10 FEVEREIRO 2021 - RIO JANEIRO (-3 GMT)
“Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.” Ensaio sobre a Cegueira – José Saramago
Mostrar mensagens com a etiqueta BRASIL. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta BRASIL. Mostrar todas as mensagens
domingo, 7 de fevereiro de 2021
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
BRASIL - GLOBAL BURDEN DISEASE - MELHORIA DA SAÚDE DA POPULAÇÃO (1990 - 2016)
A revista
Lancet publicou no passado dia 20 de julho o estudo “Burden of disease in
Brazil, 1990–2016: a systematic subnational
analysis for the Global Burden of Disease Study 2016” (aqui),
onde os autores analisaram os resultados do Global Burden Disease (GBD) 2016
referentes ao Brasil, aos seus 23 estados e ao distrito federal, nos seguintes indicadores:
a esperança de vida ao nascer (life expectancy at birth - LE), a esperança de
vida saudável (healthy life expectancy – HALE), os anos de vida perdidos por
morte prematura (years of life lost – YLLs), os anos de vida ajustados à
incapacidade (disability-adjusted life-years DALY´s) e os anos vividos com
incapacidade (years lived with disability - YLD).
O estudo
apresenta como principais conclusões uma melhoria da saúde da população do
Brasil nos últimos 26 anos (1990- 2016), período em que se verificou uma
expansão do sistema de saúde, um crescimento da economia e a introdução de
políticas públicas focadas na promoção da saúde, na prevenção e nos fatores de
risco “saúde-doença”, a par do envelhecimento da população e da alteração do
padrão da mortalidade-morbilidade com o aumento da prevalência das Doenças
Crónicas.(aqui)
A nível
nacional, a esperança de vida à nascença aumentou de 68.4 anos em 1990 para 75.2
anos em 2016, a esperança de vida saudável aumentou de 59.8 anos para 65.5 anos
enquanto os anos de vida ajustados à incapacidade (disability-adjusted
life-years DALY´s) por todas as causas diminuíram em 30.2%.
Em 2016, a doença
cardíaca isquémica foi a principal causa de anos de vida perdidos por morte
prematura (years of life lost – YLLs), seguidos de violência interpessoal.
No que se
refere à violência interpessoal os autores chamam à atenção para relação conhecida
entre a morte por homicídio por arma de fogo, o tráfico de drogas e de armas
ilegais e o consumo de álcool e drogas.
O GBD é o
estudo de observação epidemiológica mais abrangente do mundo até esta data.
Descreve a mortalidade e a morbilidade por doenças graves, lesões e fatores de
risco para a saúde nos níveis global, nacional e regional. Produz estimativas
por causas, idade, sexo e país desde 1990, examina tendências e faz comparações
entre as populações, mede as características do sistema de saúde, a exposição a
fatores de risco, e a mortalidade e morbilidade atribuíveis a esses riscos (aqui).
Nas
conclusões os autores chamam à atenção para os desafios que o Brasil enfrenta
de forma a atingir os objetivos para a Saúde na Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável (aqui), face à atual situação de recessão e empobrecimento
que o Brasil vive na atualidade.(aqui)
terça-feira, 20 de junho de 2017
INVESTIMENTO NA MEDICINA DE FAMIÍLIA REDUZ DESIGUALDADES EM SAÚDE
O estudo “Association
between expansion of primary healthcare and racial inequalities in mortality
amenable to primary care in Brazil: A national longitudinal analysis” publicado
recentemente na Plos Medicine (aqui), por investigadores da Fundação Oswaldo Cruz e do
Imperial College London, com o objetivo de avaliar o impacto da Estratégia Saúde Família (ESF) brasileira na redução nas desigualdades em saúde, e, em
particular nas populações preta e parda, confirmou uma associação positiva
entre a implementação do Programa Saúde da Família (PSF) como parte da
universalização de cuidados (cobertura universal de saúde) e a redução das
desigualdades em saúde no Brasil, sobretudo entre as populações dos municípios mais
desfavorecidos.
![]() |
| "OS CANDANGOS" - Estátua de Bruno Giorgi - Brasília |
Redução
impulsionada pela diminuição nas mortes por doenças infeciosas, por deficiências
nutricionais e anemia, por diabetes e doenças cardiovasculares, provavelmente
devidas ao melhor no acesso aos cuidados de saúde com um foco especial na
prevenção, na promoção da saúde, na gestão precoce destas situações no Programa
de Saúde Família.
