sexta-feira, 16 de junho de 2017

PORQUE QUEREM OS BILIONÁRIOS INFLUENCIAR A SAÚDE PÚBLICA - O CASO DE AMÂNCIO ORTEGA

No passado mês de Março a Fundação Amâncio Ortega, anunciou a doação de 320 milhões de euros aos hospitais públicos de todas as autonomias espanholas para renovação dos equipamentos de diagnóstico e de tratamento de radioterapia do cancro (aqui), um anúncio generoso que alarga a toda a Espanha o programa da Fundação do fundador da Zara (Inditex), o homem mais rico da Europa e o segundo mais rico do mundo (aqui), iniciado em 2015 com a doação de 17 milhões de euros ao sistema público da Galiza (Servizo Galego de Saúde) para adquirir 16 mamógrafos digitais e 12 aceleradores lineares.

Agora no início do mês de Junho quando entre o apoio entusiasmado dos diversos responsáveis das Comunidades Autónomas, da Sociedad Española de Oncologia Radioterápica ou dos pacientes, Grupo Español de Pacientes con Cáncer, a Fundação Amâncio Ortega se preparava para assinar os diversos protocolos (aqui), surgem várias críticas de organizações de pacientes e profissionais liderados pela Federación de Asociaciones para la Defensa de la Sanidad Pública (aqui) e pela Plataforma No Gracias (aqui) que criticam esta iniciativa filantrocapitalista, chamando a atenção, nomeadamente para a estratégia de deslocalização das empresas têxteis para regiões onde os trabalhadores são sujeitos a exploração e a trabalho escravo ou à deslocalização das empresas para regiões onde os impostos são mais baixos.
Irish Times

No caso da Inditex, a empresa tem-se visto envolvida em casos de trabalho sem direitos na Turquia (aqui) ou no Brasil (aqui) e acusada de utilizar expedientes para fugir aos impostos localizando as suas empresas em países, como a Irlanda, a Holanda e a Suíça onde os regimes de impostos lhe são mais favoráveis (aqui)(aqui).

A aceitação acrítica do filantrocapitalismo permite que figuras de sucesso empresarial, como Amâncio Ortega, apareçam aos olhos dos cidadãos com autoridade moral sustentada na sua eficiência empresarial, inovação e ganhos financeiros, para desenvolverem e apoiarem projetos e programas na área da saúde, sem nunca terem demonstrado que tenham qualquer capacidade ou experiência no desenvolvimento social e de saúde, passando a dispor do poder de influenciar a tomada de decisões de instituições e impor as suas agendas particulares, para além de os proteger das críticas sobre a forma como construíram as suas riquezas, as práticas laborais que aplicam e a sua conduta pública para perturbar a aplicação da legislação, ou mesmo modifica-la quando estas não corresponde aos seus interesses particulares. (aqui)


Necessitamos de sociedades que criem condições para que se gere riqueza e de mecanismos democráticos que permitam a sua distribuição de uma forma equitativa.

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