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segunda-feira, 4 de maio de 2020

A PANDEMIA DE COVID-19 APROFUNDA AS DESIGUALDADES SOCIAIS


Em pouco mais de 4 meses o COVID-19 tornou-se na crise mais rápida de saúde global conhecida até ao momento.

Várias características sistémicas, biológicas, políticas e de saúde pública convergiram para que isso acontecesse: a sua contagiosidade e letalidade populacional, a fragilidade de muitos sistemas de saúde nacionais e uma fraca resposta dos dispositivos de saúde pública mundiais, a globalização do transporte aéreo, a incapacidade para as elites mundiais ouvirem e atuarem perante as advertências que há muito instituições e cientistas iam efetuando.(aqui)(aqui)

Embora ninguém pudesse prever exatamente quando e onde começaria, que país ou que continente seria mais afetado há muito que sabíamos que isto poderia acontecer, não foi por falta de avisos. Da conhecida e repetida citação de Joshua LederbergThe single biggest threat to man’s continued dominance on the planet is the virus” ao artigo de Bill Gates no The New England Journal of Medicine “The Next Epidemic — Lessons from Ebola” ou ao relatório de Setembro de 2019 da Organização Mundial de Saúde “A world at risk: annual report onglobal preparedness for health emergencies” que previa a ocorrência de epidemias ou pandemias devastadoras que causariam não só perdas de vidas mas também destruiriam as economias e provocariam o caos social“ The world is at acute risk for devastating regional or global disease epidemics or pandemics that only cause loss of life but upend economies and create social chaos”, os avisos estavam aí.

Mas se o vírus se espalhou com uma aparência democrática atingindo de uma forma impensável o mundo rico e as classes sociais privilegiadas, desenganem-se os que pensam que o COVID19 afeta de forma igual toda a população, não ele antes exacerba as desigualdades sociais.

Bastaram algumas semanas para depararmos com alguns estudos ou notícias que já evidenciam a repercussão desigual que a pandemia tem sobre os mais pobres, seja na Índia onde o lockdown tem tido um efeito devastador sobre a economia informal que abrange mais de 85% dos trabalhadores, obrigando milhares de pessoas a abandonarem as grandes cidades e regressarem às suas aldeias sem qualquer meio de subsistência(aqui), seja na cidade de Barcelona, onde os bairros onde se concentra a população de menor rendimento, com piores condições habitacionais, má saúde e uma esperança de vida menor (aqui) ou no Algarve onde a população migrante oriunda da Índia, do Bangladesh, do Paquistão ou do Nepal, a trabalhar na agricultura concentrou uma grande parte das cadeias de transmissão em Faro, Tavira, Armação de Pera ou Albufeira (aqui)(aqui).

Vem tudo isto a propósito do trabalho conduzido pelos investigadores da Escola Nacional de Saúde Pública no âmbito do Barómetro COVID-19, liderado por Carla Nunes, intitulado “Desigualdades, Diferenciação Geográfica, Perceção Social” onde se evidenciam desigualdades na distribuição dos casos de COVID19, verificando-se uma maior número de casos nos municípios com maior desigualdade salarial, maior desemprego, menor rendimento e menor poder de compra.



Terminamos com uma citação do artigo do professor Michael Marmot na revista de Lancet de 2 de maio Society and the slow burn of inequality, a propósito da pandemia de COVID19 e o aprofundar as desigualdades sociais.(aqui)


domingo, 17 de março de 2019

MAIO 2019 - MICHAEL MARMOT EM PORTUGAL PARA FALAR DOS DETERMINANTES SOCIAIS SA SAÚDE MENTAL INFANTOJUVENIL


No próximo mês de Maio o Professor Michael Marmot, a principal autoridade mundial na área dos Determinantes Sociais da Saúde estará em Portugal para abordar os Determinantes Sociais da Saúde Mental Infantojuvenil a convite da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (APPIA) durante o XXX Encontro Nacional da Associação Portuguesa que se realizará em Guimarães de 15 a 18 de maio. (aqui)

O professor Michael Marmot, diretor do Instituto de Equidade em Saúde do University College London, professor de epidemiologia, investigador principal do estudo Whitehall, tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos 35 anos importante investigação nas áreas das desigualdades em saúde e nos determinantes sociais da saúde.


