecida, desde há muito, entre pobreza e saúde. Uma vez que os pobres têm pior saúde de que os ricos, mas também porque a saúde segue um gradiente social, isto é, que aqueles que estão abaixo de um nível social mais elevado têm pior saúde do que aqueles que lhe estão acima, o que significa que com o aumento da pobreza e da pobreza entre os trabalhadores a saúde dos portugueses deteriorar-se-á.

Mas não será só a saúde dos portugueses que piorará, também a sociedade no seu conjunto sofrerá uma vez que as desigualdades sociais provocam danos à coesão social. 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

ESCRAVATURA MODERNA - DIREITOS HUMANOS

Assinalam-se esta semana duas datas importantes para a humanidade, no passado dia 06 de Dezembro, os 150 anos da ratificação da abolição da escravidão pelos Estados Unidos da América iniciada num processo começado em 1863 com a apresentação da 13.ª Emenda Constitucional pelo Presidente Abraham Lincoln durante a Guerra Civil norte-americana (1860-1865), e hoje dia 10 de Dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, proclamada em 1948 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, que em 2015 tem como lema “ Os Nossos Direitos. As Nossas Liberdades”. Lema escolhido pela Organização das Nações Unidas para recordar as “quatro Liberdades” que são a base da Declaração Universal dos Direitos Humanos e duas convenções internacionais que, em 2016, assinalam o seu 50.º aniversário: o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais e o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos.
As Nações Unidas decidiram sublinhar este ano as “ quatro liberdades “ pela primeira vez anunciadas no discurso do President Franklin D. Roosevelt  ao Congresso dos EUA em Junho de 1941 intitulado four freedoms speech”.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos coloca no 4.º lugar entre 30 artigos o príncipio de que, Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos
Hoje passados 67 anos sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos estima-se que existam 35,8 Milhões de pessoas submetias à moderna escravidão (aqui)



A escravatura moderna é hoje um crime oculto, está de baixo dos nos olhos, mas é por muitos ignorada ou desconsiderada, parece coisa do passado e não dos nossos dias, no entanto está em toda a parte,
De acordo com os dados mais recentes estima-se que os cerca de 38.5 milhões de escravizados originam anualmente 150 $ biliões de dólares americanos em lucros ilícitos para os traficantes (aqui).
  • ESCRAVIDÃO LABORAL - Cerca de 78% encontra-se no trabalho forçado e escravo em indústrias onde o trabalho manual é necessário, como a agricultura, a pecuária, a exploração madeireira, a mineração, a fabricação de tijolos, a pesca, e o trabalho nas indústrias de serviços - como os serviços de lavagem (dish washers), de portaria, de jardinagem e o trabalho doméstico.
  • ESCRAVIDÃO SEXUAL – Cerca de 22% estão presos na prostituição forçada e na escravidão sexual.
  • ESCRAVIDÃO INFANTIL – Cerca de 26% dos escravos de hoje são crianças.
O número estimado de pessoas escravizadas nos dias de hoje (35,8 milhões) é quase 3 vezes mais do que o número de pessoas raptadas de Africa e levadas como escravas para as Américas Ship records make it possible to estimate the number of slaves transported from Africa to the Americas and the Caribbean, from the 16th Century until the trade was banned in 1807 - and the figure is about 12.5 million people.”

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

AUMENTAR O SALÁRIO MÍNIMO FAZ BEM À SAÚDE

Em 2011 num estudo elaborado por uma equipa de investigadores do Centro de Economia e Finanças da Universidadedo Porto e do Núcleo de Investigação em Políticas Económicas da Universidade do Minho, a pedido do Governo, intitulado “ Estudo sobre a Retribuição Mínima Mensal Garantida em Portugal” os autores começam por afirmar que “ O Salário Mínimo é um dos instrumentos de política, mais estudados e debatidos pelos economistas desde que, pela primeira vez, foram adotadas medidas estabelecendo uma retribuição mínima do trabalho, na Nova Zelândia no final do século XIX. Mais de um século de análise e debate não foi, porém, suficiente para eliminar a controvérsia que subsiste, quer no plano teórico, quer no da análise empírica.”