Neste estudo, a expansão da ESF foi associada a reduções na mortalidade cardiovascular de 12,9% e 7,1% nos grupos preto/parda e branco, respetivamente, na mortalidade por doenças infeciosas na população preto/ parda, uma redução de 27,5%, na mortalidade por deficiências nutricionais e anemia na população negra / pardo. Verificaram-se, ainda reduções associadas à expansão da ESF na mortalidade por doenças respiratórias (DPOC e asma), epilepsia, e úlceras gástricas consistentes com sua inclusão dentro das definições da ACSC.
Os
investigadores concluíram que as diferenças encontradas entre as populações,
branca e preta/parda, pode ser explicada por vários fatores, tendo as
diferenças socioeconómicas um fator explicativo chave. Concluindo que a
expansão da ESF no Brasil, no contexto da estratégia definida pela ONU como
cobertura universal de saúde, está associada a melhores resultados em saúde e a
uma redução das desigualdades em saúde, terminando como um referência à
importância dos cuidados de saúde primários como estratégia para alcançar os
Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (aqui).
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
2016 - DECLARAÇÃO DE CURITIBA - GARANTIR A DEMOCRACIA E OS DIREITOS HUMANOS
A 22ª Conferência Mundial de Promoção da Saúde da União Internacional de Promoção da Saúde e da Educação (UIPES), realizada em Curitiba, capital do Estado do
Paraná. Brasil, no passado mês de Maio aprovou a Declaração de Curitiba, sob o
lema “ Garantir a Democracia e os Direitos Humanos em todos os países”.
A
Declaração de Curitiba (aqui), integra o espírito de compromisso e apela a ação local
e global em favor da democracia, da equidade, da justiça e da garantia de
direitos sociais e de saúde para todos, em um mundo inclusivo e sustentável.
Esta
Declaração representa a voz de pesquisadores, profissionais, membros de
movimentos sociais e formuladores de políticas, que participaram da 22ª
Conferência Mundial de Promoção da Saúde da UIPES, realizada em Curitiba, em
maio de 2016. A Declaração de Curitiba articula as recomendações dos
participantes da Conferência em relação a como podemos melhorar a vida dos
indivíduos ao fortalecer a promoção da saúde e aumentar a equidade onde vivemos
e trabalhamos, em nossas cidades e países.
Queremos
ressaltar que, há pelo menos três décadas, já se reconhece a equidade como um
pré-requisito para saúde e um objetivo importante de promoção da saúde. A iniquidade
deve ser considerada um objetivo não sustentável. Como o processo de criação
das Metas de Desenvolvimento Sustentável já está encerrado, não é possível
acrescentar a conquista de saúde e equidade como um objetivo em separado.
Os
participantes da 22ª Conferência Mundial de Promoção da Saúde da UIPES clamam a
si mesmos e à sociedade internacional pela busca de uma agenda comum, além de
laços solidários que unam forças para defender a prioridade da democracia e dos
direitos humanos, condições essenciais para a promoção da saúde e da equidade.
Neste
sentido:
1.
Austeridade causa iniquidade. O direito à saúde não
deve ser tratado como uma mercadoria.
2.
Devemos reconhecer o meio ambiente ameaçador e
hostil em que vivemos, e as práticas predatórias de algumas corporações. Um
sistema social movido por acúmulo de capitais e extrema concentração de
riquezas é inconsistente com alcance de metas de equidade.
3.
Os governos devem implementar e cobrar impostos de
renda progressivos para abordar saúde e equidade.
4.
Os governos devem usar estratégias inovadoras, que
fortaleçam e protejam o direito universal à saúde e o bem-estar dos cidadãos do
mundo, durante os períodos de crises financeiras.
5.
O mundo clama por novos processos de participação
social e inclusão efetivas.
6.
Os atores sociais são convidados a se engajarem em
uma reflexão crítica sobre seu papel como participantes ativos, no exercício da
cidadania.
7.
A promoção da saúde sofre influência direta e
indireta da política e ideologias.
8.
As estratégias da promoção da saúde demandam várias
intervenções emancipatórias.
9.
O nível local tem um grande potencial transformador,
portanto é imperativo mobilizar e pressionar as autoridades locais para incluir
a saúde e equidade em sua agenda.
10.