Resultado de imagem para mirar a saude michael marmotPresidente da Comissão para os Determinantes Sociais da Saúde, criada em 2005 por iniciativa do secretário-geral da Organização Mundial da Saúde JW Lee, que apresentou em 2008 o relatório “Redução das desigualdades no período de uma geração: Igualdade na saúde através da ação sobre os seus determinantes sociais” (aqui), ex-presidente da Associação Médica Mundial de 2015 a 2016 (aqui), preside atualmente à Comissão para o Estudo da Equidade e das Desigualdades em Saúdedas Américas criada em 2015 pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS / OMS)(aqui), esteve em Portugal em 2012 a convite da Universidade do Algarve e do Instituto Nacional de Saúde (aqui) e em 2018 a convite da Fundação Caloust Gulbenkian (aqui).

Michael Marmot orientará um workshop pré-encontro no dia 14 de Maio denominado “Give every child the best start in life – Acting upon the social determinants of mental health” e proferirá a Conferência de Abertura intitulada “Social Determinants, Social Justice, and Health Equity”.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

OCDE 2018 - MOBILIDADE SOCIAL ESTAGNA E AUMENTAM AS DESIGUALDADES DE RENDIMENTOS


A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) publicou hoje, 15 junho de 2018, o relatório “Um elevador social quebrado? Como promover a mobilidade social” que apresenta como principais conclusões: o aumento da desigualdade de rendimentos desde 1990 e a estagnação da mobilidade social (aqui)

Os resultados agora apresentados mostram que uma criança de uma família pobre, leva em média 5 gerações (150 anos) para alcançar o rendimento de uma família média dos países incluídos no estudo da OCDE, contrariando o progresso verificado entre os anos de 1955 e 1975.

No período de quatro anos apresentado neste relatório, cerca de 60% das pessoas permaneceram aprisionadas à faixa dos 20% dos rendimentos mais baixos, enquanto 70% permaneceram no topo das classes de rendimentos. Ao mesmo tempo, uma em cada sete famílias de classe média e uma em cada cinco pessoas que vivem mais próximos dos rendimentos mais baixos perderam 20% dos seus rendimentos. “ Over the four year period observed in this report, about 60% of people remained stuck in the lowest 20% income bracket, while 70% remained at the top. At the same time, one-in-seven of all middle class households, and one-in-five of people living closer to lower incomes, fell into the bottom 20%.”

Os resultados apresentados mostram uma variação significativa entre países, apresentando os países nórdicos uma mobilidade social de 2 a 3 gerações (60 a 90 anos) enquanto os países de economias emergentes apresentam uma mobilidade social até 9 gerações 270 anos).

Portugal (aqui)situa-se entre os países da OCDE (Áustria, Coreia do Sul, Estados Unidos América, Irlanda, Itália, Reino Unido e Suíça) onde podem ser necessárias 5 gerações (150 anos) para que os descendentes de uma família de baixos rendimentos alcancem os rendimentos médios.

O estudo confirma que a mobilidade social entre gerações não é uniformemente distribuída, mostrando que os cidadãos que tem rendimentos mais baixos (20% inferiores) têm poucas possibilidades de subir durante um período de 4 anos (67% permanecem neste quintil) enquanto para os para os cidadãos dos rendimento mais altos (20% superiores) o valor é ainda mais forte uma vez que 69% permanecem neste classe de rendimentos.
A OCDE avança que a falta de mobilidade para as pessoas de rendimentos mais baixos em Portugal “ pode estar relacionada com o elevado nível de desemprego de longa duração e a segmentação do mercado de trabalho” uma vez que os desempregados de longa duração permanecem emperrados na parte inferior da escala de rendimentos e os trabalhadores sujeitos a contratos temporários não conseguem garantir estabilidade de rendimentos.

