quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

ÓLEO DE PALMA - GRANDES MARCAS COMO UNILEVER, NESTLÉ, PALMOLIVE OU PROCTOR AND GAMBLE - TRABALHO FORÇADO E TRABALHO INFANTIL

A Amnistia Internacional publicou no dia 30 de novembro o relatório “THE GREAT PALM OIL SCANDAL: LABOUR ABUSES BEHIND BIG BRAND NAMES”. Este documento aborda o trabalho nas plantações de dendenzeiros ou palmeiras de dendê, que fornecem óleo para a Wilmar, o maior produtor mundial de óleo de palma e de ácido dodecanóico ou ácido láurico e principal fornecedor de empresas como: a Colgate-Palmolive, a Unilever, a Nestlé, a Proctor & Gamble, a Kellogg’s, a Reckitt Benckiser, a AFAMSA, Archer Daniels Midland Company (ADM)e a Elevance. 

The great palm oil scandal: labour abuses behind Big Brands names
Para além da sua utilização como óleo de cozinha, o óleo de palma, e alguns dos seus componentes, é empregue em cerca de 50% dos produtos de consumo, desde produtos alimentares como o pão embalado, os cereais, a margarina, os gelados, ou os biscoitos, aos produtos de limpeza e cosmética, como os detergentes, os champôs, os sabonetes, os batons e aos biocombustíveis para os automóveis e para as fábricas, tendo a sua produção dobrado nos últimos 10 anos. A procura mundial tem vindo a crescer rapidamente, passando de 15 milhões de toneladas em 1990 para 61 milhões em 2015, tendo como principais importadores a Índia, a União Europeia e a China, que combinados representam 1/3 do total (20 milhões em 2016).

Produzido principalmente na Indonésia, onde atinge cerca de 35 milhões de toneladas/ano, 45% da produção anual, emprega cerca de 3 milhões de indonésios, muitos deles migrantes internos, representando cerca de 1/3 da mão-de-obra mundial em todo o sector desde as plantações da palmeira até à refinação do óleo.
The great palm oil scandal: labour abuses behind Big Brands names

Produzidas em extensas plantações, as palmeiras do óleo podem crescer até 20 metros de altura, tendo uma vida média de 25 anos. As árvores começam a dar os primeiros cachos de frutos frescos por volta dos três anos, atingindo o pico de produção entre o 6.º e o 10.º ano de produção. Os cachos que podem pesar entre 10 a 20 Kg têm de ser transportados num prazo de 24 horas até aos lagares de extração, sendo posteriormente transportado para as refinarias da Wilmar onde é posteriormente processado. O trabalho de colheita dos frutos de palma é extremamente exigente do ponto de vista físico, uma vez que é totalmente manual. Os trabalhadores tem que cortar os cachos de cerca 12 kg/média a 20 metros de altura (com uma longa haste com uma foice no final, Egrek) e transportá-los em carros de mão para os pontos de recolha.
The great palm oil scandal: labour abuses behind Big Brands names
De acordo com a investigação da Amnistia Internacional, em muitas plantações que fornecem a Wilmar, os trabalhadores são submetidos a trabalho forçado, expostos à utilização de produtos químicos tóxicos e a baixos salários (2.5 dólares/dia). As mulheres são discriminadas, empregues como trabalhadoras ocasionais, sem qualquer proteção social ou de saúde. Submetidos a duras condições de trabalho e a tarefas fisicamente muito exigentes, os trabalhadores são pressionados a trabalhar para além do seu horário, obrigados a cortar, transportar, pulverizar e recolher grandes quantidades de frutos de palma para cumprir os objetivos, sendo ainda penalizados se forem surpreendidos a apanhar os frutos de palma do chão ou colherem os frutos verdes. Face aos elevados objetivos traçados pelas empresas e ao trabalho esgotante a que são submetidos para conseguirem um salário suficiente, muitos trabalhadores trazem as suas famílias para os ajudarem. A maioria das crianças ajudam os seus pais à tarde, depois de saírem da escola, nos fins-de-semana e nos feriados, carregando sacos de 12 a 25 kg, expostos aos produtos químicos e a um ambiente perigoso.

De acordo com o relatório apresentado pela Amnistia Internacional, 9 grandes empresas mundiais, Colgate-Palmolive, a Unilever, a Nestlé, a Proctor & Gamble, a Kellogg’s, a Reckitt Benckiser, a AFAMSA, Archer Daniels Midland Company (ADM)e a Elevance, utilizam o óleo de palma produzido pela Wilmar com base no trabalho forçado e no trabalho infantil, ao contrário do que sustentam publicamente sete delas (exceção da Elevance e AFAMSA) que  se apresentam como empresas que respeitam os direitos humanos e utilizam “óleo de palma sustentável” produzido de acordo com as regras internacionais estabelecidas pela Organização Internacional do Trabalho.
Como diz a Amnistia Internacional, os abusos descobertos nas atividades de produção do óleo de palma pela Wilmar, não são incidentes isolados, mas fazem das práticas de trabalho utilizados pela Wilmar.

Algo não está bem quando nove multinacionais, que tiveram como receita conjunta de 325.000 milhões de dólares em 2015, não tomam medidas para abordar o trato desumano que recebem os trabalhadores da produção de óleo de palma, submetidos a trabalho forçado, a trabalho infantil, a baixos salários, sem respeito pelas leis do trabalho da Indonésia e da OIT.


A Amnistia Internacional afirma que fará campanha para pedir às empresas que digam aos seus clientes se o óleo de palma que contêm os seus produtos mais populares como os gelados Magnum, o dentífrico Colgate, os cosméticos Dove, o desodorizante AXE, a sopa Knorr, os KitKat, o champô Panténe, o Ariel, o creme Clerasil, as Pringle e muitos outros provém da Wilmar na Indonésia, que utiliza trabalho forçado e trabalho infantil (aqui).

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