As evidências de pesquisas deveriam ser utilizadas
como um instrumento para mudança social positiva. Precisamos de ciência que
tenha compaixão e abordagem intercultural.
11.
As instituições devem reconhecer sua influência na
mudança e eliminação de todas as formas de discriminação e exclusão.
12.
A promoção da saúde desempenha um papel fundamental
na geração de condições e ambientes que desenvolvam capacidades.
13.
A promoção da saúde deve reconhecer o potencial e a
capacidade dos indivíduos durante todo o ciclo de vida
14.
Promover o uso mais transparente e melhor da
política e do poder é um imperativo ético.
15.
Os promotores da saúde devem trabalhar para garantir
a apropriação dos projetos com as pessoas com quem trabalham.
16.
É necessário compreender melhor as ameaças e causas
que afetam as chamadas populações vulneráveis.
17.
É importante que o setor saúde esteja pronto para
aprender, e não simplesmente ensinar os outros setores.
18.
A promoção da saúde não é viável sem estes quatro
princípios básicos: equidade, direitos humanos, paz e participação.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
RIO 2016 - UM NOVO MODELO DE " SAUDE DA FAMÍLIA"
O município
do Rio de Janeiro vive desde 2009 uma interessante experiência de
desenvolvimento dos cuidados de saúde primários, através da criação das
Clínicas da Família, da expansão do Programa Saúde Família e do reforço da
figura do médico de família. Criado em 1993/1994, o Programa Saúde Família
também conhecido como Estratégia Saúde Família, apoiado pela UNICEF,
inicialmente dirigido às populações mais vulneráveis, aproveitando iniciativas
do Programa Agentes Comunitários de Saúde e da Pastoral da Criança, foi incorporando
recursos mais diferenciados e foi-se expandido nas zonas de poucos recursos
municipais e de baixa cobertura. Em 1995, quando era Ministro Adib Jatene perde
o seu caráter de programa vertical e passa a ter um papel primordial na reestruturação
do Sistema Único de Saúde (SUS). (aqui)
O SUS,
criado na Constituição de 1988 e operacionalizado em 1990, passou a coexistir com
subsistemas criados antes de 1988, que cobrem cerca de 23% da população, seja
através de subsistemas organizados para os trabalhadores de empresas como o
Banco do Brasil ou a Petrobras, seja através de um forte sistema privado,
também chamado de Sistema Supletivo de Assistência Médica.
Num país
com cerca de 200 milhões de pessoas, em que as despesas totais em saúde
representam cerca de 8.3% do Produto Interno Bruto, dos quais 42% são gastos
públicos, os cuidados de saúde primários podem ter um papel fundamental na
saúde dos cidadãos e em particular dos mais vulneráveis. (aqui)(aqui)
É neste
contexto, que a experiência do Rio de Janeiro se tem desenvolvido desde 2009,
quando a cidade se começou a preparar para os Jogos Olímpicos, e o Município
decidiu criar um modelo de cuidados de saúde primários centrado na comunidade e
na figura do médico de família e da comunidade, passando de uma cobertura de
cerca de 3.5% da população para cerca de 45% em 2014 e um objetivo de chegar a
70% em 2016. (aqui)
Para isso a
Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, principiou por investir na
construção de Clínicas de Família e centros municipais de saúde nas zonas com piores
indicadores de desenvolvimento humano, alargando-as a outras zonas, num total
de 89 novas clínicas e 118 centros e num ambicioso plano de formação de médicos
de família, conhecido como o maior programa de internato (residência) de
médicos de família do Brasil, atingindo hoje as 150 vagas. (aqui)
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
BRASIL PARODOXAL - DESIGUALDADE NO BRASIL CAI 19%, MAS O NOVO GOVERNO CORTA NAS DESPESAS SOCIAIS, SAÚDE E EDUCAÇÃO (PEC 241)
O Brasil
era até ao início dos anos 90, conhecido por ser um país historicamente desigual,
sendo o índice de Gini no ano de 1989 de 63 e o segundo mais alto do mundo.
Durante a década de 90 os níveis de desigualdade começaram a cair a um ritmo
assinalável ultrapassando os níveis de descida registados para os restantes
países da América Latina e Caraíbas, atingindo o índice de Gini o valor de 51
em 2014, 19% mais baixo do que em 1989. Verificando-se uma descida assinalável
entre os anos de 2000 e 2014, que permitiu que 26.5 milhões de brasileiros saíssem
da pobreza.