Os resultados agora apresentados confirmam as evidências já publicadas de que existe uma forte correlação entre a desigualdade actual e a desigualdade intergeracional, ou seja, entre a desigualdade e a baixa mobilidade social, fazendo com que quanto mais desigual é uma sociedade, menor é a probabilidade da próxima geração se elevar, confirmando que a mobilidade social é maior entre os países com menores desigualdades de rendimento, contrariando a metáfora de Schumpeter (aqui) que alimentou durante muitos anos o “sonho americano”, «social mobility will do: at every given moment of time there are rich and poor but as we extend the time period, today’s rich are yesterday’s poor and vice-versa. The guests from the ground floors (or at least their children) have made it to the top; those from the top might have tumbled down to the bottom. »

O estudo agora publicado confirma o trabalho apresentado por Alan B. Krueger em 2012 e conhecido pela “ Grande Curva de Gatsby”. (aqui)

A falta de mobilidade social e as desigualdades em geral estão fortemente associadas aos determinantes da “saúde-doença” (aqui), uma vez que desde há muito que se conhece que a disponibilidade e o acesso aos serviços de saude são menores para as populações com mais necessidades (as mais desfavorecidas e de pior saúde) - lei dos cuidados inversos, (aqui)(aqui), e que as desigualdades em saúde mostram claramente que a pobreza causa problemas de saúde.(aqui)

sábado, 22 de julho de 2017

2017 - O CRESCIMENTO DA ESPERANÇA DE VIDA ESTAGNOU NO REINO UNIDO

No passado dia 17 de Julho o Professor Michael Marmot, diretor do Institute of Health Equity, apresentou os “Marmot Indicators 2017” dedicados à análise da esperança de vida entre 2012 – 2015 no Reino Unido. (aqui)

Os resultados apresentados mostraram uma desaceleração no aumento da esperança de vida, que nas palavras de Marmot levaram praticamente a uma paragem “the increase has more or less ground to a halt”, contrariando a tendência de crescimento contínuo, de 1 ano a cada 3 anos e meio nos homens e de 1 ano a cada 5 anos nas mulheres, verificada no Reino Unido ao longo do século XX.

Ao contrário do que tinha vindo a acontecer desde o final da II Guerra Mundial até 2010, com um crescimento contínuo da esperança de vida, passando de 64.1 anos para os homens e 68.7 para as mulheres em 1946, para 77.1 anos para os homens e 81.4 para as mulheres em 2005 e novamente para 78.7 anos para os homens e 82.6 para as mulheres em 2010, verificou-se um abrandamento se não mesmo uma paragem deste crescimento, desde que tomou posse em 2010 o governo de coligação (conservador-liberal) chefiado por David Cameron, uma vez que em 2015 a esperança de vida para os homens atingiu os 79.6 anos e os 83.1 anos para as mulheres.

Rise in life expectancy in England
Considerado como causa para alarme por Michael MarmotThere is cause for alarm. Something has happened to slow health improvement in the UK.”, uma vez que o Reino Unido ainda não atingiu os resultados obtidos pelos países nórdicos, pelo Japão ou por Hong-Kong onde a esperança de vida é maior e continua a aumentar, Marmot aponta para as desigualdades e para os determinantes sociais como causas para este abrandamento, já anteriormente verificados no estudo de Anne Case e Angus Deaton nos Estados da Unidos da América, onde se encontrou um aumento significativo na mortalidade entre os norte-americanos brancos não hispânicos dos 45 aos 54 anos (aqui) e os resultados obtidos pelo Glasgow Centre for Population Health, onde se encontrou um excesso de mortalidade na cidade de Glasgow, quando comparada com a verificada em cidades como Liverpool e Manchester (aqui).

No estudo agora apresentado, também se verificaram importantes desigualdades entre as regiões mais ricas e as mais pobres do Reino Unido, uma vez que enquanto no bairro mais rico de Londres, Kensington & Chelsea, os homens vivem até aos 83 e as mulheres até aos 86 anos, no Norte do Reino Unido em Blackpool, os homens vivem até aos 74 e em Manchester as mulheres vivem até aos 79 anos.

Para além destes resultados, confirmaram-se ainda profundas desigualdades entre a população de uma mesma área residencial, assim em Kensigton & Chelsea verificou-se uma diferença de 14 anos na esperança de vida entre as áreas mais ricas e mais pobres da área residencial. Em Kensington e Chelsea o rendimento médio é de 137.070 euros, mas a mediana é 36.441 euros, ou seja mais de metade das pessoas têm menos de 32.700 euros. Pelo que não será difícil adivinhar em que local de Kensigton & Chelsea se encontrava a Grenfell Tower (aqui).

Durante a apresentação foram ainda sublinhados os aspetos relacionados com a redução de rendimentos verificada entre 2008/9 e 2014/2015, e os cortes verificados nas áreas da saúde e social, que no caso do Reino Unido afetaram particularmente os mais velhos.