O que quer dizer, que a discussão sobre a fixação do salário mínimo, a sua influência sobre o emprego/desemprego, sobre a vida das empresas, sobre o mercado de trabalho ou sobre a saúde da economia, tem sido feita pelos diversos agentes sociais e políticos, quase sempre, com base nas diversas análises económicas das “chamadas escolas de economistas” e dominado pelo economês. Tendo nos últimos anos prevalecido a opinião dos economistas conservadores de que o aumento do salário mínimo ” senão estiver alinhado com as condições do mercado de trabalho, provoca desemprego”, contrariada pela opinião minoritária e pouco ouvida pela opinião publicada de que O aumento do salário mínimo é uma questão de decência e dignidade básicas. Visa evitar que quem vive do seu trabalho viva na pobreza evisa evitar que quem contrata possa aproveitar o desemprego generalizado para explorar de forma inaceitável... Contribuirá de forma efetiva para reduzir a desigualdade”.

Mas, mais raro ainda, é conhecermos outros argumentos que possam trazer outros componentes para a discussão, apesar de numerosos estudos documentarem (aqui) (aqui) desde há dezenas de anos que existe uma forte relação entre rendimento e saúde, associando o baixo rendimento a pior saúde e apontando para o estabelecimento de um impacto positivo na saúde do rendimento, quer de uma forma direta quer de uma forma indireta, uma vez que a melhoria de rendimento também está associada a outros fatores que criam a oportunidade de se ser saudável, como: a oportunidade de emprego, as opções de transporte ou a qualidade da habitação, tendo também um reflexo positivo na redução dos gastos em saúde, permitindo alocar esses recursos à criação de ambientes salutogénicos.


Exemplo deste debate, são as recentes posições da prestigiada Associação Americana de Saúde Pública acerca da importância do aumento do salário mínimo nos Estados Unidos afirmando num recente artigo publicado do “The Nation's Health” de Março de 2015 que O aumento do salário é bom para a saúde e não só para as carteiras ou do recente estudo Effects of wages on smoking decisions of current and past smokers citado pela insuspeita Fortune onde se conclui que “Increases in an individual's wages, independent of other income, decreased the prevalence of smoking among current and past smokers.”

Fica aqui um novo argumento para os representantes dos trabalhadores e para os diversos agentes representados no Conselho Concertação Social “ O Aumento do Salário Minimo faz bem à Saúde”.




quarta-feira, 28 de outubro de 2015

PERSPETIVAS SOCIAIS E DE EMPREGO NO MUNDO EM 2015 - TRABALHO DIGNO E RELAÇÕES JUSTAS DE EMPREGO - DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE

No seu último relatório “Perspetivas sociais e de emprego no mundo em 2015: mudança na natureza do emprego” a Organização Internacional do Trabalho estima que em 2014 os números do desemprego tenham atingindo a nível mundial 201 milhões de pessoas, um numero superior em mais de 30 milhões ao que existia antes do início da crise global em 2008. No referido relatório a OIT mostra a sua preocupação com “ a diminuição do modelo de emprego clássico, na qual os trabalhadores auferem e remunerações no quadro de uma relação de dependência vis-à-vis com os seus empregadores, têm empregos estáveis e trabalham a tempo completo ” e com o crescimento do número de trabalhadores contratados a tempo temporário ou parcial, em 2014, 6 em cada 10 trabalhadores assalariados em todo o mundo encontravam-se numa situação de trabalho a tempo parcial ou temporário, não se verificando uma diminuição do número de empregos na economia informal e no trabalho familiar não remunerado em particular nos países em desenvolvimento.