De acordo
com dados do Banco Mundial, a percentagem da população que vivia em pobreza extrema (US $ 1,9/dia) diminuiu em quase ¾ passando de 20.6% em 1990 para 3.9%
em 2013, um diminuição ainda maior ocorreu na mortalidade antes dos 5 anos,
passando de 60.8/1.000 em 1990 para 16.2/1.000 em 2013. A prevalência de
crianças com baixo peso foi reduzida para metade (de 4,5% para 2.2%), e a
proporção da população sem acesso a água potável diminuiu em ¾ passando de 11%
para menos de 3%. A esperança média de vida ao nascer passou de 66.5 anos em
1990 para de 73,9 em 2013, comparando favoravelmente com os países do seu grupo
rendimento.
Apesar do
Brasil continuar a ser um dos países mais desiguais no mundo (15.º), os imensos
progressos conseguidos nos últimos anos são considerados pelas agências
internacionais de enorme sucesso, atribuindo o Banco Mundial 60% desta redução
ao aumento do rendimento das famílias brasileiras, devido ao crescimento e os 40%
restantes às melhorias verificadas na distribuição de renda entre os
brasileiros.
Com a restauração
da democracia em 1985 e a aprovação da Constituição de 1988, o Brasil passou a
dispor de uma lei fundamental que garante à população, os direitos sociais
básicos, a educação pública e gratuita, os cuidados de saúde universais, a
assistência social e o sistema de pensões, de que é exemplo a criação do
Sistema Único de Saúde. O controlo da inflação nos anos 90, o crescimento das “
commodities” na década de 2000, num quadro macroeconómico externo favorável às
exportações, impulsionou o crescimento económico e a dinâmica do mercado de
trabalho. As políticas sociais implementadas pelos governos de Lula da Silva, impulsionaram
os rendimentos dos mais pobres e reduziram as desigualdades.
De acordo
com o último relatório do Banco Mundial publicado em 2016, "Poverty and Shared Prosperity 2016: Taking on Inequality" esses 2 fatores foram
responsáveis pela redução das desigualdades entre 2003 e 2013 em cerca de 80%,
41% pelos rendimentos do trabalho e 39% pelas políticas sociais.
Em termos
de mercado de trabalho, verificou-se uma diminuição entre a diferença salarial
entre trabalhadores qualificados e não qualificados, aumentando a oferta de
trabalhadores qualificados, graças à melhoria da escolaridade (4 em cada 10
trabalhadores em 2010 tinha 11 anos ou mais de escolaridade, o dobro da verificada
em meados dos anos 90) e o crescimento do mercado de trabalho em setores, como
a construção que absorveu muitos trabalhadores menos qualificados. Cresceu o emprego
formal e o salário mínimo sem provocar distorções do mercado de trabalho segundo o Banco
Mundial, permitindo a redução nas diferenças salariais, tendo em conta o sexo, a
raça e desigualdade espacial.
No âmbito
das políticas sociais, o governo promoveu o acesso: à energia elétrica (quase
universal até 2014), através do programa de eletrificação rural Luz para Todos,
que forneceu luz a 15.2 milhões de pessoas (iniciado em 2004); à rede de esgotos
(os 40% das famílias mais pobres passaram de 33% para 43% de cobertura); à
escolaridade primária (2014 perto de universal); ao Bolsa Família “Brazil’s
flagship conditional cash transfer (CCT) program”, responsável entre 2004 e
2014, por 10 a 15% da redução da pobreza, atingindo 56 milhões de pessoas e ainda a título de exemplo o Benefício de Prestação
Continuada, dirigido aos idosos e deficientes. De acordo
com relatório o Brasil tem ainda espaço para uma melhoria significativa do seu
sistema fiscal, permitindo melhorar a sua eficiência, a sua progressividade e o
seu sistema de transferências.
No entanto,
com a mudança na economia global, o fim do boom dos preços das "commodities", e
as mudanças políticas verificadas nos últimos anos, com a chegada ao poder
de forças conservadoras, no meio da instabilidade política criada com a
destituição da presidente Dilma Roussef, os ventos deixaram de ser favoráveis à continuação
da redução das desigualdades.