Apesar de Marmot ter resistido até agora a ligar a redução da esperança de vida à política de austeridade desenvolvida desde 2010, conclui que os cortes nas despesas públicas socias e de saúde, terão um importante impacto na qualidade de vida nos idosos e que é urgente continuar a estudar o impacto da austeridade na vida das pessoas.

What I would conclude, though, is that less generous spending on social care and health will have adverse impacts on quality of life of the elderly. It is urgent to determine whether austerity also shortens lives.


Com a apresentação dos “Marmot Indicators-2017” (aqui) foi aberto um importante debate no Reino Unido sobre o custo real da austeridade na vida das pessoas. (aqui)

domingo, 5 de junho de 2016

ATIVIDADE FÍSICA, ESCADAS E ELEVADORES - INIQUIDADES E DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE

A atividade física enquanto, uma das funções básicas dos seres humanos é uma das principais bases para a saúde ao longo da vida. São conhecidos os seus efeitos benéficos, sobre a redução do risco e da morbilidade das doenças cardiovasculares, da hipertensão, do excesso de peso e da obesidade, da diabetes, de certas formas de cancro, da osteoporose e de outros problemas músculo-esqueléticos (aqui).

A OMS Europa na sua estratégia para a atividade física 2016 – 2025, “Physical activity strategy for the WHO European Region 2016–2025” acrescenta ainda “… it has positive effects on mental health by reducing stress reactions, anxiety and depression and by possibly delaying the effects of Alzheimer’s disease and other forms of dementia. Furthermore, physical activity is a key determinant of energy expenditure and is therefore fundamental to achieving energy balance and weight control. Throughout childhood and adolescence, physical activity is necessary for the development of basic motor skills, as well as musculoskeletal development. Furthermore, physical activity is also embedded in the United Nations Convention on the Rights of the Child. In adults, physical activity maintains muscle strength and increases cardiorespiratory fitness and bone health. Among older people, physical activity helps to maintain health, agility and functional independence and to enhance social participation. It may also help to prevent falls and assists in chronic disease rehabilitation, becoming a critical component of a healthy life.” recomendando a OMS que os adultos, incluindo os idosos, efetuem pelo menos 150 minutos de exercício aeróbico moderado a intensivo por semana e que as crianças e jovens façam pelo menos 60 minutos de atividade física intensa e vigorosa por dia.

De acordo com a OMS, sendo a atividade física um pré-requisito para saúde física e mental, é necessário que as estratégias para a promoção da atividade física tenha em conta “ Access to safe and attractive public spaces for activity and the opportunity to enjoy quality recreation are vital to the health and personal development of all individuals. There are numerous barriers to individuals participating in physical activity. These include community, school, work and transport environments that are not conducive to incidental physical activity in daily life, high user fees, a lack of awareness of opportunities, transportation, time constraints, personal preferences, cultural and language barriers, self-esteem, issues of access to local recreation facilities and a lack of safe places to play. Strategies must be formulated to remove the barriers that are most relevant to each age, gender and socioeconomic group. Tackling inequalities in physical activity and achieving universal access to environments and facilities that support physical activity across social gradients will be necessary to achieve the best results. Such actions will also support the optimal development of human capital and the economies of all Member States at a time of limited resources. Policies to improve the availability, affordability and acceptability of physical activity for the most vulnerable groups can contribute to reducing their risks of disease and, alongside policies in other areas, may help to close the gaps among and within Member States.”

Vem tudo isto a propósito da apresentação da Estratégia Nacional para a Promoção da Atividade Física, da Saúde e do Bem-Estar pela DGS no passado dia 30 de Maio (aqui)(aqui) e do lançamento da campanha «Faça a melhor escolha, vá pelas Escadas» (aqui). Exemplos de uma abordagem centrada naquilo que Michael Marmot no seu livro “The Health Gap: the challenge of na unequeal world” chama de “make healthy choices the easy choices” (aqui), isto é, uma abordagem centrada apenas nas escolhas e decisões do indivíduo, “advice is useful, but it is not how much people that determines whether they behave as the advice suggests” esquecendo as circunstâncias “personal responsibility should be right at the heart of what we are seeking to achieve. But people´s ability to take personal responsibility if they cannot control what happens to them.”