As mudanças em curso contribuem para uma crescente dissociação entre os rendimentos do trabalho e a produtividade, com esta última a crescer mais rapidamente do que os salários na maior parte das regiões do mundo, provocando uma diminuição da procura agregada em 3.700 milhões de dólares, repercutindo-se no aumento do desemprego, no consumo, no investimento e nas receitas públicas, alimentando o aumento das desigualdades de rendimentos.

A mudança que se tem verificado nos últimos anos, devido às alterações no trabalho, no mercado de trabalho e na situação de emprego têm vindo a aumentar as desigualdades socias representando um enorme desafio para a saúde pública mundial. De há muito que o emprego, a proteção social e as condições de trabalho têm efeitos poderosos sobre a equidade em saúde, uma vez que fornecem proteção de rendimentos, estatuto social, desenvolvimento pessoal, relações sociais e autoestima, e proteção contra a doença física e psicossocial.

As condições de emprego podem determinar principalmente, as condições  que existem em locais de trabalho. As condições em que as pessoas trabalham têm um impacto direto sobre a sua saúde. As desigualdades provenientes do emprego e das condições de trabalho estão intimamente ligados com o aumento das desigualdades de saúde nos acidentes de trabalho, nas lesões, nas doenças crónicas, nos problemas de saúde e na mortalidade.



segunda-feira, 19 de outubro de 2015

TRABALHO NÃO DECLARADO E DESIGUALDADES EM SAÚDE

O Presidente da Autoridade para as Condições de Trabalho numa entrevista ao jornal Público de 19 Outubro, afirma que no último ano Agravou o trabalho não declarado, embora este ano as coisas estejam estabilizadas, agravou nos recibos verdes, os direitos de grávidas, puérperas e lactantes e, em alguns sectores, o incumprimento dos tempos de trabalho. Na segurança e saúde no trabalho agravaram-se algumas situações...". Esta afirmação deveria merecer uma especial atenção por parte dos responsáveis políticos e dos cidadãos em geral, e, em particular das autoridades de saúde responsáveis por colocar a saúde em todas as políticas. Uma vez que desde há muito é conhecida a influência da precariedade laboral, e neste caso o trabalho não declarado na saúde dos cidadãos.
Como afirma Vandana Shiva " A desigualdade global no emprego e no trabalho constitui um dos temas mais importantes do nosso tempo. O aumento do desemprego, a extensão da precariedade laboral, a escravidão do trabalho forçado e outras formas perigosas de emprego e de trabalho relacionadas com as desigualdades... estão intrinsecamente associadas a graves lesões por acidentes e a múltiplas lesões que afetam os trabalhadores, as suas famílias e as suas comunidades" no prólogo do livro "Empleo, trabajo y desigualdades en salud: una visión global",  onde os autores contrariamente à visão dominante, explicam que a génese das desigualdades em saúde relacionadas com o emprego e o trabalho, não são um processo neutro, tecnocrático e livre de juízos de valor, são antes uma prática profundamente influenciada pelas ideologias políticas e pelo conflito de interesses entre empregadores, dirigentes, governos e trabalhadores.
Como as raízes dos problemas são sociais, as respostas também o devem ser, uma vez que as soluções gestionárias e tecnológicas, ainda que importantes e necessárias são limitadas. Só um maior equilíbrio de poder nas relações de emprego e uma maior participação dos trabalhadores no processo de tomada de posições dentro e fora das empresas garantirá uma maior protecção à saúde dos trabalhadores.


Conceitos - Trabalho Não Declarado

O Trabalho não declarado definido pela Organização Internacional do Trabalho como " toda a atividade económica realizada por um trabalhador, que pela lei ou pela prática, não esta regulamentado" e pela União Europeia  como ”qualquer atividade remunerada que, por definição, é lícita mas não declarada às autoridades publicas competentes, ou que, no caso do falso trabalho por conta própria, é falsamente declarada.” representa 15 a 20% do PIB da União Europeia (2014).