Assim não
foi preciso aguardar muito tempo para o que o Governo pelo Presidente Temer viesse
apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 241) com o objetivo de limitar
as despesas com saúde, educação, assistência social e previdência, nos próximos
20 anos (aqui). Esta proposta amplamente contestada pelas organizações de saúde, como
a ABRASCO, a Rede de Escolas de Saúde Pública do Brasil, a FIOCRUZ ou o Conselho Nacional de Saúde, a ser aprovada, é na opinião do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (aqui) um rude golpe para o SUS e para a política de combate às
desigualdades “… fica claro que a PEC 241 impactará negativamente o financiamentoe a garantia do direito à saúde no Brasil. Congelar o gasto em valores de 2016, por vinte anos, parte do pressuposto equivocado de que os recursos públicos para a saúde já estão em níveis adequados para a garantia do acesso aos bens e serviços de saúde, e que a melhoria dos serviços se resolveria a partir de ganhos de eficiência na aplicação dos recursos existentes. Ademais, o congelamento não garantirá sequer o mesmo grau de acesso e qualidade dos bens e serviços à população brasileira ao longo desse período, uma vez que a população aumentará e envelhecerá de forma acelerada. Assim, o número de idosos terá dobrado em vinte anos, o que ampliará a demanda e os custos do SUS. Caso seja aprovada, a PEC 241 tam pouco possibilitará a redução das desigualdades na ofertade bens e serviços de saúde no território nacional. Não só não haverá espaço no orçamento para tanto, como o teto das despesas primárias, em um contexto de aumento acelerado das despesas previdenciárias, levaria a um processo de disputa das diversas áreas do governo por recursos cada vez mais escassos. Como o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, a redução do gasto com saúde e dos gastos com políticas sociais de uma forma geral afetará os grupos sociais mais vulneráveis, contribuindo para o aumento das desigualdades sociais e para a não efetivação do direito à saúde no país.”terça-feira, 23 de agosto de 2016
RIO 2016 - O LEGADO - VALEU A PENA ?
Os Jogos
Olímpicos – Rio 2016, terminaram. De acordo com a imprensa internacional e a
própria imprensa brasileira, tinham tudo para correr mal, era o zika vírus, a
poluição da baía de Guanabara, os problemas detetados na aldeia olímpica, etc.,
mas no fim o Brasil e o Rio de Janeiro demonstraram que os brasileiros, entre
muitas contradições, souberam organizar os primeiros Jogos Olímpicos de verão realizados
na América do Sul. (aqui) (aqui) (aqui)
Durante os
Jogos a vida continuou, como disse o presidente do Comité Olímpico
Internacional, Thomas Bach, o Rio 2016 não ficou isolado do resto do Brasil.
“Os Jogos não foram organizados numa bolha, mas numa cidade em que há problemas
sociais, e onde a vida real continua durante a olimpíada”.
![]() |
| Rafaela Silva - Medalha de Ouro Judo - Instituto Reação - Cidade de Deus |
A escolha
do Rio como sede olímpica aconteceu em 2009 em Copenhaga, durante o segundo
mandato do presidente Lula da Silva, quando o Brasil vivia um período de bom desempenho
económico e social e uma projeção mundial crescente, enquanto a sua organização
foi gerida pela presidente Dilma Rousseff, entretanto afastada pelo Senado após
meses de campanha nos principais órgãos de imprensa brasileiros (nas mãos de um
pequeno grupo de famílias, entre as mais ricas do Brasil, claramente
conservadoras, que durante décadas usaram os meios de comunicação em favor das
classes poderosas e favorecidas, mantendo e assegurando uma grande desigualdade
social), mergulhando o Brasil numa grave crise política, económica e social,
com o objetivo da velha elite voltar a impor uma agenda conservadora e
neoliberal (aqui) a que o jornal Guardian classificou de “A lot of testosterone and little pigment", opondo-se a anos de redistribuição de rendimento e de combate à
pobreza. O que se teria dito de Lula da Silva e Dilma Roussef se os Jogos – Rio
2016 tivessem fracassado.