Na primeira nem uma palavra para as desigualdades e iniquidades no acesso à atividade física, apenas referências a “ desfavorecimento social”, ou “ Identificar eventuais barreiras que dificultem a prática de atividade física na comunidade; Determinar as razões que possam condicionar as pessoas para a prática de atividade física; Verificar os efeitos sociais e económicos decorrentes da inatividade física, bem como a relação entre a saúde e a atividade física;” na segunda uma campanha dirigida à uma pequena parte da população portuguesa que no seu dia-a-dia utiliza ou pode utilizar elevadores quer no espaço público, quer no acesso ao seu alojamento, perdendo a DGS mais uma vez a oportunidade de introduzir na sua estratégia a abordagem das “causas das causas” e o estudo dos determinantes sociais na saúde dos portugueses mantendo-se longe da discussão em torno dos “ 10 Conselhos para Ser Saudável” publicados por Liam Donaldson Chief Medical Officer for England em 1999 e criticados por David Gordon do “ Townsend Centre for International Poverty Research” (aqui)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

METRO - SUBWAY OR TUBE - A GEOGRAFIA DAS DESIGUALDADES

Michael Marmot no seu último livro “ The Health Gap: the Challenge of an Unequal World” retoma o exemplo da distribuição espacial das desigualdades em saúde e os seus determinantes sociais valendo-se da imagem das viagens de metro em várias cidades do mundo, “ In the London Borough of Westminster,UK, there is an 18 year gap in male life expectancy between the most and least salubrious parts of the borough. Similarly, in the US city of Baltimore there is a 20 year gap at the ends of the gradient. 20years is huge—it is the gap in life expectancy between women in India and in the USA. Health inequalities are perhaps the most damning indictments of social and economic inequalities. These subway rides used social characteristics of area of residence. We see similar social gradients in health if we classify people by education, wealth, income, or occupational status.”, visitando o trabalho de Larry Buchanan para o New Yorker ou o mapa de Washington, DC,elaborado pelo Center on Society and Health da Virginia Commonwealth University.
No primeiro trabalho, “Inequality and New York’s Subway”(Aqui) mostram-se as desigualdades dentro da cidade de Nova Iorque, onde as desigualdades entre os 20% mais ricos e os 20% mais ricos estariam a par de países como a Serra Leoa, a Namíbia ou o Lesoto.




No segundo trabalho “The Inextricable Link Between Neighborhoods and Health” (aqui) mostra que a esperança de vida à nascença pode variar 7 anos entre paragens de metro.





sábado, 5 de dezembro de 2015

EXCESSO DE MORTALIDADE NO INVERNO - GRIPE OU POBREZA ENERGÉTICA

No passado dia 28 de Outubro o Instituto Nacional de Saúde, Ricardo Jorge, dava a conhecer os resultados reportados pelos países que participam na rede EuroMOMO (Rede European Monitoring Excess Mortality for Public Health Action), durante o inverno de 2015, que demonstraram um excesso de mortalidade, na população com 65 ou mais anos, em todos os países europeus que participam nesta rede, com exceção da Estónia e da Finlândia, estando Portugal entre os países mais atingidos, apontando as conclusões desse trabalho para que o excesso de mortalidade tenha ocorrido em simultâneo com a epidemia de gripe sazonal e um período de vagas de frio extremo. Conclusões que estão em linha com as posições públicas assumidas pelas autoridades portuguesas de saúde pública, Direção Geral de Saúde, que atribuiu o excesso de mortalidade no Inverno de 2015 à gripe, às doenças relacionadas com o frio e ao crescimento da população idosa e das suas próprias patologias.
Será esta a explicação, apenas uma parte da explicação, e, que peso terá no excesso de mortalidade ocorrida no Inverno?


% of households unable to afford to keep their home adequately warm
Constantino Sakellarides, emérito médico de saúde pública, põe o “dedo na ferida” em declarações ao jornal “O Público” (aqui) a quando da apresentação do estudo realizado para OMS Europa O impacto da crise financeira no sistema de saúde e na saúde em Portugal, cito “ Nos primeiros meses de 2012, um excesso de mortalidade associado à gripe e ao frio foi reportado em Portugal, tal como em muitos outros países europeus em pessoas com mais de 65 anos. No entanto, um excesso de mortalidade nas faixas etárias entre os 15 e os 64 anos apenas ocorreu em Portugal e em Espanha… «Como se explica esta diferença entre países? … Portugal tem uma das mais baixas capacidades de aquecimento das casas durante o Inverno no conjunto dos países europeus, o que pode ter influência na mortalidade”, é que há muito que Portugal apresenta excesso de mortalidade no inverno, sendo apontado como um paradoxo, uma vez que é o exemplo do país com um clima ameno no inverno que apresenta a maior variação sazonal da mortalidade 28% no trabalho de Healy em 2003 e 25.9% no trabalho de Fowler em 2014. 


