domingo, 18 de novembro de 2018

AS PESSOAS QUE VIVEM NAS ÁREAS MAIS POBRES ADOECEM 10 ANOS MAIS CEDO DO QUE AS PESSOAS QUE VIVEM NAS ÁREAS MAIS RICAS


O estudo "Understanding the health care needs of people with multiple health conditionspublicado no dia 13 de novembro pela “Health Foundation” envolvendo cerca de 300.000 pessoas concluiu que as pessoas que vivam nas áreas mais pobres (último quintil) adoecem 10 anos mais cedo que as pessoas que vivem nas áreas mais favorecidas (1º quintil), o que significa que as pessoas que vivem nas áreas mais favorecidas podem esperar ter dois ou mais problemas de saúde aos 71 anos, enquanto as pessoas que vivem nas áreas de maior privação têm 2+ problemas de saúde aos 61 anos.
 O estudo realizado pela “Health Foundation” analisou os dados de saúde de 300.000 ingleses durante os anos de 2014 a 2016 com o objetivo de estudar a multimorbilidade, uma vez que as pessoas que apresentam múltiplos problemas de saúde têm pior qualidade de vida, correm maior risco de morte prematura e necessitam de maior suporte dos serviços de saúde. Com esse objetivo o estudo considerou 36 condições de saúde, incluindo ocorrência de doença crónica, fatores de risco, sintomas como a dor crónica, deficiências sensoriais e ainda o uso indevido de substâncias, a sua distribuição entre a população e a utilização dos serviços de saúde, tanto ao nível dos centros de saúde como dos Hospitais, incluindo internamento e urgência, tendo encontrado como principais conclusões:



- 1 em cada 4 adultos tinha 2+ problemas de saúde, o que equivale a aproximadamente 14,2 milhões de pessoas na Inglaterra.
- As pessoas das áreas mais desfavorecidas correm maior risco de ter múltiplos problemas e em idades mais jovens. Cerca de 28% das pessoas nas áreas mais desfavorecidas tem 4+ problemas de saúde em comparação com 16% das pessoas mais favorecidas.
- 30% das pessoas com 4+ problemas de saúde têm menos de 65 anos de idade, e essa % é maior nas áreas mais desfavorecidas.
- Em 2015/2016 1 em cada 3 doentes internados num hospital tinha 5+ problemas de saúde, enquanto em 2006/07, a proporção era de 1 em cada 10 doentes.
- As pessoas com multimorbilidades têm múltiplas consultas e tratamentos. Os doentes com 4 ou mais problemas tiveram uma média de 8,9 consultas em 2,8 especialidades médicas. Durante o período do estudo, esses doentes (4+) visitaram um médico de família 24.6 vezes (1 vez por mês em média) tendo-lhe sido prescritos 20,6 medicamentos diferentes. Enquanto um doente com 1 problema de saúde, teve 2,8 consultas com especialista, 8,8 consultas de medicina geral e familiar, e 5,6 medicamentos prescritos. No entanto, os doentes com mais problemas de saúde não tiveram tempos de consulta mais longos com o seu médico de família, apesar de suas necessidades mais complexas.
- 82% das pessoas com cancro, 92% das pessoas com doença cardiovascular, 92% das pessoas com doença pulmonar obstrutiva crónica e 70% das pessoas com problemas de saúde mental têm pelo menos mais um problema de saúde adicional.
- Os cuidados de saúde com as pessoas com 2+ problemas de saúde são responsáveis por mais de metade dos custos dos cuidados primários e secundários, e ¾ dos custos das prescrições dos cuidados primários.

O estudo chama ainda à atenção para o aumento previsível das despesas em saúde resultante do crescimento nos próximos 5 anos da atividade hospitalar em cerca de 14% por via do aumento do número de pessoas com múltiplos problemas de saúde e para o fato das estratégias clínicas continuarem a privilegiar o enfoque num único problema de saúde.

Propondo a “Health Foundation” que o planeamento de longo prazo para o Serviço Nacional de Saúde inglês deva ter um foco claro nas pessoas com múltiplos problemas de saúde.

Sem comentários:

Enviar um comentário