Terminados
os Jogos – Rio 2016, dar-se-á passo à discussão sobre o legado dos Jogos
Olímpicos 2016 para o Rio e para o Brasil (aqui) (aqui) até que comecem os próximos Jogos
Olímpicos de verão de 2020 (aqui). Ficará também a discussão sobre os Jogos, como um
espelho das desigualdades entre países, espelhando as diferenças
de rendimento e de oportunidades quer no que se refere ao número de
participantes, quer no que se refere à distribuição de medalhas. (aqui)
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
RIO 2016 - OS JOGOS OLÍMPICOS COMO ESPELHO DE UM MUNDO DE DESIGUALDADES
De 5 de
Agosto a 18 de Setembro, o Rio de Janeiro será a cidade anfitriã dos Jogos
Olímpicos e Paralímpicos. Mais de 11.000 atletas olímpicos e mais de 4.000
atletas paralímpicos estarão no Brasil a representar os seus países, 206 nos
jogos olímpicos e 176 nos jogos paralímpicos. (aqui)
Sustentado
nos três valores olímpicos, da Amizade, do Respeito e da Excelência, e nos
quatros valores paralímpicos, da Inspiração, Coragem, Determinação e Igualdade,
o Movimento Olímpico apresenta-se como “… A PHILOSOPHY OF LIFE, EXALTING AND COMBINING IN A BALANCED WHOLE THE
QUALITIES OF BODY, WILL AND MIND. BLENDING SPORT WITH CULTURE AND EDUCATION,
OLYMPISM SEEKS TO CREATE A WAY OF LIFE BASED ON THE JOY FOUND IN EFFORT, THE
EDUCATIONAL VALUE OF GOOD EXAMPLE AND RESPECT FOR UNIVERSAL FUNDAMENTAL ETHICAL
PRINCIPLES” contribuindo para a construção de um mundo pacífico e melhor. (aqui)
Mas ao
contrário dos ideais olímpicos e do antigo espírito olímpico, os Jogos são um
local desigual. São o espelho das desigualdades entre países. Na realidade
espelham as diferenças de rendimento e de oportunidades entre países, quer no
que se refere ao número de participantes, quer no que se refere à distribuição
de medalhas. (aqui)
e dentro dos próprios países
![]() |
| Tuca Vieira - Favela de Paraisópolis |
No final e
com a exceção de algumas surpresas que preencheram noticiários e capas de
jornais, o quadro de medalhas mostrará a distribuição da riqueza no mundo e expressará
também a batalha pela supremacia política global. (aqui)
sexta-feira, 17 de junho de 2016
BRASIL - GOVERNO TEMER ANUNCIA CORTES PARA A SAÚDE E ATACA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
O governo do Presidente interino do Brasil, Temer,
resultante do afastamento temporário da Presidente Dilma Rousseff após o Senado
brasileiro ter iniciado o processo de julgamento da Presidente, com o fim de
decidir se há ou não razões para o seu “impeachment”, ficou envolto em polémica
desde o seu início, quer por ser um governo de “homens brancos” citados em “processos
por corrupção” quer pela contestação à forma como a Câmara de Deputados aprovou
o processo de destituição do presidente, naquilo que é conhecido como um “golpe
parlamentar” ou ainda pelas sucessivas demissões de ministros acabados de nomear.(aqui) (aqui) (aqui)(aqui)
Mas no que se refere à Saúde as notícias do lado de lá (Brasil) são preocupantes, uma vez que as propostas do presidente Temer e do ministro das
finanças Henrique Meirelles, anunciadas pelo ministro Ricardo Barros prevêem
cortes para a saúde e para o Sistema Único de Saúde, ‘Não contem com mais dinheiro’
o ‘tamanho do SUS precisa ser revisto’ disse o novo ministro da Saúde. (aqui)(aqui)
De acordo com a denúncia de entidades ligadas à
saúde (Associação Nacional do Ministério Público de Contas, o Conselho Nacional
dos Procuradores-Gerais de Contas, a Associação Brasileira de Economia da
Saúde, Associação Nacional do Ministério Público em Defesa da Saúde e a
Associação Brasileira de Saúde Coletiva) o Sistema Único de Saúde (SUS) perderá
R$ 80 bilhões com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) proposta
pelo governo de Temer. (aqui)
Aqui fica a posição do recém-eleito Presidente do
Conselho Nacional de Saúde do Sistema Único de Saúde do Brasil “O Conselho
Nacional de Saúde (CNS) instância máxima de deliberação do Sistema Único de
Saúde – SUS - de carácter permanente e deliberativo, que tem como missão a
deliberação, fiscalização, acompanhamento e monitoramento das políticas
públicas de saúde.” Ronald Ferreira dos Santos. (aqui)
" Na condição de presidente do Conselho
Nacional de Saúde, e de coordenador nacional do Movimento Nacional em Defesa da
Saúde Pública (SAÚDE+10), tenho a obrigação de reafirmar o posicionamento de
centenas de milhares de brasileiros e brasileiras que atuam no controle social
dos SUS: O povo brasileiro precisa, tem o Direito de MAIS SAÚDE!