Map of 9-year country-level EWDI in 31 European countries, grouped by quintiles of equal count.
O "paradoxo da mortalidade de inverno" explica-se afinal pela pobreza energética determinada por “baixos rendimentos, custos elevados de energia e falta de eficiência energética nas habitações”.
De acordo com o trabalho de Raquel Nunes, Portugal apresenta indicadores muito baixos no que se refere à qualidade energética das habitações, “ casas com paredes duplas (6%), isolamento do telhado (6%) e vidros duplos (3%) ” e uma elevada incapacidade para manter as casas aquecidas entre os agregados familiares com um adulto com mais de 65 anos, o que mostra que as pessoas idosas em Portugal estão em maior risco de sofrer os efeitos de viver em casas frias (OMS 2012).

De acordo com os estudos publicados (aqui) (aqui)as pessoas com menos rendimento, têm mais propensão a estar em "pobreza energética" ficando mais expostas a problemas de saúde, incluindo problemas circulatórios, respiratórios e a uma menor qualidade da saúde mental, de acordo com estudos ingleses “10% of excess winter deaths are directly attributable to fuel poverty and a fifth of excess winter deaths are attributable to the coldest quarter of homes”. A pobreza energética também pode afetar os determinantes mais vastos da saúde, tais como o desempenho escolar entre crianças e jovens, ou as ausências ao trabalho.

Portugal necessita que as autoridades de saúde ao invés de centrarem apenas as suas prioridades em torno da vacinação antigripal e do reforço do atendimento nos serviços de urgência, desenvolvam estudos que permitam conhecer a população em pobreza energética e influenciem políticas de combate à pobreza energética.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

ANOS VIVIDOS COM SAÚDE NA UE - GENDER GAP

Na União Europeia a 28, as mulheres vivem mais anos que os homens.



Life_expectancy_at_birth,_gender_gap,_2013_(years,_female_life_expectancy_-_male_life_expectancy)
Mas vivem menos anos com saúde (HLY)



No estudo do Institute of Health Equity  revisto por Michael Marmot “Review of social determinants and the health divide in the WHO European Region:final report 2014",Portugal  era o país com a maior diferença entre homens e mulheres no que se refere aos anos vividos com saúde.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

RECESSÃO ECONÓMICA, MEDIDAS DE AUSTERIDADE E EFEITOS SOBRE SAÚDE - O CASO DE LONDRES

O Instituto de Equidade em Saúde (UCL INSTITUTE OF HEALTH EQUITY) num trabalho "The Impact of the Economic Downturn and Policy Changes on Health Inequalities in London" realizado para o Departamento de Saúde Pública da Inglaterra (aqui) e (aqui) sobre os efeitos da crise económica e das medidas de austeridade tomadas sobre o bem estar social dos cidadãos da área de Londres, e a forma de reduzir as desigualdades  daí resultantes, concluiu que são três as áreas em que mais se farão sentir os efeitos da crise e da recessão económica: emprego, rendimento e habitação.


Michael Marmot
No que se refere ao emprego, o estudo liderado pelo Professor Michael Marmot, concluiu que o desemprego afetou sobretudo os jovens de menos de 25 anos e em particular os que residiam nas áreas mais deprimidas de Londres, fator encarado com preocupação, uma vez que o desemprego jovem tem um efeito negativo sobre as futuras oportunidades de emprego e os resultados obtidos ao longo da vida. Trabalhar é  uma forte protecção para a saúde, em especial quando o trabalho é de "boa qualidade. " Being in work is mainly protective of health when it is good quality work, which gives employees some control over their work, rewards achievements, is safe and provides a decent standard of living. Individuals who remain in the workplace during an economic downturn may be subject to more psychosocial stress from increased uncertainties surrounding job security and the likelihood of redundancy."

