sábado, 22 de julho de 2017

2017 - O CRESCIMENTO DA ESPERANÇA DE VIDA ESTAGNOU NO REINO UNIDO

No passado dia 17 de Julho o Professor Michael Marmot, diretor do Institute of Health Equity, apresentou os “Marmot Indicators 2017” dedicados à análise da esperança de vida entre 2012 – 2015 no Reino Unido. (aqui)

Os resultados apresentados mostraram uma desaceleração no aumento da esperança de vida, que nas palavras de Marmot levaram praticamente a uma paragem “the increase has more or less ground to a halt”, contrariando a tendência de crescimento contínuo, de 1 ano a cada 3 anos e meio nos homens e de 1 ano a cada 5 anos nas mulheres, verificada no Reino Unido ao longo do século XX.

Ao contrário do que tinha vindo a acontecer desde o final da II Guerra Mundial até 2010, com um crescimento contínuo da esperança de vida, passando de 64.1 anos para os homens e 68.7 para as mulheres em 1946, para 77.1 anos para os homens e 81.4 para as mulheres em 2005 e novamente para 78.7 anos para os homens e 82.6 para as mulheres em 2010, verificou-se um abrandamento se não mesmo uma paragem deste crescimento, desde que tomou posse em 2010 o governo de coligação (conservador-liberal) chefiado por David Cameron, uma vez que em 2015 a esperança de vida para os homens atingiu os 79.6 anos e os 83.1 anos para as mulheres.

Rise in life expectancy in England
Considerado como causa para alarme por Michael MarmotThere is cause for alarm. Something has happened to slow health improvement in the UK.”, uma vez que o Reino Unido ainda não atingiu os resultados obtidos pelos países nórdicos, pelo Japão ou por Hong-Kong onde a esperança de vida é maior e continua a aumentar, Marmot aponta para as desigualdades e para os determinantes sociais como causas para este abrandamento, já anteriormente verificados no estudo de Anne Case e Angus Deaton nos Estados da Unidos da América, onde se encontrou um aumento significativo na mortalidade entre os norte-americanos brancos não hispânicos dos 45 aos 54 anos (aqui) e os resultados obtidos pelo Glasgow Centre for Population Health, onde se encontrou um excesso de mortalidade na cidade de Glasgow, quando comparada com a verificada em cidades como Liverpool e Manchester (aqui).

No estudo agora apresentado, também se verificaram importantes desigualdades entre as regiões mais ricas e as mais pobres do Reino Unido, uma vez que enquanto no bairro mais rico de Londres, Kensington & Chelsea, os homens vivem até aos 83 e as mulheres até aos 86 anos, no Norte do Reino Unido em Blackpool, os homens vivem até aos 74 e em Manchester as mulheres vivem até aos 79 anos.

Para além destes resultados, confirmaram-se ainda profundas desigualdades entre a população de uma mesma área residencial, assim em Kensigton & Chelsea verificou-se uma diferença de 14 anos na esperança de vida entre as áreas mais ricas e mais pobres da área residencial. Em Kensington e Chelsea o rendimento médio é de 137.070 euros, mas a mediana é 36.441 euros, ou seja mais de metade das pessoas têm menos de 32.700 euros. Pelo que não será difícil adivinhar em que local de Kensigton & Chelsea se encontrava a Grenfell Tower (aqui).

Durante a apresentação foram ainda sublinhados os aspetos relacionados com a redução de rendimentos verificada entre 2008/9 e 2014/2015, e os cortes verificados nas áreas da saúde e social, que no caso do Reino Unido afetaram particularmente os mais velhos.

Apesar de Marmot ter resistido até agora a ligar a redução da esperança de vida à política de austeridade desenvolvida desde 2010, conclui que os cortes nas despesas públicas socias e de saúde, terão um importante impacto na qualidade de vida nos idosos e que é urgente continuar a estudar o impacto da austeridade na vida das pessoas.

What I would conclude, though, is that less generous spending on social care and health will have adverse impacts on quality of life of the elderly. It is urgent to determine whether austerity also shortens lives.


Com a apresentação dos “Marmot Indicators-2017” (aqui) foi aberto um importante debate no Reino Unido sobre o custo real da austeridade na vida das pessoas. (aqui)

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