A democracia participativa, através dos
conselhos de saúde, é parte das conquistas que integram o SUS, sistema que os
movimentos populares e da reforma sanitária escreveram na Constituição de 1988,
um Sistema Único, de acesso universal, de atenção integral e público, um
sistema que retirou milhões de brasileiros da indigência e lhes trouxe
cidadania.
Entre as políticas sociais, a de Saúde foi
fortemente restringida pelo processo de subfinanciamento crônico do SUS, desde
os anos 90. Foram muitas as batalhas em que participaram o Conselho Nacional de
Saúde, o CONASEMS (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), o
CONASS (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde), os Conselhos
Estaduais e Municipais de Saúde, entidades da sociedade civil e movimentos
populares para aumentar e garantir fontes estáveis de financiamento, entre as
quais, destacamos a aprovação da Emenda Constitucional nº 29/2000 e da Lei
Complementar nº 141/2012, bem como o projeto de lei de iniciativa popular (PLP
321/2013) que reuniu mais de 2,2 milhões de assinaturas a favor da alocação de
10% das receitas brutas da União para o financiamento das ações e serviços
públicos de saúde.
Agora, lutamos pela aprovação da PEC
01/2015 para aumentar os recursos do SUS até atingir 19,4% da receita corrente
líquida a partir do sétimo ano da aprovação, já votada em primeiro turno na
Câmara dos Deputados mediante acordo entre governo e oposição. Lutamos contra a
PEC 143/2015, votada em primeiro turno no Senado Federal, porque se aprovada
ela poderá retirar, segundo estimativas de especialistas, de R$ 40 bilhões a R$
80 bilhões de recursos do SUS, provenientes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios. Lutamos, também, contra a PEC 451, de iniciativa do
Deputado Eduardo Cunha, cujo objetivo é acabar com o SUS público e universal em
benefício dos Planos de Saúde Privados."
sexta-feira, 1 de abril de 2016
O ZIKA VÍRUS E OS DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE
O vírus Zika é
um vírus recente, transmitido pelo mosquito Aedes, foi inicialmente
identificado no Uganda, em 1947, em macacos Rhesus, e mais tarde (1952) identificada
em seres humanos, no Uganda e na República Unida da Tanzânia. Desde aí tem-se
registado surtos da doença do vírus Zika em África, nas Américas, na Ásia e no
Pacífico. As pessoas com a doença do vírus Zika têm, normalmente, febre
ligeira, erupção da pele (exantema) e conjuntivite. Estes sintomas duram,
normalmente, 2-7 dias. Atualmente, não existe qualquer tratamento específico
nem vacina. A melhor forma de prevenção é a proteção contra a picada do
mosquito.
![]() |
| FIOCRUZ |
Veja aqui no Canal Saúde, televisão do Sistema Único de Saúde (SUS), criado e gerido pela Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz) o programa " Zika e Determinantes Sociais de Saúde"
sábado, 16 de janeiro de 2016
À CONVERSA COM ALBERTO PELLEGRINI FILHO - DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE
Determinantes Sociais da Saúde à Conversa com:
Alberto Pellegrini Filho, Diretor do Centro de Estudos, Políticas e Informação em Determinantes Sociais da Saúde (Cepi-DSS) da Escola Nacional de Saúde Públlica - Fundação Osvaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
MIA COUTO " MORREU DE QUEM OU DE QUÊ ?" - DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE
No passado dia 16 de Novembro o escritor moçambicano Mia Couto, foi o convidado do Seminário Internacional " Determinantes Sociais da saúde, intersetorialidade e equidade social na América Latina" para proferir a Conferência de Abertura.
A sua conferência de abertura é aqui relatada pela jornalista Tatiane Vargas jornalista da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (aqui).
![]() |
| Mia Couto |
" Morreu de quem ou de que?
Mia Couto continuou brindando a plateia com a beleza de suas narrativas. Prosseguiu com mais uma história, afinal, como ele mesmo afirmou, “somos feitos de histórias assim como somos feitos de células”. O escritor falou sobre uma província no norte de Moçambique, chamada Niassa, onde também trabalhou por um tempo. Ele explicou que o povo local se reúne para uma cerimônia religiosa, organizada pelos sacerdotes – que também são líderes políticos –, e passam fome durante todo o ano para homenagear os macacos babuínos. Isso acontece porque eles acreditam que há muito tempo seus antepassados todos morreram afogados em uma lagoa e voltaram materializados nesses animais. “Para eles é um momento de retribuição, pois esses animais protegem um lugar sagrado. Então, é preciso mostrar essa gratidão”, contou.