A crise económica e o aumento do desemprego, provocou uma diminuição do rendimento de muitos cidadãos da grande Londres, aumentando a taxa de pobreza (Londres é uma das regiões do Reino Unido com maior taxa de pobreza). Os autores chamam à atenção para o fato de que as crianças nascidas na pobreza apresentarem maior risco de desenvolverem, doença física e mental, problemas sociais e de desenvolvimento no imediato e ao longo da vida.  Muitos dos que vivem na pobreza vivem em famílias de trabalhadores, onde muitas destas alterações vão provocar uma redução diminuição de rendimento e agravamento das condições de vida.


No que se refere à habitação, foram as famílias com crianças e em particular as que tem maior número de elementos que mais sofreram com redução do subsídio de habitação. Os agregados familiares que viram os seus rendimentos reduzidos tiveram que encontrar novos lugares, provocando movimentos de população dentro de Londres ou para fora de Londres, ou optar por viver em casas sobrelotadas.

O Instituto de Equidade em Saúde (UCL INSTITUTE OF HEALTH EQUITY) chama à atenção das autoridades para o potencial aumento das desigualdades em saúde, para o previsível aumento dos problemas de saúde mental, incluindo depressão, suicídios e tentativas de suicídio,  para níveis mais baixos de bem-estar social com previsível aumento da violência doméstica  (devido ao aumento da pressão sobre as famílias ) e, possivelmente, mais homicídios, para o aumento da tuberculose, do HIV/SIDA e do  aumento da mortalidade por doenças do coração - com início 2-3 anos depois o aumento do desemprego, com efeitos persistindo por 10-15 anos.


Terminando por propor que os governos local e nacional  assegurem serviços públicos dirigidos à infância, medidas que permitam o alívio das famílias com o arrendamento e as despesas de funcionamento, cuidados de saúde de primeira linha e de saúde mental e a atribuição de uma renda mínima que garanta uma vida saudável (Minimum Income for Healthy Living (MIHL).

Nota: Minimum Income for Healthy Living (MIHL), which was recommended in ‘Fair Society, Healthy Lives’ (Marmot Review), published in February 2010, should provide enough money to pay for ‘needs relating to nutrition, physical activity, housing, psychosocial interactions, transport and medical care.





sexta-feira, 30 de outubro de 2015

DESIGUALDADES - O QUE FAZER E PORQUÊ - UM FILME e UM LIVRO POR MICHAEL MARMOT

MICHAEL MARMOT

Ambos, sobre pobres e ricos, analistas do sector financeiro e empregos mal pagos “ flip burguers”, sobre o “sonho americano” ou a falta dele, “The American dream: a gated community with security guards, million dollar homes, a shining BMW golf cart, and only poor people rake their own leaves. “Everyone here drives a Mercedes or BMW”, says a resident, “or if it is an American car, it is the latest model. People don’t keep things long.” This is a scene from the land of opportunity, as portrayed in the film, The Divide (video). It is a land where every mother’s son can be President, even an African American—provided his father went to Harvard. Not all participate equally in the dream. Here, in the fi lm, is another African American: a single mother who works flipping burgers, no leaves to rake outside her home. She alternates between shouting at her children to keep quiet and shedding tears as she contemplates her life’s tragedies, large and small. She says: everyone is trying to escape in their own way; in her case it is beer, cigarettes, and ice cream.”
Marmot convoca-nos para uma visão atenta às desigualdades, ao aumento das desigualdades e a sua repercussão sobre a saúde, retratadas no filme “The Divided” inspirado no livro The Spirit Level retratado na visão de uma jovem analista financeira “he Divide features a young woman analyst who works in the financial sector who calls extreme wealth “fuck you” money—you have enough so that you feel you can disregard anybody. As she tells us, debt is what people need to manage their lives. For Wall Street, it is just a product to be bought and sold and make a profi t. When poor people got in trouble with their mortgages they were told it was their fault for taking on loans they could not afford. The banks who loaned them the money were bailed out by the state. Watching The Divide, it is hard to believe that the rich suffer from inequality to anything like the extent that the poor do.”
Finalmente Marmot responde às perguntas “Alguém se importa? Deve alguém importar-se?” com as 15 propostas de Atkinson’s “ His 15 proposals would not harm prosperity but would give us a fairer, less unequal society with better health and lower crime rates”. Vale a pena discutir!

Entretanto aguardemos que o Filme o Livro cheguem à língua portuguesa.