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sábado, 15 de julho de 2017

A IMPORTÂNCIA DAS RELAÇÕES SOCIAIS SOBRE A SAÚDE E A MORTE. TÁS A VER!

Num recente artigo do New York Times, intitulado “Social Interaction Is Critical for Mental and Physical Health” a jornalista Jane E. Brody, enfatizava a importância das relações sociais para aqueles que procuram um estilo de vida saudável, citando Emma Seppälä, diretora do Stanford University’s Center for Compassion and Altruism Research and Education, Brody afirma “para aqueles que procuram um estilo de vida que promova a saúde, não é suficiente comer só verduras e exercitarem-se regularmente”, “Don’t forget to connect.” (aqui)

Começando por citar o artigo de revisão de Umberson D e Montez JK, “Social Relationships and Health: A Flashpoint for Health Policy” (aqui) publicado em 2010, onde os autores revêm os resultados das interações sociais sobre os resultados em saúde, incluindo a saúde física, a saúde mental, os hábitos em saúde e a mortalidade, sublinhando que as pessoas que apresentam laços sociais mais fortes vivem mais, a jornalista cita ao longo do artigo um conjunto de estudos publicados ao longo de décadas que mostram que as relações sociais contribuem para a longevidade e para uma boa saúde.
El Roto - 6 OCT 2013 - El País
Num mundo globalizado dominado pelas políticas neoliberais, geradoras de profundas desigualdades e injustiças sociais, as pessoas sentem-se cada vez mais isoladas. Num mundo onde cada vez mais pessoas vivem sozinhas, em particular as mais velhas, e em que a organização do trabalho cada vez mais promove o isolamento social, a precarização e a desvinculação organizacional, numa sociedade em que a tecnologia ao invés de aumentar a interação social, antes contribui para o isolamento, vale a pena lembrar o trabalho de Berkman LF, Syme SL, iniciado nos anos 60, publicado em 1979, “Social networks, host resistance, and mortality: a nine-year follow-up study of Alameda County residents”, e o chamado “efeito Roseto”, efeito verificado na comunidade italo-americana da pequena localidade de Roseto na Pensilvânia, habitada por imigrantes italianos vindos da original Roseto Valfortore, na província de Foggia, Itália, por apresentar um reduzido número de mortes por doença cardiovascular em particular nos homens com menos de 55 anos, quando comparada com as comunidades vizinhas.

Em ambos os casos os investigadores encontraram uma relação positiva entre as interações sociais e a diminuição da mortalidade, no primeiro caso Berkman LF, Syme SL, estudaram a relação entre a mortalidade e os laços sociais e comunitários numa população de cerca de 6.000 pessoas do condado de Alameda (Califórnia), concluindo que as pessoas mais isoladas e com menos contactos sociais tiveram aproximadamente três vezes mais probabilidades de morrer do que as pessoas com laços sociais mais fortes, verificando-se que a associação entre os laços sociais era independente do estado de saúde auto-relatado, do ano da morte, do estatuto socioeconómico e do estilo de vida, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, obesidade, e atividade física. No segundo caso na comunidade de Roseto, os investigadores Stewart Wolf e John Brown, encontraram na estrutura social da comunidade, a coesão e o suporte social que protegiam os habitantes de Roseto das doenças cardiovasculares.

Passados mais de 50 anos sobre a descoberta do “efeito de roseto”, a evidência científica publicada demonstra a importância das interações sociais sobre a saúde das comunidades, reconhecendo que a falta de interações sociais e a solidão agravam ou desenvolvem as doenças cardiovasculares, a saúde mental, os transtornos autoimunes, o cancro ou a cicatrização. Ao mesmo tempo que reconhece que o apoio emocional oferecido pelas interações sociais ajuda a reduzir os efeitos prejudicais do stress favorecendo e dando um sentido e um significado à vida.(aqui) (aqui) (aqui)

Terminamos como começámos, citando Emma Seppälä, diretora do Stanford University’s Center for Compassion and Altruism Research and Education, numa sociedade em que solidão e o isolamento está em crescimento, a boa notícia é:

Fear not! The good news is that social connection has more to do with your subjective feeling of connection than your number of friends. You could have 1,000 friends and still feel low in connection (thus the expression loneliness in a crowd) but you could also have no close friends or relatives but still feel very connected from within.” (aqui)

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

EFEITO ROSETO - A FORÇA DA COMUNIDADE

Em 1964, Stewart Wolf médico e professor na Universidade de Oklahoma, escrevia uma carta ao Editor do Jornal da Associação Médica Americana (JAMA) dando conta da sua surpresa pelo facto da população da pequena localidade de Roseto na Pensilvânia, habitada por uma comunidade de migrantes italianos vindos da original Roseto Valfortore, na província de Foggia, Itália, apresentar um reduzido número de mortes por doença cardiovascular em particular nos homens com menos de 55 anos. Ao longo dos anos seguintes Stewart Wolf e John Brown, sociólogo, e as suas equipas procuraram estudar e encontrar as “ causas” para esta realidade.

À medida que os estudos decorriam surgiram mais surpresas, os habitantes de Roseto não se distinguiam das comunidades à sua volta, tal como Malcolm Gladwell os descreve no seu livro Outliers “ Wolf's first thought was that the Rosetans must have held on to some dietary practices from the old world that left them healthier than other Americans. But he quickly realized that wasn't true. The Rosetans were cooking with lard, instead of the much healthier olive oil they used back in Italy. Pizza in Italy was a thin crust with salt, oil, and perhaps some tomatoes, anchovies or onions. Pizza in Pennsylvania was bread dough plus sausage, pepperoni, salami, ham and sometimes eggs. Sweets like biscotti and taralli used to be reserved for Christmas and Easter; now they were eaten all year round. When Wolf had dieticians analyze the typical Rosetan's eating habits, he found that a whopping 41 percent of their calories came from fat. Nor was this a town where people got up at dawn to do yoga and run a brisk six miles. The Pennsylvanian Rosetans smoked heavily, and many were struggling with obesity.”
Afastada esta e outras explicações (herança genética) a causa das causas foi encontrada na estrutura social da comunidade, onde as tradições, a família, a solidariedade e o igualitarismo prevaleciam sobre outros valores e tornavam evidente que a coesão e o suporte social tinham efeitos sobre a longevidade.

A história continua em 1992 no trabalho The Roseto Effect: A 50-Year Comparison of Mortality Rates” , publicado no American Journal of Public Health, quando os autores voltaram a mergulhar nos dados estatísticos de Roseto, encontrando uma alteração epidemiológica que aproximava agora a comunidade de Roseto do padrão de mortalidade por doença cardiovascular das comunidades vizinhas, à medida que os " rosetans" se americanizaram modificando a estrutura social da sua comunidade.