Após contar a história dos costumes de Niassa, Mia explicou que nas regiões por onde anda, as pessoas fazem um questionamento que aqui no Brasil pode parecer estranho quando alguém morre. A pergunta é: “morreu de quem?” Ao invés de “morreu de que?”. “Morrer de alguém é uma coisa que faz muito sentido em um universo em que a fronteira da vida – o entendimento daquilo que é vida, que é morte, que é doença –, é algo completamente distinto. Nesse universo está ausente a dualidade que separa o somático, o psicológico, o corpo, a alma, o espírito e a matéria, tudo isso é ausente e não existe uma palavra para expressar a natureza. Por isso, quando se procuram as causas naturais de uma doença, surge algo estranho, pois não há sequer uma palavra para dizer isso”, definiu o escritor.
sábado, 28 de novembro de 2015
BRASIL - ESTRATÉGIA SAÚDE FAMÍLIA - UMA BOA PRÁTICA - BANCO MUNDIAL
O Brasil tem atravessado nos últimos
20 anos um período de crescimento económico acompanhado de marcadas melhorias
nos padrões de vida dos brasileiros. De acordo com a informação do Banco
Mundial, embora o crescimento económico (3,2% ao ano) não tenha acompanhado o
ritmo dos anos 1960 e 1970 (quando o economia cresceu a uma média anual de 6,6%),
os indicadores socioeconómicos tiveram um crescimento sem precedentes (aqui).
A percentagem da população que vivia em extrema pobreza (US $ 1,9/dia)
diminuiu em quase ¾ passando de 20.6% em 1990 para 3.9% em 2013, um diminuição
ainda maior ocorreu na mortalidade antes dos 5 anos, passando de 60.8/1.000 em
1990 para 16.2/1.000 em 2013, a prevalência de crianças com baixo peso foi
reduzida para metade (de 4,5% para 2.2%), e a proporção da população sem acesso a água potável diminuiu em ¾ passando de 11% para menos de 3%. A esperança média
de vida ao nascer passou de 66.5 anos em 1990 para de 73,9 em 2013, comparando
favoravelmente com os países do seu grupo rendimento. Este progresso foi
alcançado, em parte, através de estratégias de desenvolvimento focadas no
investimento em sectores sociais, mantidas inclusivamente durante os períodos
de austeridade ou crise financeira. Estes investimentos incluíram a implementação
de programas sociais como o Bolsa Família e reformas abrangentes como as que se
verificaram no sector da saúde. Uma vez que a Constituição de 1988, tinha
estabelecido o acesso à saúde como um direito dos cidadãos e uma obrigação do Estado,
este princípio foi gradualmente transposto para a prática através de uma série
de sucessivas reformas, começando com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS),
uma sistema nacional de saúde financiado por impostos a que toda a população
tem direito (aqui) (aqui).
A Estratégia Saúde da Família, incluída Política Nacional de Atenção Básica considerada uma boa prática internacional
pela Global Coaliation For Health Coverage Day, é aqui avaliada pelo Banco Mundial no estudo “Brazil’s Primary Care Strategy, Universal Health Coverage Studies Series (UNICO) UNICO Studies Series No. 2”.
O tema deste estudo de caso tem
sido uma pedra angular do SUS. Uma série de avaliações do SUS foram realizadas
ao longo dos anos, apontando para progressos significativos na melhoria do
acesso e contribuindo para a melhoria dos indicadores de saúde do Brasil.
Os estudos também apontam também para
deficiências, sobretudo na área dos cuidados hospitalares, persistindo muitas
ineficiências, uma elevada fragmentação do sistema e problemas de cobertura nos
cuidados hospitalares.
No entanto, a Estratégia Saúde da
Família incluída Política Nacional de Atenção Básica foi bem-sucedida. Neste
estudo de caso o Banco Mundial avalia as suas principais características, conquistas
e desafios e analisa a contribuição dessa estratégia para a criação e
implementação de cobertura universal de saúde para todos os brasileiros.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






















